Capítulo Dezesseis.

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MELISSA.

Você vai se sentir a mulher mais feliz do mundo ao escutar um "eu te amo". O amor é isso. É luta, mas com recompensa. Quem disse que o amor é sempre riso, carinho, felicidade, está mentindo. Amor é um pouco de esperança com decepção. É dor misturada com remédio. É ansiedade. É insegurança. É ciumes. É achar que ele ia ligar, mas não ligou. É quebrar a cara várias vezes até aceitar os defeitos do outro e passar a amá-lo mesmo que suas atitudes não correspondam com as expectativas. Cabe a você decidir se o que você sente é maior que as dificuldades. E quando for amor, vai ser maior. Maior que você. E não interessa quanto ele ganha, onde ele mora, a família, os amigos... Você vai criar formas de se estabilizar. Você vai mudar seu gosto musical e muitas coisas em você. De repente vai sentir um interesse imenso por musicas melosas e também por aquelas preferidas dele. Você vai mudar o jeito de andar, o jeito de se vestir, o jeito de falar. Você vai procurar maneiras de se tornar a mulher mais bonita que ele jura que você já é. E de um modo ou de outro, a gente acaba se tornando isso sem perceber. Uma mulher alegre, vaidosa, bem resolvida, amada. Isso vai te fazer bem, portanto, vai te fazer linda. Pra você e pra ele, não importa o resto do mundo. Você vai morrer de felicidade por acordar de madrugada recebendo uma mensagem ou uma ligação dele. Vai chegar em casa após um encontro e repassar cada cena, mesmo que esse tenha sido o milésimo. Vai querer falar dele pra todo mundo, ou vai falar mesmo sem querer e nem vai perceber. Vai inventar insônia pra pensar nele. Vai ilustrar suas viagens de ônibus com estórias de amor criadas na sua cabeça. E você vai ser feliz, na dificuldade, na dor, na queda. Não vai mais estar sozinha. Vai encontrar a força que tanto precisava. E a vida vai passar a fazer sentido. Você vai entender sobre você e sobre como é amar e ser amada. Ela não vai ficar mais fácil, mas você vai se tornar mais forte. Mais segura de si. E não importa se você tem medo de altura, de bicho, do escuro... Se ele segurar a sua mão, você pula, você enfrenta, você não foge. A única coisa que vai ser inaceitável pra você, é perdê-lo.

Dias se passaram desde aquele mal entendido que ocorreu entre mim, a Valentina e o Nicolas. E eu poderia dizer que tudo ficou bem entre nós três. Nesse exato momento estávamos todos fazendo um piquenique na praça e eu confesso que está tudo muito bonito. Essa idéia foi do Nicolas e a Valentina adorou então eu não pude recusar o convite, e para falar a verdade eu nem sei se queria recusar. É tão bom quando estamos todos juntos, apenas nós três.

— Mamãe, eu posso ir brincar?? — Valentina perguntou assim que terminou de comer seu sanduíche.

— Pode. Só toma cuidado, está bem?? — pedi. Ela assentiu e correu em direção das outras crianças.

— Ela está crescendo. — Nicolas comenta, olhando para a Valentina que agora conversava com uma garotinha, que aparentava ter a mesma idade que a sua, ambas estavam na fila com mais algumas crianças para brincar no escorrega.

— Sim. — olhei na mesma direção que ele.

— Eu nem acredito que perdi metade da sua infância. — ele sussurrou tristemente.

— Você está aqui agora. — segurei em suas mãos e ele me olhou. — Pode aproveitar todo o tempo perdido e outra, ainda falta um pouco para ela crescer. — comentei e ele suspirou.

— Como foi? — ele perguntou depois de alguns minutos em silêncio e eu olhei para ele confusa.

— O que? — perguntei e ele respirou fundo.

— Como foi para você passar por tudo sozinha? Quero dizer, toda gravidez precisa de cuidados e eu acredito que todas as mulheres precisam disso e até mesmo o bebê e eu sinto muito mesmo por não ter estado lá com você, mas eu quero saber e quero que me diga como foi, por favor. — pediu baixinho e eu suspirei.

De Repente Pai.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora