Capítulo Vinte e Dois.

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MELISSA.

Quando nos separamos do abraço meia hora depois, algumas lágrimas ainda desciam pela minha face e com um ato totalmente inesperado a Valentina passou sua mãozinha em minha bochecha enxugando ela, o que foi uma tentativa falha já que a cada lágrima que ela enxugava novas surgiam.

— Não chora, mamãe. — ela pediu baixinho com sua voz embargada. — Me desculpa, desculpa por ter feito birra e ter te deixado machucada. — passou a mão delicadamente em seu rosto, tentando enxugar seu rostinho que também já estava repleto de lágrimas.

— Não foi você que me deixou machucada, foi o carro que estava totalmente sem controle e acabou me atropelando, filha. — disse baixinho e coloquei uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha. — Não se culpe dessa maneira, a culpa não foi sua. Apenas me prometa que não vai mais sair de casa sem eu ou seu pai por perto.

— Eu prometo, mamãe. — ela fungou e se jogou em meus braços, me abraçando carinhosamente. Depositei um beijo em sua testa e comecei a acariciar levemente seus cabelos, olhei para o Nicolas e ele olhava para nós duas ainda emocionado, levantei minha mão livre e ele juntou a sua na minha segundos depois sorrindo.

      [××]

Aquela noite passou depressa e com o Nicolas e a Valentina ao meu lado era impossível as horas não passarem voando. Eles me distrairam e ficaram cuidando de mim durante toda a madrugada, principalmente o Nicolas, quando a nossa pequena acabou dormindo em meus braços horas depois de termos assistido seus dois filmes favoritos ele arrumou ela da maneira certa ao meu lado para que as duas ficassem confortáveis na cama, e como eu não poderia me mexer muito ou usar o meu braço esquerdo por ele estar engessado foi ele quem me ajudou a ir ao banheiro quando precisei, ele quem trouxe uma bandeija com a minha refeição naquela madrugada quando o som alto da minha barriga roncando ecoou pelo quarto fazendo com que ele me olhasse surpreso e um sorriso involuntário surgisse em meus lábios, inclusive na bandeija tinha uma fatia de bolo de cenoura com cobertura de chocolate, o meu favorito.
Foi ele quem cantou baixinho a nossa música para eu esquecer o incômodo que estava sentindo em meu braço engessado e instantes depois depositou um beijo em minha testa quando notou que eu cochilava.

— Boa noite, meu amor. — essas foram suas últimas palavras antes que eu me entregasse totalmente ao sono, ao menos foram as únicas que eu ouvi antes de adormecer.

No dia seguinte eu acordei com vários beijos espalhados pela minha bochecha, um sorriso surgiu em meus lábios e então eu abrir os olhos.
Valentina se encontrava ao meu lado olhando atentamente para mim sorrindo, suas mãozinhas passeavam carinhosamente pela minha bochecha e quando ela me viu acordada, se aproximou do meu rosto e depositou um outro beijo em minha bochecha. Ser despertada daquela maneira, tão agradável e sentindo todo o carinho que minha pequena demonstrava através de seus pequenos gestos de amor, era algo maravilhoso e todas as vezes que ela me acordava daquela maneira eu me sentia honestamente feliz.

— Bom dia, mamãe.

— Bom dia, meu anjo. — depositei um beijo em sua testa e me sentei na cama, colocando ela sentada em meu colo. Olhei ao redor e não encontrei nenhum sinal do Nicolas, quando iria perguntar sobre ele para a minha pequena o mesmo entrou no quarto segurando uma bandeija com o nosso café da manhã, só de ver o que tinha nela minha boca salivou.

— Minhas garotas finalmente acordaram. — ele sorriu e caminhou em nossa direção. — Bom dia! — ele juntou nossos lábios em um beijo rápido e em seguida pegou uma linda rosa vermelha que estava dentro da bandeija e me entregou. Eu nem tinha visto ela ali. — Para você. — acabei sorrindo e o suave cheiro da bela rosa invadiu o ambiente.

— Ela é linda! Obrigada, meu amor. — juntei novamente nossos lábios e ele sorriu.

— E esse daqui é para você, princesa. — ele tirou um lindo ursinho da cor rosa de trás de suas costas e entregou para a Valentina, ela sorriu e abraçou o ursinho carinhosamente, ele era médio então coube perfeitamente em seus bracinhos.

— Ele é tão fofinho, papai. Obrigada! — ela se aproximou dele e o abraçou fortemente.

