Saio da ala das enfermarias rumando em direção a saída daquele hospital. Viro a esquerda e me deparo com uma pequena recepção onde se encontrava algumas pessoas entre eles Vó Judith, Christian, Gisela e minhas amigas.
Paro no lugar e os observo com atenção.
Gisela estava com os olhos vermelhos abraçada a vó Judith que pressionava contra seu peito uma bíblia bem gasta pelo tempo. Christian estava sentado ao lado delas curvado para frente, seus braços apoiados nas pernas amparavam sua cabeça. Provavelmente ele fitava o chão ou estava com os olhos fechados rezando, igualmente suas companheiras de assento ao lado.
Olho para minhas amigas que olhavam para os três. Pareciam ter acabado de dar alguma notícia a eles.
– Annie. – Dul foi a primeira me notar.
Assim que meu nome foi pronunciado, todos olharam para mim.
Dona Judith e Chris foram os primeiros a chegar em mim. Os bracinhos rechonchudos de vó Judith me apertaram em um forte abraço. O que foi suficiente para novas lágrimas rolarem pelo meu rosto, me lembrando das pessoas especiais que o esperavam ali, enquanto eu estava ali em pé e disposta a votar a minha rotina sem ele.
– Como você está, querida? – Ela me pergunta com a voz fraca e chorosa. Limpo suas lágrimas e volto a abraçá-la. Sem coragem de dizer que EU estava bem enquanto o neto dela estava lá dentro lutando pela vida.
– Ele vai ficar bem Annie. – Chris diz parecendo perceber todo o meu conflito de instantes, sem uma palavra eu o puxo também e o abraço. O abraço triplo que ele e Alfonso tanto gostavam de dar.
– Eu sei que vai! – É a única resposta que dou entre as lágrimas que partilhamos. Ainda consigo avistar Gisela em seu canto.
Seu olhar era o único que sabia a quem culpar por aquilo tudo com ele.
Ela me culpava.
E para ser sincera, não estava errada.
***
– Eu quero voltar pro caso! – Digo ao Jorge assim que entro em sua sala.
Era noite. Deixei Vó Judith na casa de Chris, após os médicos convencê-los de que não adiantaria eles passarem a noite no hospital, pois Alfonso acordaria daqui a alguns dias se o quadro continuassem a progredir.
Porém eles só foram quando Gisela garantiu que ficaria ali o tempo que fosse e os avisaria – a eles e não a mim – caso algo muda-se no quadro de Alfonso;
Apesar de querer, eu não podia afastá-la. Ela naquele momento tinha mais direito de estar ali do que eu, que o coloquei naquela situação.
Eu... apenas me retirei com eles.
– Anahí você acabou de sair do hospital está toda machucada, não vejo...
– Senhor, eu estou completamente apta a voltar a trabalhar. Nada me impedirá de caçar esse vagabundo... ele atentou contra mim e contra pessoas que eu amo! Não vou ficar sentada esperando pegá-lo.
Jorge solta um suspiro cansado.
Ele tinha um grande pepino nas mãos. Um caso em aberto, uma investigação de sequestro e ainda uma fuga de um detento dentro da sua unidade de polícia, a imprensa estava caindo em cima. Eram abacaxis enormes para descascar.
– Tudo bem. – Diz se levantando e indo até os armários dos arquivos. – Você volta. – Abre uma das gavetas e de lá retira meus equipamentos de trabalho. – Mas Anahí, cada passo que você der, deverá ser informado! – Decreta. – Nada de agir como lobo solitário e tornar isso pessoal.
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Aprendendo a amar!
RomanceAnahí Portilla, uma mulher extremamente sensual, sedutora e durona. Detetive criminalista acaba se encantando pelo pacato veterinário Alfonso Herrera, um amante de animais e adepto a todas as formas de amor. Concepções diferentes sobre o amor! Camin...
