É fácil falar de um amor novo, todo mundo sabe como é, todo mundo já sentiu e tem mil explicações para as borboletas. É coisa de maluco, eu sei, você sabe, todo mundo sabe. É coisa que te deixa noutro mundo, imaginando mil frases e mil encontros surpresas e românticos para a pessoa amada.
Um novo amor tem muito do gosto do bom mistério, da surpresa, da descoberta. É teste de força bruta, descobrir o que vai surpreender e o que vai fazê-la/lo chegar lá. É levar no cinema e descobrir o que a pessoa vai querer assistir. É ir no restaurante e descobrir o que a pessoa quer comer. É jogo de tentativa e erro.
Conhecer Anahí foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Sendo bem clichê mesmo. E descobri-la será sensacional. Todos os mínimos detalhes. Todas as nuances, as matizes. Até mesmo como é que ela prefere o macarrão: se o molho separado derramado por cima, ou se o molho misturado junto. Ela será meu projeto mais bonito, a peça mais interessante, a mulher mais inteligente, mais emocionante.
Tudo isso, porque Anahí não é doce, não é passiva, não é mansa.
Anahí é agressiva, é sexy, arredia, teimosa, e eu estou amando essa mulher, do jeito que ela é.
Ela é divertida, sensual, inteligente, independente.
Na verdade Anahí é intimidadora. O que para muitos assustam, para mim passei a admirar.
Eu quero fazer parte da vida dela, estar nos sonhos dela, dormir e acordar com ela.
Porém ela não me quer como eu a quero.
Quando eu fui embora daquela delegacia depois que ela despejou toda aquela confissão, desejei dia após dia que ela me procurasse de novo, me ligasse mesmo que fosse pelo Bartô para ir vê-lo.
Só que ela não me pediu, não me ligou, não nada. Aí eu comecei a me arrepender profundamente de ter ido embora sem falar com ela, de ter tido aquela crise de ciúmes. Eu sou do tipo que sempre diz as coisas. Tento ser sincero porque quero que o sejam comigo. Eu sou um homem para casar, fui criado para ter mulher e filhos, eu vi minha mãe e minha avó aguentando poucas e boas para me criar com um mínimo de decência. Fui criado para ser honesto comigo e com os outros. E a esse tipo de coisa não se desaprende.
E casar. Bom, só se for com aquela que vai te pentelhar a vida toda. Tem que ser aquela que a conversa não tem fim, nem as piadas, nem as risadas. Tem que ser aquela que você sonha em um dia poder voltar para casa depois de um dia de serviço e esquecer que trabalhou, esquecer que é segunda-feira, esquecer que está chovendo. Seu coração estará em casa, você voltará para o seu lar e tudo estará bem.
E será com essa que me casarei.
Mas para isso, eu preciso que Anahí me veja com outros olhos. Preciso que ela me aceite. Eu preciso fazê-la me querer, precisar de mim. Mas veja bem, não é minha intenção fazê-la dependente de mim, presa numa gaiola. Eu a quero como um pássaro livre que escolhe ficar. Ficar só comigo.
E foi com essa ideia que sai da escola após o papo com Gisela, dois dias depois do nosso incidente na delegacia. Gisela é uma grande amiga que conheci ainda adolescente. Foi com ela que aprendi muitas coisas, entre elas a me relacionar melhor com as mulheres.
A conheci em um bordel, do qual fui obrigado a ir pelo meu pai, que não aceitava um filho de dezessete anos ainda virgem. Ele me apresentou a ela para que a mesma fizesse o serviço em mim.
Eu tremia que nem vara curta e ela percebeu. Ela até que tentou, mas viu meu desespero e minha relutância para aquilo e me propôs uma conversa, e assim passamos a uma hora e meia que meu pai havia pago pelo serviço. Ela me prometeu que falaria com ele que eu havia "dado conta do recado" e ainda botou o ego do meu pai lá em cima. O que me deixou muito mais raivoso com ele. Nunca contei isso a ninguém, nem minha vó sabe. É vergonhoso de mais contar isso.
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Aprendendo a amar!
RomanceAnahí Portilla, uma mulher extremamente sensual, sedutora e durona. Detetive criminalista acaba se encantando pelo pacato veterinário Alfonso Herrera, um amante de animais e adepto a todas as formas de amor. Concepções diferentes sobre o amor! Camin...