— Fico feliz por terem gostado da surpresa, eu passei boa parte da manhã organizando tudo. — ele sorriu e se sentou na ponta da cama, colocando a bandeija em seu colo. — Vocês devem estar com fome, então trouxe um café da manhã bastante reforçado para hoje, o médico autorizou todos os alimentos que tem nessa bandeija por serem saudáveis também, então podemos comer tranquilos. — olhei para ele com os olhos brilhando e quando ele notou que eu estava o observando, olhou para mim curioso. — O que foi?

— Eu te amo. — disse e ele sorriu.

— Eu também te amo. — sussurrou e juntou novamente nossos lábios, nos separamos segundos depois por falta de ar.

Iniciamos o nosso café da manhã daquela maneira agradável, carinhosa e única.

      [×××]

Estava sentada na cama terminando de pentear os cabelos da Valentina, ela já tinha feito suas higienes matinais e com isso consequentemente trocado aquela roupa do hospital por um belo vestido florido, que o Nicolas trouxe essa manhã, ele trouxe uma pequena mala com as coisas dela e as minhas também. Eu agradeci muito a ele por ter feito tal coisa, as roupas do hospital poderiam ser até específicas para os pacientes, mas eu não me sentia totalmente confortável nelas, então ter trocado de roupas e vestido uma das minhas nessa manhã foi uma sensação maravilhosa.

— Pronto, princesa. — terminei de colocar a tiara florida no cabelo dela e ela sorriu com os olhinhos brilhando. — Está linda. — beijei sua bochecha.

— Obrigada, mamãe.

— Amor? — Nicolas me chamou ao entrar no quatro, ele tinha saído minutos antes de eu começar a pentear os cabelos da Valentina.

— Sim? — olhei curiosa para ele.

— Eu tenho mais uma surpresa para você. — ele disse me deixando surpresa. Quando seu olhar foi direcionado para a Valentina, seus olhos brilharam e ele caminhou até onde estávamos e a pegou em seus braços. — Como a minha princesa está linda. A mamãe caprichou hoje, não foi?

— Uhum. — Valentina respondeu animada e olhou para mim sorrindo.

— Está preparada para outra surpresa, amor? — ele perguntou ansioso e eu assenti devagar. — Podem entrar! — ele pediu e segundos depois a porta do quarto foi aberta e minha família passou por ela, assim como também a Mia, o Adrian e a pequena Sophia que se encontrava em seu colo.

Ambos estavam com caixas de presentes em suas mãos, ursinhos de pelúcia e até mesmo balões decorativos. Acabei se emocionando quando mamãe me abraçou carinhosamente depositando um beijo na minha testa e permiti que minhas lágrimas saíssem quando meu pai e a minha irmã também se juntaram ao abraço.

Já tinham se passado alguns meses desde o nosso último encontro em família e eu estava feliz por ver eles ali e por ambos estarem comigo nesse momento complicado que eu estava passando no momento.

— Filha, eu fiquei tão desesperada quando o Nicolas me contou o que houve. — minha mãe sussurrou e me apertou mais em seus braços. — Queríamos ter vindo antes, mas só conseguimos achar as passagens nessa madrugada depois que o seu pai ligou para todos os amigos dele e um deles se especificou para ajudar, então assim que o avião pousou viemos direto para cá. — acariciou meus cabelos. — Estou tão aliviada em saber que vocês estão bem. — ela direcionou seu olhar para a Valentina que ainda estava no colo do Nicolas.

— Eu também mamãe, eu também. — funguei e a abracei mais apertado. — Obrigada por estar aqui, obrigada por todos vocês estarem. — agradeci e todos ali presentes assentiram também emocionados. — Agora vamos parar de chorar, sim? Eu já chorei bastante nas últimas horas e eu não quero ver ninguém aqui chorando mais. — sorri fraco e enxuguei meu rosto.

— Você tem razão, querida. Vocês duas estão bem e isso é motivo de alegria. — ela disse gentilmente. — Eu trouxe alguns presentes para você e a minha netinha favorita. — sorriu.

— Mas eu sou sua única neta, vovó. — Valentina disse sorrindo.

— Por isso mesmo, meu amor. — minha mãe brincou e todos ali presentes riram.

Instantes depois todos iniciaram as trocas de presentes em meio a brincadeiras, sorrisos aleatórios e vários abraços apertados e carinhosos de todos presentes ali. E eu não poderia estar mais feliz e completa naquele momento.

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De Repente Pai.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora