Três meses depois...
- Puta merda, Maiara, você demorou quase duas horas comprando esses salgadinhos. - Marília resmungou, finalmente ligando o caminhão novamente assim que a garota entrou entupida de sacolas de bobagens para digerir no caminho.
- São três longos dias, tudo bem? - Ela disse, se ajeitando entre Naiara e Paula.
Estavam indo para Carolina do Sul para o
aniversário de cem anos da vó de Marília,
Maiara e Paula.
- Amor, será que ela vai gostar de mim? - Maraisa perguntou suspirando. Sua cabeça estava apoiada no ombro de Marília e sua mão estava descansando sobre a coxa de sua namorada.
- Aquela velha não gosta de ninguém. - Naiara disse rindo, recebendo um cutucão de Maiara.
- Mais respeito com a vovó. - Maiara disse seriamente. - Mas então, Maraisa. Vovó não gosta de ninguém. Aquela velha odeia o mundo.
- Não se preocupe, vovó nos instrue a chamá-la de nossa "velha" - Marília explicou quando viu Maraisa olhar com horror para o casal que estava na boléia. - E não se preocupe. Ela é meio ranzinza, mas no fundo tem um bom coração.
- Jamais, em hipótese nenhuma, toque no assunto da casa dela feder à fumo. - Paula alertou.
- Jamais diga que fumar faz mal à saúde, pois ela esfregará os cem anos dela na sua cara. - Maiara disse rindo.
- Jamais converse com ela sem olhá-la nos olhos, ela insultará até a sua mãe por isso. - Naiara disse, pois de fato sua mãe havia sido insultada.
- E jamais conte que já fizemos sexo. Ela, hm, gosta das tradições do século passado sobre ter relações só depois do casamento. - Marília disse.
- Ela acredita mesmo que, hm, todas vocês são virgens? - Maraisa perguntou rindo.
- Todas nós, amor. - Marília disse. - Já mencionei você por telefone.
- E onde a gente vai transar nesses doze dias na casa dela? - Maraisa perguntou no ouvido de Marília. - Não ligo de passear no seu caminhão. - Marília riu e mordeu o lábio inferior.
- Não se preocupe, amor. Daremos nosso jeitinho. - Marília afirmou.
- Maiara e eu não conseguimos ano passado. Nunca fiquei tanto tempo na minha vida sem sexo igual daquela vez. - Naiara disse, tendo noção ao que Marília se referia.
- Ué, a noite... - Maraisa foi interrompida pela risada de Paula.
- Vocês não irão dormir no mesmo quarto e, bem, fugir no meio da noite é complicado. A vovó acorda a noite inteira para ir ao banheiro e verifica os quartos.
- Mas dessa vez fingiremos ir ao shopping para ir à um motel. - Maiara disse sorrindo.
- Vovó adora compras, vai querer ir junto. - Paula disse e Marília riu.
- Melhor para mim e Maraisa, porque aí a casa
fica livre para nós.
- O vovô odeia compras. Ele não sairá de lá, - Paula disse, rindo do desespero estampado no rosto de Maraisa.
- Marília Mendonça, eu não vou ficar doze dias sem transar com você nem fodendo. - Maraisa disse solenemente.
- Literalmente "nem fodendo" mesmo. - Paula zombou.
- A gente vai dar um jeito, tudo bem? Só não descobri qual ainda.
- Amor, eu acostumei a dormir sentindo seu cheirinho. - Maraisa disse fazendo um biquinho adorável. - Como vou fazer?
- Te roubo no meio da madrugada e dormimos no caminhão.
- Vovó vai surtar, Marília. - Paula disse. - Ela não pode passar estresse.
- Droga! Eu sei. - Marília disse bufando. - Já sei. Vamos ao mesmo tempo no shopping... - Marília disse, olhando para Maiara através do retrovisor. - Mas cada casal em um shopping diferente. O casal que a vovó quiser seguir leva a Paula e o outro vai para um motel.
