Capítulo 35 - Um braço quebrado, dois braços quebrados

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    Levou pelo menos vinte minutos até o carro parar. Eles colocaram um capuz na cabeça de Murilo, e por isso, o garoto não tinha noção alguma de onde estava.

    Eles desceram do veículo, e levaram Murilo ainda encapuzado e com os braços presos por um enforca gato.

    Parecia ser um prédio, pois ele teve que subir alguns lances de escadas. Depois, seguiram por um corredor comprido, e por fim, um de seus opressores, bateu numa porta.

    E assim que atravessaram essa porta, Murilo foi lançado ao chão.

    Ele ficou de joelhos, e apenas ouviu. 

- O que é isso? - indagou aquele que pela voz, parecia ser o próprio Lincoln.

- Era uma emboscada - respondeu o outro cara. - Ele nos ajudou a sair de lá com vida.

- E o pendrive?

- Está aqui. Só que está bloqueado.

- E a senha?

- Está com ele.

    O capuz foi removido, e Murilo pôde por fim observar onde estava.

    Era um quarto pequeno, com algumas janelas, e uma mesa com quatro cadeiras. Nada além disso. Ao seu lado, estavam os dois homens que lhe buscaram no cemitério, e bem em sua frente, estava Lincoln. Era ele quem havia removido o capuz. 

- Finalmente nos encontramos - disse Lincoln.

    Lincoln estava com o braço enfaixado. Ele era alto e forte. E numa luta mano a mano, Murilo sabia que jamais venceria. 

- Onde ela está? - indagou o garoto.

- Sua mãe está bem - respondeu o vilão. - Eu costumo comprir com minha palavra. - Agora, vamos aos negócios?

- Não temos negócios - disse Murilo. - Eu vim buscar minha mãe, nada além disso.

- E a senha?

- Assim que minha mãe e eu estivermos seguros, lhe entregarei a senha - respondeu o garoto.

    Lincoln deu um sorriso, e se levantou. Colocou o pendrive sobre a mesa, e então disse: 

- Tragam-na aqui.

    Os dois homens se retiraram. Em seguida, Lincoln se apoiou na mesa, e encarando Murilo nos olhos, ele sacou o canivete que era o do garoto. 

- Eu queria te matar - disse ele. - Eu queria muito mesmo.

    Ele caminhou até Murilo com o canivete ainda em mãos, e cortou o enforca gato, liberando o garoto. 

- Mas acho que não vou fazer isso.

    Murilo passou então a encontrar a melhor forma possível de atacar o grandalhão, mas sabia que se tentasse, além de falhar, colocaria sua mãe ainda mais em risco. Lincoln se sentou numa das cadeiras, e fez um gesto para Murilo se sentar também. 

- Você me causou uma enorme dor de cabeça garoto - disse Lincoln. - Eu não sei que merda seus pais tem colocado no seu café com leite. Mas, você tem sido um problema esses dias, e eu já tenho muitos problemas para resolver.

- Vai direto ao ponto - disse Murilo.

- Trabalhe para mim - disse Lincoln.

- Simples assim?

- É. Simples assim. Assim como fez o seu pai, desde que não seja pego como ele foi.

    Lincoln não havia tido acesso ao conteúdo do pendrive até o momento, portanto, ela não sabia que Carlos estava infiltrado. 

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