Capítulo 6 - Para o oeste e avante!

18 5 0
                                        

- Eu falei que conseguia - disse Pedro, animado.

- Você arrebentou o Sérgio. Ele é um dos mais respeitados daqui - disse Alisson. - Tem certeza que está bem?

- Eu treinei boxe dos sete aos quinze anos, lembra disso?

- Américo quer vê-lo - disse Tito se intrometendo na conversa.

- Certo, estou indo.

    Pedro retirou do bolso o canivete cromado com o dragão vermelho para entregar ao irmão. Mas Alisson recusou. 

- É um presente. Eu tenho outro.

    Pedro guardou o canivete no bolso de sua jaqueta, e seguiu Tito até a barraca de Américo. Não era muito diferente da barraca de Alisson. O que quebrou as expectativas de Pedro, que imaginou que por ela ser a líder, teria um lugar bem mais exuberante dos demais.

    Pedro e Américo ficaram a sós, ela estava sentada no saco de dormir pintando de verde as unhas dos pés. E ele não perdeu tempo em perguntar:

- Onde ele está?

- Onde minha grana tá? - rebateu ela.

- O seu dinheiro vai chegar.

- Ótimo. E seu amigo está bem - disse ela.

- Eu posso vê-lo? - perguntou Pedro.

- Claro que pode. Mas antes, temos um assunto a tratar.

    Pedro arqueou a sobrancelha, enquanto aguardava ela prosseguir.

- Você tá ligado onde tá, menor?

- É uma pergunta retórica?

    Américo deu um riso, em seguida ela guardou o esmalte verde em uma bolsa, e disse:

- Vamos dar um rolê, menor.

- Meu nome é Pedro - sussurrou ele.

- Tanto faz.

    Ela se levantou, e saiu da barraca. Lado a lado ela caminhou com Pedro pelo acampamento.

- Sabia que a gangue Orient foi fundada a vinte e cinco anos atrás pelo meu pai?

- Não, eu não sabia - respondeu ele.

- Ela foi criada como forma de protesto contra o prefeito da época, que estava querendo tomar o lado oeste da cidade, que pertence à família Américo, minha família. Eu assumi a liderança após o falecimento do meu pai a seis anos. A notícia da morte dele, atiçou o prefeito, e a gangue Vortex, que desde então vêm tentando estrategicamente tomar nossas terras.

- O que eu tenho haver com isso? - questionou Pedro. - Por que está me contando essa história?

- Eu venho a seis anos liderando essas pessoas com todas as forças que tenho, tá ligado? Eu venho fazendo o que eu posso. E acredito que a morte da filha do prefeito seja mais uma estratégia, dos Vortex. Eles sempre quiseram essas terras. Eles devem ter matado a garota, e agora a cidade está culpando a nós.

- Espera ai - disse Pedro. - Os Vortex não entram na cidade há anos. Mas ontem, o padeiro Muriel me disse que tem visto alguns Vortex perambulando por aí?

- É - respondeu ela -, Eu fui fazer um reconhecimento hoje. Eu vi tudo com meus próprios olhos, eles estão se preparando. E vai ser um banho de sangue. Uma guerra que vamos perder se não agirmos primeiro. Tenho razões para acreditar que a polícia de Gallituba e a prefeitura está do lado deles para nos extinguir de vez. 

- Por que acha que a polícia e a prefeitura estaria do lado deles? São animais, sujos. Se forem vistos na cidade, são instantaneamente presos.

- Olha isso menor - disse Américo, apontando para o horizonte.

GallitubaOnde histórias criam vida. Descubra agora