NICOLAS.
— Apenas não me deixe sozinha novamente, está bem?? — sussurrou sonolenta. — Enquanto eu estiver dormindo, fica aqui com nós duas. — disse se referindo a ela e a Valentina. — Depois se quiser, você pode ir embora, sem se preocupar. — fechou os olhos e em questões de minutos acabou pegando no sono.
Eu não pretendia deixar elas sozinhas, nem agora e nem depois. Eu a deixei ir uma vez, não pretendo fazer isso novamente. Melissa parecia está tão cansada, seu estado é delicado e ela precisa de cuidados, e eu vou ajudá-la.
Peguei meu celular e liguei para o Adrian pois ele precisava saber o que estava acontecendo. Ele é como um irmão para mim e eu o considero bastante.
— Adrian?? — disse assim que ele atendeu.
— A gente se afastou não tem nem muito tempo, Nicolas. O que houve? Aconteceu algo com a Valentina?? — ele perguntou preocupado.
— A Melissa... ela apareceu! — falei.
— A Melissa!? — aumentou consideravelmente seu tom de voz e eu precisei afastar o celular do meu ouvido. — Como assim?? — perguntou e eu comecei a explicar detalhadamente tudo o que aconteceu a ele e quando eu finalmente terminei ele voltou a falar.
— A Valentina realmente fugiu?? — perguntou surpreso.
— Sim.
— Ela é uma garotinha muito esperta. Mas o que ela fez foi errado, você já conversou com ela sobre o que houve??
— Não tive tempo, a Melissa não estava se sentindo bem então eu a trouxe para o hospital, ela está descansando no momento abraçada a Valentina. — comentei olhando em direção a cama, aonde elas estavam.
— A Melissa realmente sofreu muito com tudo isso. — comentou.
— Sim. Antes dela dormir ela me pediu para não a deixar sozinha novamente e me pediu também para ficar com ela e a Valentina. Ela falou que se eu quisesse ir depois, eu poderia. — comentei.
— E você vai?? — perguntou.
— Não. Eu a deixei ir uma vez, não pretendo deixar ela ir novamente e muito menos sair de perto dela.
— Isso! Você vai estar fazendo a coisa certa a não deixar ela ir novamente, se é isso que o seu coração está te dizendo faça, só não força a barra, okay? Isso tudo ainda é muito novo para a Melissa, dê tempo ao tempo!
— Eu não vou forçar a barra, não vou forçar ela a fazer o que ela não quer. Vou dar o tempo que ela precisar. — comentei.
— Isso. — falou. — Agora eu tenho que ir dar banho na Sophia, qualquer coisa você pode me ligar depois, está bem??
— Okay. Obrigado.
— Não tem nada que me agradecer! Você sabe que eu te considero como meu irmão e no que eu puder te ajudar, assim eu farei. Preciso desligar agora, até depois! — ele se despediu e desligou. Sentei na poltrona e olhei para a Melissa e a Valentina que ainda estavam dormindo serenamente na cama, as duas juntas e abraçadas como se precisassem disso, e de fato elas precisavam.
[××]
Uma hora tinha se passado e as meninas ainda estavam dormindo, então eu aproveitei e fui comprar algo para comer, precisava me alimentar direito, não queria ter que ficar sem cuidar da Mel e da minha pequena. Depois de ter ido até a lanchonete do hospital e ter comprado alguns salgados e uma garrafa de suco eu voltei para o quarto e encontrei a Valentina já acordada, ela estava alisando o rosto da mãe carinhosamente enquanto falava com ela baixinho.
— Desculpa mamãe. Eu não queria te deixar doente. — sussurrou. Ela ainda não tinha percebido que eu estava no quarto por estar de costas, então continuou a falar. — Eu só queria conhecer o papai. Eu sei que a senhora fazia de tudo para ser uma mamãe e um papai para mim, mas ainda sim eu sentia falta de um "papai". Eu fugir porque queria conhecer ele e não porque a senhora fez um mal trabalho. Você é uma mamãe incrível e eu te amo muito. — ela beija a bochecha da Melissa. — O papai também é bem legal! Ele me ama e eu também o amo... — ela enxuga o rostinho. — Acho que ele vai sentir a minha falta caso a gente for embora, mamãe. — fungou e deitou na cama abraçando a mãe. Quando nossos olhares se cruzaram ela tentou enxugar o rostinho rapidamente.
— Filha... — sussurrei e fui até ela.
