Capítulo Um.

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NICOLAS.

Sabe quando a vida lhe sorri de tal maneira que você se considera a pessoa mais sortuda do mundo?
Eu era o cara mais sortudo do mundo, tinha uma vida perfeita, dinheiro, era o filho talentoso, o irmão mais lindo e um dos atores mais bem pagos.
Bom... eu ainda continuo tendo tudo isso, mas surgiu certo alguém, precisamente certa garota. Não pensem malícia, nem pensem que estou mentindo. A garota tem cinco anos. Ela é minha... filha!
Não sou um egocêntrico, nem algum atorzinho. Eu acredito que para ter um sucesso temos que dar o nosso melhor.
Vamos voltar para a história e deixar de lado minha biografia. Eu posso apostar que existem pessoas que conseguem falar mais de mim do que eu mesmo.
Você deve estar pensando: como ninguém ficou sabendo que ele tem uma filha durante todo esse tempo?
As mais exaltadas devem exigir: Quem foi a mulher que teve um filho com ele?
Na verdade eu namorei com uma única menina no colegial. Ai você sorri e diz: "Ela era líder de torcida, sem cérebro". Se você pensou isso, errou feio, e que falta de credibilidade estão dando para a minha pessoa? Ela era uma aluna normal, com amigos normais, notas espetaculares, mas não do tipo CDF. Ela tinha personalidade, gostava de sorri.
Mas o que isso tem haver com a história?
Essa garota é a mãe da minha filha. Parece clichê, ela era minha vizinha, estudávamos na mesma sala. E com quem ela fazia dupla nos trabalhos escolares?? Comigo, é claro.
Ela nunca demonstrou ciúmes pela minha profissão. Na verdade, foi ela quem me apoiou a persistir nos meus sonhos. Ela foi para a faculdade e eu continuei na minha batalha para firmar minha carreira.
Um ano depois nos reencontramos e reatamos desde que mantivéssemos nosso relacionamento escondido dos paparazzi. Estava tudo indo bem, até surgirem boatos sobre mim.
Na nossa ultima noite brigamos e eu a vi ir embora, e o pior de tudo é que não lutei por nós. Eu apenas a deixei ir e me conformei com o fim.

Continuei minha vida, tive outros relacionamentos, mas nada que se comparasse a ela. Você deve estar achando estranho o fato de não ter dito o nome dela... ainda é complicado para mim.
Seu nome é Melissa.
Quando saia para um jantar que nem me lembro com quem, uma menina apareceu na porta do prédio onde moro. A menina que hoje mora comigo. Você deve achar que sou um péssimo pai por chamar minha filha assim, mas depois você vai entender o motivo.
Ela parou na minha frente com tantas bagagens, todas rosas que eu até fiquei tonto. Hoje ela mora comigo, vai fazer um mês que ela apareceu na minha vida e a cada dia é uma surpresa.
Ela já pintou e desenhou nos meus roteiros de falas de um comercial que eu iria fazer, ela me contou que queria apenas colorir e não tinha notado que era meu roteiro de trabalho.
Ela já pintou um dos meus lençóis favoritos, não sei como e nem onde ela conseguiu as tintas, só sei que fiquei muito irritado quando vi a coisa toda.
Ela já inundou o meu banheiro, ela disse que tinha ligado apenas um pouco o chuveiro e que tinha colocado pouco sabão na banheira, mas quando eu cheguei na entrada do banheiro a água já estava no corredor e dentro do banheiro nem se fala, eu só via espuma por todos os lados e até cheguei a pensar que a menina estava no meio daquela bagunça toda, mas no final das contas ela apareceu do nada na porta do banheiro seca e já vestida.
Se eu fiquei furioso? Sim, eu fiquei muito furioso. Mas me controlei, afinal, eu ainda sou um pai.

— Papai! — ela fala um pouco alto entrando no meu quarto correndo, já vestida com o seu pijama rosa. Havia comprado a algumas semanas, tinha um unicórnio na camiseta. Valentina dizia que eles eram fofos, eu também. Não que em algum momento fosse admitir isso em voz alta.

