Capítulo 57 - Se essa fosse a última vez que você me visse, o que você diria?

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Dois dias.

Dois malditos dias que ele não dá sinal de vida.

Estou praticamente acampando na frente da casa dele ou na frente do sua clínica. Só vou para casa tomar um banho, alimentar Bartô e as vezes o trago comigo, para evitar que ele fique sozinho e morra de saudade. Já basta eu, definhando com esse sentimento.

Seu Carlos, muito solícito, disse que eu podia ir para casa que assim que ele colocasse os pés na clínica ele me avisaria. Com isso fico a maior parte do tempo parada dentro do carro na rua da casa dele.

Eu queria esclarecer as coisas e passar por essa barra no meu emprego ao lado dele. Tenho certeza que com ele ali, tudo passaria melhor. Porém tenho ciência que a culpa é minha pelo seu afastamento.

Ele precisa pensar?

Ok. Justo.

Mas sou egoísta de mais por querê-lo perto de mim nesse momento.

Meu telefone toca.

Atendo desesperadamente ao ver o nome de seu Carlos no visor.

– Alô!! Ele chegou?? – Pergunto afoita.

– Senhorita Anahí ele acabou de chegar....

– Estou indo para aí! – O corto e logo desligo o celular pisando fundo no acelerador.

Dez minutos foi o tempo que levei para chegar a veterinária pelo percurso que duraria vinte minutos em média.

– Onde ele está seu Carlos. – Chego esbaforida no balcão.

– Acabou de sair com Francisco... – Minha cara deve ter sido assustadora pois ele arregalou os olhos e logo voltou a falar. – Ele chegou dizendo que teve uma ideia para cuidar dos animais de rua e que precisaria de ajuda pra implantar pela cidade.

– É sério isso! – Digo com uma irritação absurda.

Em vez de me ver, ele vai cuidar dos cachorros da rua????

O veterinário assente, como se entendesse a minha irritação.

– Ele disse por onde começaria? – Pergunto a fim de ir atrás e enforcar aquele cretino!

– Eles começariam pelo bairro, descendo a rua.

– Obrigada senhor Carlos. Por tudo. – Agradeço e saio escutando-o falar alguma coisa as minhas costas.

Entro no carro, e respiro fundo. Chegava ser inacreditável um negócio desses. Ligo o carro e dou a volta descendo a rua lentamente para poder avistá-lo.

Por mais que esteja puta da vida com ele, agora, eu ainda queria explicar as coisas a ele e não queria demorar a fazê-lo.

Quinze minutos depois o avisto, agachado em frente a uma engenhoca feita de canos de PVC, que sustentava duas vasilhas uma com água e a outra deveria receber ração, já que Francisco voltava para a caminhonete e pegava um medidor com ração dentro.

Olhando para aquilo, era uma espécie de comedouro para os cães de rua.

Inteligente.

Desço do carro e caminho até eles, Poncho estava agachado enquanto mexia na sua invenção, ainda consegui escutá-lo quando me aproximo.

– Nós reabasteceremos no início e no final de cada dia. – Diz.

Que saudades dessa voz.

Aprendendo a amar!Histórias para pegar e não largar. Descubra agora