— Oi, papai? — sussurrou baixinho.
— Vem aqui com o papai. — a peguei no colo cuidadosamente. — O que a mocinha fez foi errado e você sabe disso, mas você aprendeu a lição não é?? — perguntei e ela assentiu devagar. — Promete para o papai que você não vai fazer isso novamente??
— Eu prometo. Prometo que não vou mais fugir, papai. — sussurrou.
— Pare de chorar agora, está bem?? Vai ficar tudo bem, no final sempre fica. E eu tenho certeza que o seu sorrisinho é bem mais bonito. Consegue mostrar ele para mim? — perguntei e ela assentiu dando um pequeno sorriso. — Viu, só? Não foi tão difícil. — beijei sua bochecha.
— Eu te amo, papai. — ela beijou minha bochecha.
— Eu também te amo, meu amor. — disse e ela deitou a cabecinha no meu ombro.
É complicado, a vida por si só é pesada demais. Dias bons e ruins equilibram a balança. Nossos ombros já estão desgastados, não temos a mesma força de ontem, e amanhã não teremos a força de hoje. Ninguém bate na nossa porta com a noticia de que teremos um ano fácil. Os mais afortunados sofrem menos talvez, são esses tipos de coisas que pensam os supersticiosos. Olhamos pela janela diversas vezes. Na esperança de algo novo. Das mesmas coisas, de que a paisagem mude drasticamente ou continue daquele jeito, intacta. Porque o novo só pode ser bem vindo se mudar completamente tudo, eu não sou a mesma pessoa de dez anos atrás, e daqui há dez anos talvez não me recorde disso que acabei de pensar.
Ter um filho é fácil, mas ser pai é uma missão especial.
Um homem não engravida, não pode amamentar, mas quando ele quer de fato, ele pode acompanhar todos os passos da gravidez, pode estar presente no nascimento, pode apoiar a amamentação. Não só pode fazer tudo isso, como deve.
Um pai de verdade não vira as costas para o filho, nem para a sua mulher - ou ex mulher. Um pai de verdade está presente nos bons momentos de brincadeiras, e nos maus, como em hospitais. Um pai de verdade conhece uma noite mal dormida, conhece o cansaço da paternidade, conhece seu filho. Um pai de verdade divide as tarefas, é ativo na criação dos filhos, é presente. Um pai de verdade se doa por inteiro, sabe priorizar.
Essa é a diferença entre “Ser pai” e “Ter um filho”. Homem que sabe ser pai, tem total consciência que a paternidade não se limita em colocar uma criança no mundo, ou colocar o seu nome na certidão de nascimento.
Pra que fugir? O que sentimos é passageiro sim! Só não vai ser passageiro quando for a pessoa certa, pois a nossa vida como sempre terá altos e baixos, como sempre irá ter obstáculos. Não vai ser sempre só felicidade, terá vezes que teremos vontade de chorar, mas nas outras vezes estaremos com vontade de sorrir, não vai ser sempre só sofrimento, só chorar pela pessoa errada, afinal o que seria da vida sem sofrimento? O que seria se a gente não tivesse que lutar para conseguir o que a gente quer realmente? Na verdade não seria absolutamente nada, pois nada cai do céu, nós temos que realmente fazer por merecer. E o que é pra ser nosso ninguém tira, aconteça o que for, o nosso destino está traçado e ninguém pode mudar isso, nada nem ninguém vai mudar isso. Nos momentos de tristeza, sempre teremos que lembrar que aquilo é um momento, talvez seja um momento que marque para sempre mas que de qualquer forma, é um momento que irá passar, e lá na frente, não vai mais doer tanto assim. Você ainda pode se sentir um pouco machucado por tudo isso, mas não vai mais causar o que causava antes. E de qualquer forma, podem te magoar, podem acabar com você, mas o melhor remédio é levantar a cabeça e mostrar pra todos que nada nem ninguém te abala, não abaixe a cabeça para os problemas. Quando ter vontade de chorar chore, quando ter vontade de sorrir sorria, afinal… A vida é curta e para piorar só temos uma.
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De Repente Pai.
RomanceSabe quando a vida lhe sorri de tal maneira que você se considera a pessoa mais sortuda do mundo?? Eu era o cara mais sortudo do mundo, tinha uma vida perfeita e muito dinheiro. Eu sou o filho talentoso, o irmão mais lindo e um dos atores mais bem...
