Capítulo 15 - Deixo um gemido escapar quando ela se movimenta em meu colo

397 34 2
                                        

Depois de pagar as contas e empacotar os produtos, seguimos em direção ao endereço dela. Ela em seu carro e eu no meu, a seguindo. Deixei o meu carro estacionado em frente ao seu prédio e entrei no seu carro para poder entrar no estacionamento e poder ajudá-la com as compras.

Eu fiz um gesto indicando o corredor iluminado de seu andar depois que a porta do elevador deslizou para o lado. Ela saiu e eu sai logo atrás. Alguns passos depois, Annie puxou uma chave do bolso do jeans e abriu a porta.

As primeiras coisas que percebi foram: 

A ausência de silêncio. O barulho do tec-tec-tec da pata de Bartolomeu se tornava mais alto a medida que os segundos passavam.

O cheiro. Para quem tem cachorro em casa já deve ter sentido o cheiro de... pano-molhado-que-não-seca-e-...cocô.

Era um cocô, sobre o chão de madeira clara.

Jornal picotado. O osso de borracha que dei a ele na clínica igualmente picotado. E um projeto de cobertor.

– Annie você nã... – Balbucio, mas me interrompo quando vejo Annie, a mulher durona e engraçadinha, se colocando de joelhos no chão da entrada, abrindo bem os braços e sorrindo como um anjo.

No segundo seguinte, Bartolomeu corre em nossa direção. Eu estava certo de que ele ia entrar no abraço dela (que sortudo), mas, de forma irreal, ele para num tranco, a centímetros de nós. Fixa os olhos lacrimosos nela, que estava quase na sua altura, e inclina a cabecinha. Depois olha para mim. E late.

Mas não era um latido de "saia da minha casa". Era o latido amigável de "Poncho, meu amigão". E então ele volta a correr só que em direção a mim.

– Oi amigão... – Começo, e ele se põe nas patas traseiras (apoiando as dianteiras em mim) e continua a latir sem qualquer sincronismo.

– Cachorro ingrato! – Annie diz, parecendo não muito feliz. – Bartô você é um ingrato que deveria correr para mim, como nos filmes!

Gargalho, me agachando para acariciar e brincar com o... Bartô?

– Por que Bartô? – Pergunto, agora passando a mão pela barriga enquanto ria das manhas do cão.

Annie se levanta e fecha a porta atrás de nós, onde também estavam colocadas as compras.

– Na verdade, para você e todo o resto, é Bartolomeu.

Engasgo a seco, ainda rindo, e olho para ela.

– Ué Por quê?

– Porque você não é íntimo!

– Ahn, não? Meu anjo, ele mal me viu e já veio me pedir carinho. Te ignorou e está ignorando. O não-íntimo é você!

Annie meio amarra a cara, meio ri, mas ergue os olhos para o teto. Depois se abaixa para recolher os pedaços de jornal espalhados pelo chão.

– Meu Deus, que fedor! Bartô... – Ela chama, virando-se para o cachorro, que agora pulava, latia, sacudia a cabeça e babava no meu joelho. – ...o jornal é para mijar! Não para comer!

Eu que, a essa altura, tinha lágrimas nos olhos de tanto rir, me adianto na direção dela para ajudá-la a organizar o apartamento, a final eu era o seu veterinário particular.

– Pelo visto você nunca cuidou de um cachorro. – Comento, me abaixando de frente a ela e recolhendo os pedaços do osso extremamente babado.

Ela olha para mim e abre um sorrisinho enviesado.

– Eu sei cuidar de um cachorro. – Devolvo o sorriso.

– O Bartô está aí para dizer o contrário! – Ela franze a testa, ri e depois se recompõe, apontando um dedo para mim.

Aprendendo a amar!Onde histórias criam vida. Descubra agora