- Isso. - Naiara disse, dando soquinhos no ar. - Te amo, cunhada. - Ela disse sorrindo aliviada.
- Sou um gênio. - Marília disse rindo.
- Minha gênio branquelinha linda. - Maraisa disse depositando um beijo no rosto de sua namorada. - Amor, comprei algo para você.
- Não precisava, amor. - Marília disse, vendo Maraisa desembrulhar algo. - Não acredito! - Marília disse boquiaberta ao ver do que se tratava.
- Achei na internet. - Era um boné preto que Marília queria há tempos, mas nunca encontrava. - Agora tem um novinho em folha. - Maraisa disse, colocando-o com a aba para trás na cabeça de Marília.
- Como fiquei? - Marília perguntou e Maraisa sorriu.
- Linda como sempre. - A menor disse, depositando um rápido selinho nos lábios da maior, vendo os olhos castanhos voltarem para a pista.
- Obrigada, amor. Eu te amo. - Maraisa piscou lentamente, deixando um enorme sorriso florescer em seus lábios. Essa era a primeira vez que Marília dizia que a amava.
- Eu também te amo, Lila. Muito! - Disse, afundando sua cabeça na curva do pescoço de Marília. - Amor, me ensina a dirigir?
-Claro, amor. - Marília disse brandamente.
- Porque aí eu posso tirar minha carteira de habilitação e revezar o volante com você. Deve ser cansativo ficar aí o dia todo.
- Já acostumei, mas realmente cansa. - Marília disse. - E para onde iria querer fazer nossa próxima viagem?
- Hmmm, deixe-me pensar.. - Maraisa disse, levando uma mão ao queixo. - Que tal uma viagem por aí, sem rumo? - Marília olhou para a estrada e novamente para Maraisa.
- Uma viagem com destino incerto, só eu, você e Lua? - Perguntou sorrindo e Maraisa assentiu empolgada, ouvindo o miado de Lua, como se concordasse com tal ideia. - Nada me soaria mais perfeito.
- Combinado então. - Maraisa disse, se inclinando e depositando um beijo nos lábios de Marília. Seu sorriso se abriu ao se dar conta de que Marília não estava brincando. - Você está falando sério? Sairia por aí comigo em uma viagem sem rumo?
- Claro que sim, amor. - Marília disse como se fosse óbvio.
- Meu Deus! Para você aceitar fácil assim você já deve ter ido para lugares incríveis. - Maraisa supôs.
- Ela já foi mesmo, as fotos que ela manda são de causar inveja. - Maiara se intrometeu.
- Qual foi a viagem mais incrível que você já fez, amor? - Maraisa perguntou curiosamente. Tentou imaginar colinas, montanhas, mas não conseguiu adivinhar qual e para onde teria sido a viagem preferida de Marília.
A maior suspirou, sentindo-se completa pela primeira vez em anos; sentindo o vento tocar sua pele e acariciar seu rosto; exatamente como seu pai disse que aconteceria: O que tivesse que vir, o destino traria.
Ela voltou a suspirar; de todas as viagens que já havia feito em sua vida, com certeza uma delas era a sua preferida. Seus olhos se desviaram alguns segundos para sua namorada, o olhar dela era pura expectativa de uma resposta plausível. Ela sorriu e finalmente respondeu:
- A viagem mais incrível que eu já fiz na minha vida foi a com destino ao seu coração. - Marília disse, vendo Maraisa morder seu próprio lábio. Seus olhos castanhos se desviaram para a estrada e logo para Maraisa novamente. Ela fitou aqueles castanhos com tanta intensidade que ambos os sorrisos, inevitavelmente, se abriram. - E espero, de verdade, que essa tenha sido uma viagem sem volta.
Fim.
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Destino Incerto - Malila
Fiksi PenggemarMarília Dias Mendonça é uma caminhoneira; levava a sua vida na tranquilidade das estradas de todo o país. Aos seus vinte e sete anos não se via fazendo outra coisa senão dirigir, exatamente como seu pai a ensinara. A garota possui mais duas irmās ad...
