MELISSA.
Duas semanas tinham se passado desde que eu me mudei de vez para o apartamento do Nicolas, os últimos dias foram maravilhosos, mas como nada nessa vida é fácil tinha que acontecer algo para interferir e acabar com a minha tranquilidade.
— Valentina, o que as suas bonecas estão fazendo aqui na sala novamente? — olhei para as suas bonecas espalhadas pela sala e fechei os olhos contando até dez, tinha acabado de retirar as bonecas da sala e tinha colocado ambas em seu quarto e isso não faz nem dez minutos.
— Eu estou brincando, mamãe. — ela respondeu e se sentou no sofá com um sorriso travesso em seus lábios, eu conhecia muito bem a minha filha e sabia que ela não queria brincar coisa nenhuma, ela apenas estava fazendo birra e isso já durou boa parte da manhã.
— Você não está brincando e nem estava e foi por isso que eu guardei as suas bonecas em seu quarto. — disse e peguei algumas de suas bonecas em meus braços.
— Mamãe eu quero brincar com as minhas bonecas! — ela se colocou de pé e abraçou fortemente uma de suas bonecas que estava em sua mão.
— Se você quiser realmente brincar, o que eu duvido muito que queira, você vai fazer isso em seu quarto. — disse e iniciei o caminho até seu quarto, ela me seguiu todo o trajeto até ele reclamando.
— Isso não é justo! — ela gritou e eu respirei fundo. — Você não pode fazer isso comigo, mamãe!
— Tanto posso como já fiz! E só porque gritou comigo, você vai ficar de castigo por uma semana. — disse e ela arregalou os olhos.
— Mas isso não é justo! — ela bateu o pé no chão impaciente.
— Duas semanas! — disse e ela cruzou os braços e olhou para mim.
— Você não pode fazer isso comigo, mamãe!
— Três semanas e se continuar rebatendo comigo vai ficar sem seu tablet também. — cruzei os meus braços e ela pareceu se irritar ainda mais.
— Mas...
— Você vai ficar quatro semanas de castigo e sem seu tablet também só porque ficou debatendo comigo, eu sou sua mãe Valentina e exigo respeito, quando eu falar uma coisa você tem que escutar e não ficar debatendo comigo, não é essa a educação que eu e o seu pai estamos te dando. — disse rápido e me controlei ao máximo para não perder meu equilíbrio e ultrapassar as barreiras.
— PAPAI! — ela gritou e minutos depois Nicolas surgiu no quarto dela muito ofegante, provavelmente por ter corrido até ali.
— O que houve? — perguntou depois de alguns segundos, respirando fundo.
— A mamãe me deixou de castigo só porque eu queria brincar com as minhas bonecas! — disse com a voz embargada e coçou os olhinhos. Nicolas olhou para mim surpreso e eu cruzei os meus braços.
— Não foi nada disso que aconteceu e ela sabe muito bem disso, não me olhe desse jeito, Nicolas! — revirei os olhos e ele suspirou.
— O que realmente aconteceu?
— Ela estava fazendo birra e ainda ficou debatendo comigo, Nicolas! Não é essa a educação que estamos dando a ela e você mais do que ninguém sabe disso. — suspirei. — Eu estava organizando a sala e guardei as bonecas dela em seu quarto porque ela não estava brincando mais e sabe o que ela fez? — ele negou. — Ela levou novamente as bonecas para a sala dizendo que iria brincar com elas, ela não queria brincar e eu sabia disso, mas ainda assim eu pedi para ela vir brincar no quarto e ela me seguiu e ficou debatendo comigo, por isso ela está de castigo por quatro semanas e não vai usar o seu tablet até então e eu não vou liberar o castigo até ela aprender a lição e nem ouse tentar aliviar para ela porque isso não vai acontecer.
Nicolas arregalou os olhos e então virou para a Valentina que já chorava baixinho sentada no chão, ele caminhou até ela e se sentou ao seu lado e ela abaixou a cabeça.
