- Lá está ela. - Maiara gritou. - Finalmente. - Sua fala cessou quando seus olhos reconheceram a figura magricela ao lado de Marília. - Paula, corre aqui! - Maiara gritou, correndo em direção à Maraisa. - Bunduda, você por aqui. - Disse enquanto rodeou os braços ao redor de Maraisa e a levantou do ar.
- Hey... Não consigo respirar. - Maraisa disse, fazendo Maiara rir e colocar a menor no chão.
- Me empolguei, desculpe. - Ela disse sentindo algo se esfregar em sua perna. - Hey, lindeza. Você está usando o presente da titia? - Maiara disse, se abaixando e pegando Lua em seu colo. Logo a gata já ronronava feliz pela atenção de Maiara.
- O que ainda fazem aqui? - Marília perguntou. - Eu vim avisar o Igor que já efetuei o pagamento. Pensei que já estariam no hotel.
- Não vai acreditar! Paula conseguiu que ficássemos na casa que Igor tem. Ele aluga, mas está desocupada por agora e ele nos cedeu, se é que me entende. - Maiara disse sorrindo sugestivamente e Marília riu.
- Não acredito. - Marília disse, vendo seu caminhão chegar naquele exato momento por um guincho.
- Só teremos que ajudar na festinha de amanhã para arrecadar fundos para crianças carentes e a casa é nossa nesses dez dias.
- Paula anda normal? Ela passa bem? - Marília brincou, levando um forte tapa em seu braço.
- Idiota. -A voz fina de Paula preencheu o lugar, fazendo Marília olhar para trás a tempo de ver sua irmã mais velha parada ali. - Oi, Mara. - A loira disse sorrindo, abraçando-a. - Fico feliz que tenha voltado, a Marília estava insuportável. - Marília enrubesceu de imediato, limpando a garganta para tentar disfarçar.
- É que para viver com vocês tem que ter uma paciência do além e eu não tenho. - Marília disse, fazendo Paula rir e franzir os olhos.
- Não jogo as verdades na sua cara porque preciso matar a saudade do meu bebê. - Paula disse indo em direção à Lua.
- Onde fica a casa? Vamos todas nos arrumar porque precisamos comprar roupas para a Maraisa
- Ficará conosco? - Paula perguntou para Maraisa, vendo a garota olhar para Marília envergonhada antes de assentir.
- Compras? - Os olhos de Maiara brilharam. - Eu amo demais a Maraisa, meu Deus. Olha esse milagre.
- Me sigam, a casa é por aqui, Naiara deve estar tomando banho. - Paula disse animada.
[...]
- Lila, precisamos mesmo ir hoje? - Maraisa, que havia sido a última a tomar banho, perguntou coçando um de seus olhos. Sua pele estava mais pálida do que o normal e ela coçava um dos olhos.
- Não quer ir? - Marília perguntou, terminando de pentear seu cabelo e se sentando na cama ao lado de Maraisa, que tinha seus cabelos molhados jogados pelo ombro da camiseta branca que havia pego emprestada de Marília.
- Quero, mas eu queria dormir um pouquinho antes. Posso? - Marília sorriu em consentimento e acariciou o rosto da menor. Seus olhos estavam vermelhos e ela realmente aparentava um cansaço indescritível.
- Claro que pode, Mara. Deite-se e não se preocupe em acordar logo. Durma o quanto quiser.
- Deita comigo? - Marília não conseguia deixar de se derreter em absoluto quando Maraisa pedia algo com aquele tom doce e frágil.
- Deito. - A maior disse, retirando os sapatos e se aconchegando ao lado de Maraisa.
- Obrigada por cuidar de mim. - Maraisa sussurrou, vendo Marília se virar para ela. Ela aproveitou e levou uma mão ao cabelo de Marília, adentrando seus dedos nele e acariciando a região.
- Obrigada por me permitir cuidar de você. - Marília disse, vendo Maraisa se aproximar um pouco mais de seu rosto. A figura de um anjo se igualaria à de Maraisa naquele momento. Ela parecia tão frágil e tão exausta, como se não tivesse mais forças para nada, mas como se ao mesmo tempo fosse forte o suficiente. - Mara... Doeu muito o que aquelas mulheres fizeram com você? - Maraisa suspirou e fitou as orbes castanhas.
- Doeu mais no coração do que na carne. Eu não fiz nada para elas, só pedi ajuda. - Sua voz carregada uma pitada de dor e isso estraçalhava o coração de Marília.
- Você é tão preciosa. - Marília murmurou, levando uma mão ao rosto de Maraisa e acariciando a pele macia. - Durma, morena. Eu não vou sair até que acorde. - Maraisa assentiu, sentindo suas pálpebras pesagem ainda mais sob o toque do carinho de Marília. Os dedos de Marília desceram para a nuca de Maraisa e subiram para seus cabelos, fazendo o carinho que Maraisa tanto amava. A garota dormiu em menos de três minutos, se aninhando no corpo de Marília como um gato carente.
- Parece que este quarto vai ficar para vocês. - A voz de Naiara, que estava encostada no batente da porta, foi baixa e doce, porém assustou Marília mesmo assim, ela não sabia que estavam sendo assistidas.
- Não sei se ela quer que eu durma com ela sempre. - Marília disse, vendo Naiara fazer uma careta.
- A casa tem três quartos. Um para Maiara e eu.
Sobram dois.- Posso dormir com Paula caso Maraisa...
- A garota morre por você. - Naiara disse, vendo que Marília ainda não tinha cessado os carinhos no cabelo de Maraisa. - E eu sei que você morre por ela. Para que complicar?
- Não estou complicando nada. Só respeito Maraisa e se ela não quiser que eu durma aqui eu aceitarei seu pedido. - Marília disse. - Eu e ela não falamos sobre, huh, sobre nós duas ainda. - Naiara franziu o cenho.
- Não deram nenhum beijinho? - Naiara brincou e Marília negou.
- Eu queria, mas minha prioridade era ela segura e bem, Nai. Ela tem passado por coisas difíceis na vida. Não quis ser egoísta. - Naiara sorriu orgulhosa.
- Você, definitivamente, merece alguém que te dê todo o valor do mundo, porque você é maravilhosa, cunhada. - A loira disse comovida. - E eu espero, de todo o meu coração, que seja ela, porque eu adoro o casal que vocês formam. - Marília sorriu e assentiu.
- Obrigada, Nai. - Marília disse, olhando para o rosto delicado de Maraisa. A garota ressonava tranquilamente, fazendo Marília suspirar bobamente. - Eu devo confessar que eu também gosto do casal que formamos. - A menina do cabelo loiro sorriu, se desencostando do batente da porta.
- Eu sei, Lila. - E saiu, deixando Marília se perder em pensamentos enquanto admirava Maraisa dormir.
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Destino Incerto - Malila
ФанфикMarília Dias Mendonça é uma caminhoneira; levava a sua vida na tranquilidade das estradas de todo o país. Aos seus vinte e sete anos não se via fazendo outra coisa senão dirigir, exatamente como seu pai a ensinara. A garota possui mais duas irmās ad...