Capítulo 24 - Meia dúzia de estalos

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- Vocês nos causaram uma dor de cabeça enorme hoje - disse um deles, enquanto andava para lá e pra cá, na sala da casa de Diego, com sua arma em mãos. - Baleou dois, que tivemos que matá-los, esfaqueou o Lincoln.

- Ei - disse Diego. - Eu nem sei por que estou aqui, na verdade eu nem conheço eles.

- Cale a boca - disse o outro policial.

- Tá bom, tá legal - respondeu Diego, enquanto baixava a cabeça.

    Os jovens estavam presos por enforca-gato, ajoelhados, desarmados e agora mais do que nunca, sem esperanças. O policial baixinho era o que dava as ordens entre os dois, e o mais alto ficava num canto calado, apenas observando. 

    O baixinho caminhou em direção a Murilo, encarou ele nos olhos, em seguida perguntou: 

- Onde está o pendrive?

- Eu não sei - respondeu Murilo.

- E a garota?

- Eu não sei - respondeu Murilo, novamente.

- Ok, vamos tentar de novo.

    O policial apontou com o indicador para Thiago, e o outro pegou o jovem. Colocou o mesmo de bruços na frente dos outros e pisando nas costas do garoto, ele apontou a arma. 

    Murilo, assim como os outros, estava completamente travado, e tudo o que ele tinha a oferecer era seu pedido de misericórdia. 

- Pelo amor de Deus, cara. A gente não sabe onde está essa porcaria de pendrive, estamos procurando assim como vocês.

- Você tem três segundos para responder. Ou terá que juntar o cérebro do seu amigo com uma pá. Um!

- Ele está dizendo a verdade - disse Henrique.

- Dois.

- Não faça isso, por favor - disse Lara.

- Faça eles pagarem - disse Thiago, enquanto se rendia ao inevitável.

- Me coloca no lugar dele - disse Murilo.

    Foi então que o assassino retirou a arma da cabeça de Thiago, e dirigiu sua atenção para Murilo.

-  O que você disse? - indagou o homem.

- Eles não têm nada haver com essa história, foi tudo minha culpa. Eu arrastei eles pra cá. Então se for pra atirar em alguém… - disse Murilo, ele completou após dar uma engolida a seco - Que seja em mim!

- Porra - disse o policial mais alto. - O moleque é durão, bem que ele tinha dito.

- Eu vou fazer isso - disse o outro policial, ainda pisando em Thiago. - Você vai estar no lugar dele. Eu vou fazer isso com todos vocês até você me dizer o que eu quero saber, porém você será o último e esse daqui, será o primeiro.

    Ele atirou em Thiago. Um tiro limpo, na cabeça. O som do disparo foi tão baixo quanto um estalo de dedos por conta do silenciador. E foi nesse mesmo momento que as lágrimas escorreram pelos rostos pálidos e aflitos. E foi nessa mesma hora que a pressão baixou, e Murilo foi capaz de acreditar que dali ele não passaria.

    E em meio aos choros dos jovens, uma luz se acendeu em meio a escuridão. Alguém estava vindo do quintal. Poderia ser mais um dos assassinos, mas Murilo acreditava que não. Ele tinha toda a certeza do mundo de que era seu pai, ele só precisava de tempo. 

- Você vai morrer por isso - disse Murilo.

- O que? - indagou o assassino de Thiago.

- Você - disse Murilo, ele fez uma pequena pausa, e depois de outra engolida a seco, ele continuou: - Você poderá matar todos nós aqui e agora. Mas não encontrará nunca aquele pendrive, por isso você morrerá hoje.

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