Capítulo 17 - A autópsia

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    Pedro e Samuel foram até o banheiro. Pedro fechou a porta. 

- Naquela sexta-feira, após a aula, eu vi você conversando com a Ana.

- Quem é Ana?

- Você sabe muito bem do que eu estou falando - disse Pedro. - Não pode ser coincidência o Maicon ter ido até sua casa na quinta a noite, a Ana dizer que ele estava de bicicleta. Vocês dois estão envolvidos nisso, quero saber a verdade, e quero agora.

- Pedro, eu…

- Não me enrole - disse Pedro. - Me conte tudo, agora!

- Eu não sei do que você está falando - disse Samuel.

    Pedro já irritado por sentir que estava começando a ficar ainda mais confuso, socou o rosto do amigo, que caiu sobre o piso gelado daquele pequeno banheiro de hospital.

- FICOU MALUCO - gritou Maicon, assim que entrou no banheiro.

    Maicon se ajoelhou para ajudar Samuel.

- Foram vocês, não foram? - disse Pedro. - Vocês mataram a Elizabete!

- Não Pedro - disse Maicon. - Fui eu. Apenas eu.

- Não precisa mentir para protegê-lo, eu já sei de tudo 

- Escute - disse Maicon. - Você quer a verdade né? Então tá. Eu menti pra você. Eu não estava namorando a filha do prefeito.

- Mentiu? - Pedro franziu o cenho. - Que novidade.

    Após ajudar Samuel a se sentar no chão, Maicon se levantou.

- Eu já fiquei com ela algumas vezes, mas a verdade, é que quem estava namorando com ela momentos antes da morte dela, era o Samuel.

- Como assim? 

- Na época que eu e ela ficávamos, ela me levou para uma festa com os amigos dela, inclusive a Ana. E aqueles riquinhos doentes de merda, não queriam nada além de se aproveitarem de mim. Eles queria que eu entrasse para religião deles e tudo mais. Não concordei. Me bateram e ela terminou comigo.

- E aí? Você matou ela?

- Quando o Samuel me contou que estava namorando com ela, eu tentei ajudá-lo. Mas ele não me deu ouvidos. Por tanto, esperei até que fizessem a ele o mesmo convite que fizeram a mim. Eu entrei escondido no colégio Antenorio. Eu vi eles fazerem o convite pro Samuel, eles iam começar a bater nele após ele ter recusado. Eu toquei o alarme de incêndio, e eles fugiram. Eu fui atrás dela, na intenção de fazer ela parar. A próxima vítima poderia ter sido você. E era só o que eu queria, dar um susto nela. Ela fugiu, eu voltei até o colégio Antenorio, soltei o Samuel das cordas que haviam prendido ele, e peguei a bolsa dela que ela havia deixado lá. Juramos não contar nada a ninguém. Quando vi a notícia da morte dela, me senti culpado. Acho que passei dos limites. Mas eu juro, eu não encostei um dedo nela.

- Tínhamos um pacto - disse Pedro.

- Esquece essa droga de pacto, não somos mais crianças - disse Maicon. - É isso que me fizeram

    Maicon virou de costas e levantou a camisa. Ele havia sido torturado, havia sinais claros de cortes em suas costas, feitos por chicotes ou algo parecido. 

- Eles ia fazer o mesmo no Samuel.

- Isso não justifica nada - disse Pedro.

- Você vai contar pra ele? - indagou Samuel.

- Vocês não me dão outra alternativa.

- Não precisa fazer isso - disse Samuel, se levantando. - O prefeito está preso, e tem uma grande chance de ser considerado o assassino da própria filha. Ficaremos livres.

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