— Filha, isso o que você fez foi muito errado. Porque fez isso com a sua mãe? — perguntou e ela ficou calada, fazendo ele suspirar. — Você não vai responder? Tudo bem, quer ficar calada pode ficar, mas quero que saiba mais uma vez que tudo o que eu e a sua mãe fazemos é para o seu bem e nada além disso, querida. — ele se colocou de pé. — Você vai ficar aqui em seu quarto e pensar no que fez, quando decidir falar vamos está aqui para te ouvir. Mas isso não vai mudar o fato de você estar de castigo, você errou e só irá sair dele no tempo determinado por sua mãe.
Ele caminhou em minha direção com um olhar perdido e segurou em minha mão carinhosamente, olhamos para a Valentina mais uma vez e ela ainda chorava baixinho em seu tapete, então saimos de seu quarto e deixamos a porta entreaberta.
Quando já estávamos em nosso quarto nos sentamos na cama e Nicolas me olhou com uma expressão triste.
— Será que não fomos muito duros com ela, amor? — ele perguntou cabisbaixo.
— Foi preciso ter falado seriamente com ela dessa vez, querido. Eu sei que ela é apenas uma criança mas é necessário que ela aprenda desde pequena que não pode me responder e nem me desrespeitar daquela maneira, se não tirarmos isso dela ela pode fazer novamente e outras coisas até pior que isso. Ela também é minha garotinha e acredite eu me segurei muito para não chorar na frente dela naquele momento, mas tudo aquilo foi necessário e precisamos ser fortes em momentos como esse. — ele assentiu e então me abraçou, eu retribui e juntei nossas mãos.
[×××]
Estava organizando algumas coisas no quarto antes de ir preparar o jantar quando o Nicolas entrou nele com uma expressão assustada.
— A Valentina não está no quarto dela. — ele disse rápido.
— Você procurou direito? Ela deve estar no banheiro ou em outro cômodo da casa, Nicolas. — parei o que estava fazendo e caminhei em sua direção.
— Sim, eu procurei. Eu procurei no banheiro, nos quartos de hóspedes, na biblioteca e até em meu escritório, mas ela não estava em nenhum desses lugares. — respondeu e eu arregalei os olhos.
— Como ela não está em nenhum desses lugares!? — passei por ele e sair do quarto iniciando o caminho para a sala. — Não é possível que ela tenha sumido dessa casa e... — parei de falar quando notei a porta principal da entrada aberta. Arregalei os olhos. — Nicolas, porque a porta está aberta? — ele olhou para a porta e também arregalou os olhos.
— Eu não abrir a porta, eu juro que ela estava fechada quando eu subir para falar com você. — ele disse pasmo. Então isso significa que...
— Ela saiu. Ela saiu, Nicolas! — disse desesperada e corrir para fora do apartamento, Nicolas me seguiu apressadamente e ao perceber que o elevador iria demorar muito mais do que gostaríamos resolvemos descer pelas escadas, eu estava tão desesperada que nem prestei atenção nas pessoas que estavam na recepção, eu só queria achar a minha filha.
— GAROTINHA SAIA DO MEIO DA RUA! — ouvimos alguém gritar do lado de fora do hotel.
Não, Não, Não.
Corrir apressadamente para fora do hotel e ao chegar na calçada eu vi a Valentina parada no meio da rua, seu rostinho estava vermelho e ela segurava sua pequena mochila da minnie em suas costas.
— Os meus pais não me amam mais... — ela soluçou e a esse ponto lágrimas já desciam pela minha face.
A luz do farol do carro invadiu minha visão e o seu motor barulhento indicava que ele estava perto, muito perto. Eu não pensei duas vezes antes de correr em direção da minha filha e a empurrar para a calçada, foi tudo tão rápido e eu só me lembro de ter sentido um impacto muito forte em meu corpo sendo arremessada para longe do veículo.
— MELISSA!
Ouvi de longe a voz do Nicolas e isso foi a última coisa que escutei antes de tudo escurecer.
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De Repente Pai.
RomanceSabe quando a vida lhe sorri de tal maneira que você se considera a pessoa mais sortuda do mundo?? Eu era o cara mais sortudo do mundo, tinha uma vida perfeita e muito dinheiro. Eu sou o filho talentoso, o irmão mais lindo e um dos atores mais bem...