— Valentina, o que você está fazendo aqui!? — minha voz soou séria. — Já era para você estar dormindo, sabia? — perguntei. Ela subiu na minha cama com um pouco de dificuldade, Valentina era uma garotinha esperta de mais para a idade, mas a sua altura não era tão avançada quanto sua mente.

Quando conseguiu subir na cama, ela começou a pular. Parecia uma coelhinha cor-de-rosa.

— Eu não estou conseguindo dormir, papai! — ela falou indo pra cima e para baixo, os braços abanando, a respiração já ofegante.

— Valentina, pare de pular na cama! — a repreendi, e sim, eu me sentia bem fazendo isso. Lembrava da minha mãe, me falando as mesmas palavras. Sorri.

— Mas é divertido — ela acabou rindo.

— É divertido, mas se você cair e se machucar sou eu quem vou ter que te levar para o médico, então pare de pular agora! — falei sério. Ela parou de pular e se sentou na cama, seus olhinhos me encarando.

— Estou com fome. — ela reclama fazendo um biquinho.

— Mas você comeu ainda agora. — disse confuso. Deus, essa garota tem um buraco no lugar do estômago?

— Papai, eu estou em fase de crescimento, sinto fome a quase toda hora. — ela fala enquanto tentava arrumar o lençol da cama, completamente bagunçado pela brincadeira, sorri fraco olhando para aquela cena, que já tinha acontecido algumas vezes, mas eu nunca me cansava de ver. Constatei que Valentina era realmente uma garota esperta, como Melissa.
Lembrar dela me fez sentir um aperto no peito.

— Ainda deve ter aqueles biscoitos de chocolate que você adora e eu posso fazer um pouco de achocolatado para você, vamos lá! — comecei a andar em direção a porta em meio aos meus pensamentos e quase ia me esquecendo do motivo de eu estar indo para a cozinha.

— Papai? — ela chama e eu se viro me deparando com ela levantando os seus bracinhos para eu pegá-la.

— Sério isso?? — perguntei olhando para ela.

— Estou cansada, papai. — ela sussurra. Caminhei até a cama e a peguei no colo, ela se agarrou no meu pescoço e deu um beijo na minha bochecha.

— Não se acostuma não hein... — falei um pouco sem jeito e logo em seguida desci para a cozinha com ela. Coloquei a Valentina sentada na pequena bancada da cozinha e fui preparar um chocolate quente para ela.

Valentina começou a cantarolar uma música infantil de um desenho de princesas que ela tinha visto durante a tarde e eu me deixei levar pela melodia que ficava linda com a sua vozinha angelical, em poucos minutos o seu achocolatado já estava pronto, então eu coloquei em um copo e entreguei a ela junto a um prato com biscoitos.
Sentei na cadeira a sua frente e fiquei observando ela comer, a cada dia que passa eu me encanto mais por ela, a mesma é tão pequena, mas tem um coração enorme, e, eu nem acredito que ela é uma versão melhor de mim, que ela é o fruto de um grande amor, fico tão feliz em saber que tem uma mini versão minha e da Melissa, um serzinho tão inocente que herdou meus traços e os dela.
Valentina sorriu para mim e eu acabei sorrindo junto, ela mostrou o copo que estava em sua mãozinha que agora já se encontrava vazio e só então eu notei que ela já tinha terminado, levantei e peguei o copo de sua mão.

— Pronto. — falei colocando o copo sujo na pia. — Agora vamos dormir. — tirei ela da bancada e a coloquei no chão.

— Tenho mesmo que ir dormir?? — ela pergunta coçando os olhos. — Não estou com sono papai... — boceja.

— Você está com sono sim mocinha, vamos para o seu quarto. — peguei na sua mão e subimos, quando já estávamos no quarto dela eu ajudei ela a se deitar em sua cama e cobrir a mesma. — Prontinho. Agora fecha os olhinhos e dorme, tá? Qualquer coisa eu estou no quarto ao lado.

— Boa noite, papai... — ela sussurra já com os olhos fechados. Fiquei olhando ela por mais alguns minutos, eu nem acredito que sou o pai dela e que ela é minha filha.

De Repente Pai.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora