Capítulo 29 - Haja o que houver

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- Eu socava com todas as minhas forças aquele saco de areia. E ele sempre me dizia que ainda não era o suficiente. Por mais que eu me esforçasse, nunca era o bastante. Ele me dizia que um dia, minha vida dependeria das minhas forças, e que cada soco e cada bala contava. Ele estava certo. Eu só não poderia imaginar, que o mesmo homem que eu considerei a minha vida toda o meu herói, não passasse de uma fraude.

    Murilo estava sentado sobre a mesa da cozinha junto de Evelyn. Era ela quem estava ouvindo todo o seu desabafo, e lhe confortando naquele momento difícil. 

- Vamos nessa, não temos muito tempo - disse Henrique, ao chegar na cozinha.

- Pra onde iremos? - indagou Murilo.

- Pra Gallituba. Temos que acabar com isso.

- Você endoidou? Eles já sabem onde está o pendrive, ir lá, é pedir pra morrer - disse Murilo.

- Cara, eles estão com a sua mãe. E se formos rápidos o suficiente, chegaremos antes deles.

- Ele tem razão - disse Evelyn. - Ainda podemos salvá-la. É só eles pegarem o pendrive e ela estará livre.

- Não é simples assim - disse Murilo. - Minha mãe já deve estar morta. Não é óbvio?

- Escute - disse Henrique -, O Marcelo e o Thiago estão mortos. E eu irei me certificar de que o mesmo não vai acontecer com sua mãe. Vamos acabar com eles, com todos eles. Eu disse ontem a noite que te ajudaria a derrubá-los. E isso ainda não mudou pra mim. Não é só a minha missão que está em jogo, se tornou pessoal.

- Ele tem toda razão - disse Evelyn. - Sua mãe não está morta. Nós vamos salvá-la. E vamos agora!

- Tá legal - disse Murilo. - E quanto ao Diego?

- Ele ainda está desmaiado por conta daquela coronhada. Deixaremos um bilhete de desculpas, e ele é sem dúvida o menor dos problemas - disse Evelyn.

- E meu pai?

- A natureza cuida dele - disse a garota.

- Não - disse Henrique. - Ele vem com a gente.

- Você é o mesmo cara que tentou aleijá-lo a duas horas atrás? - ironizou Evelyn.

- Precisamos dele. Ele pode nos dar informações valiosas sobre o Lincoln e todo o cartel de policiais corruptos.

- É, vendo por esse lado - disse ela -, até que faz sentido.

- E a Lara?

- Eu também prometi que ajudaria vocês a derrubarem esses desgraçados. Estou dentro - disse a garota, na entrada da cozinha.

- Tem certeza? - indagou Henrique. - Pode ser perigoso.

- E em que momento não foi perigoso? Eu sei que não sou forte como vocês. Mas ainda tem um alvo em minhas costas, e eu vou até o fim. Haja o que houver.

- Haja o que houver - disse Evelyn.

- Haja o que houver - disse Henrique.

    Em seguida, eles olharam para Murilo. O garoto limpou as próprias lágrimas e se levantou. 

- Haja o que houver - disse ele.

    Carlos estava desmaiado, volta e meia, Henrique checava os batimentos do mesmo, para se certificar de que ele não estava morto ou perto disso.

    Sozinho, o próprio Henrique colocou Carlos ainda preso pelos enforca-gato no porta-malas do sedã preto. Porém, antes de chamar os outros para seguirem viagem, algo lhe chamou muita atenção.

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