Capítulo 3 - Américo

21 7 0
                                        

    Pedro e Maicon foram até a casa do homem que encontrou o corpo da jovem Elizabete. Segundo o telejornal da cidade, seu nome era João, e vivia em uma pequena casa próxima a cachoeira das cortinas doce junto com seu fiel companheiro Torresmo. Um vira-lata de porte médio, com pelos macios e acinzentados.

    Eles estavam próximos à porta da residência de João, e dali era possível ouvir o som produzido pela cachoeira.

- Temos que parar de fazer isso - disse Pedro.

- Isso o que? - indagou Maicon.

- Você sabe. Brigar por qualquer coisa.

- Estamos passando por um momento complicado Pedro. Mas vai dar tudo certo.

- Olha só. Eu não confiava nele. Quando ele foi preso, eu tratei ele como morto pra mim. Mas a Bia sente falta dele, e eu também. Se ele era traficante ou não, sinceramente eu nem me importo mais, eu só quero arrumar uma forma dele voltar pra casa.

- Eu não te julgo Pedro. No seu lugar eu faria a mesma coisa.

    Pedro deu um riso de canto, e tocou a campainha, alguns segundos depois, o homem abriu a porta.

- Em que posso ajudar? - O homem velho, de pele clara e com uma expressão diabólica, já chegou perguntando com um tom de voz elevado.

- Desculpe incomodá-lo senhor. Meu nome é Pedro, e esse é meu amigo Maicon. Gostaríamos de lhe fazer algumas perguntas a respeito da filha do prefeito.

    João ficou um bom tempo em silêncio, encarando friamente os jovens.

- Eu já disse tudo que sabia pra polícia e pros jornalistas. Se me perturbarem novamente, terão problemas.

    Ele fechou a porta com um forte estrondo.

- E agora? - indagou Maicon.

- Vamos perturbar - disse Pedro. Ele tocou novamente a campainha.

    Porém, dessa vez, eles foram atendidos por um rapaz alto e forte com os cabelos compridos, de camisa verde empunhando um canivete.

    O homem caminhou em direção a eles, Pedro segurou forte o pulso de Maicon e ambos recuaram para trás.

    Assim que o brutamonte saiu da casa, mais meia dúzia de rapazes usando verde saíram logo em seguida. 

- O que temos aqui? - questionou o grandalhão, com sua voz grossa.

    Pedro e Maicon ficaram de joelhos com as mãos levantadas, enquanto o grupo formava um círculo ao redor de ambos.

- Fique calmo - disse Pedro. - Eles não vão ferir a gente.

- Eu não contaria com isso - disse um dos membros.

- Solta eles Tito - disse Alisson. Ele foi o último a sair da casa de João.

- Eu acho que não garoto. Foram pegos perturbando um dos nossos protegidos.

- Ele é meu irmão. E o João ainda não fechou o acordo.

- Não me interessa. Nós temos um trabalho, e estamos comprindo.

    Alisson empunhou seu canivete, e apontou para Tito. 

- Quer mesmo fazer isso garoto? - questionou Tito.

- Ele é meu irmão, e você está prestes quebrar uma regra - repetiu Alisson.

    Houve uma longa troca de olhares entre todos do grupo. E o comportamento de Alisson, deixou bem claro que ele não iria ceder.

- Tá legal - disse Tito. - Vamos ver o que a Américo acha disso.

GallitubaOnde histórias criam vida. Descubra agora