- Três anos atrás, meus superiores me deram os detalhes da minha missão. Objetivo principal, parar de uma vez por todas a corrupção da polícia no estado de São Paulo. Assinei os termos, onde diziam que eu estaria por conta própria. Se eu fosse pego, o estado iria alegar qualquer relação comigo - disse Henrique, logo em seguida, ele acertou o joelho esquerdo de Carlos com o martelo, cujo o próprio gemeu com a dor. - Mais duas dessas, e você não anda nunca mais.
Enquanto a tortura rolava, Murilo passou a praticamente comer os cigarros. Ele fumava um atrás do outro, enquanto assistia a tudo bem afoito.
- Eu sou um cara bem estrategista, e quando percebi que não conseguiria me aproximar facilmente de você e do Murilo, eu encontrei o Marcelo. E fizemos uma bela parceria. Até que um dia ele descobriu todo seu esquema, e enfiou tudo na porcaria do pendrive.
- O que? - indagou Evelyn, se levantando do sofá. - Você estava usando o meu irmão?
Murilo também levantou, e segurou a garota que ameaçava ir em direção a Henrique.
- Essa não é a melhor hora - disse Murilo.
- Você ouviu o que ele falou? Meu irmão está morto por culpa dele.
- E não podemos fazer nada a respeito disso agora. Ele está morto, e isso está feito. Tudo o que podemos fazer agora, é parar esses assassinos. Você me entendeu?
A garota estava arrasada, e mais arrasada ainda por Murilo estar certo. Não havia nada que pudesse ser feito.
- Eu vou ver como a Lara está - disse ela se retirando da sala.
E assim que ela saiu, Murilo deu a ordem para Henrique prosseguir.
- Continuando - disse Henrique. - Sabemos que você é sujo, sabemos que você é quem manda, e também sabemos que é a sua função corromper toda a polícia federal. Os meus superiores querem respostas, eles me disseram na última vez que tivemos contado a seguinte frase "conclua sua missão, haja o que houver." O que nos leva a pergunta do milhão: Qual é o objetivo de vocês?
Carlos não respondeu. Na verdade, ele não movia seu olhar do olhar de Murilo. E foi então que a segunda martelada aconteceu. Dessa vez, o grito de Carlos foi mais intenso.
Porém, a dor não era só em Carlos, ela agonizava Murilo por dentro também. O garoto estava muito inquieto. As dúvidas ainda rondavam sobre sua cabeça. Ele pensava a todo instante nas chances de seu pai ser inocente, e de que tudo aquilo que ele e Henrique estavam fazendo, não ser mais que uma perda de tempo.
- Qual é o objetivo de vocês? - indagou Henrique mais uma vez. - Pra que corromper a polícia? Onde pretendem chegar?
E Carlos novamente, não respondeu. E então venho à terceira martelada.
Era possível ver o joelho de Carlos fora do lugar, mesmo com aquela calça jeans. O homem quase veio a desmaiar.
- Tá legal - disse Henrique. - Eu já deveria ter imaginado que você não cooperaria fácil assim.
Henrique trocou de ferramenta. Ele pegou um arco de serra.
- Hora de ficar aleijado - disse Henrique, enquanto colocava um óculos de proteção.
- O que está fazendo? - indagou Murilo.
- O que acha que estou fazendo?
- Você não vai simplesmente cortar a perna do meu pai não, né?
- Você disse "vá em frente".
- Eu sei. Mas…
- Mas? - indagou Henrique.
- Você está com uma cegueta. Você vai amputá-lo assim? Sem anestesia nem nada? Ele vai morrer em segundos.
- É possível amputar uma perna até com uma faquinha de serra, bem nessa região, só tem pele e… - dizia Henrique, enquanto apontava para o joelho de Carlos.
- Acho que já fomos longe demais - interrompeu Murilo.
- Mas é assim que funciona. Enquanto ele não falar, eu não posso parar.
- É - disse Murilo. - Só que ele é o meu pai, e até agora eu não ouvi ele dizer nada sobre ser o vilão da história e tals.
- Você está com dúvidas, eu entendo.
- Sim estou - respondeu Murilo. - Por isso quero que você pare.
- Isso não vai acontecer, Murilo. Comecei, agora vou terminar - disse Henrique, voltando sua atenção a Carlos novamente.
Ele até ameaçou esticar a perna de Carlos para iniciar sua cirurgia clandestina. Mas ficou completamente imóvel após ouvir o engatilhar da arma de Murilo.
- Já é o bastante - disse Murilo.
- Se fizer isso - disse Henrique. - Vai se arrepender pelo resto de sua vida.
- Eu já estou arrependido, agora sai de perto dele.
Henrique colocou a serra no chão, e ainda com movimentos lentos, ele foi se levantando da cadeira com as mãos à mostra.
- Eu sei o que quer fazer Murilo, você quer apelar pelo lado emocional dele, chorar, pedir por favor pra ele abrir a boca - disse Henrique. - Mas isso não vai funcionar.
- Eu posso pelo menos tentar - respondeu Murilo. - Talvez ele...
Murilo foi interrompido por um movimento super rápido de Henrique, que conseguiu desarmar Murilo com o cotovelo, a arma voou para longe, e sem reação, Murilo foi golpeado no peito.
Henrique correu para pegar a arma, porém, o que ele não sabia, era que Murilo tinha mais uma das muitas armas coletadas dos policiais assassinos na cintura.
E Henrique foi novamente abordado por Murilo. Mas antes que qualquer um dos dois dissesse qualquer palavra, eles ouviram os estranhos barulhos vindo do quarto de Diego.
Murilo guardou a arma, e junto de Henrique, ambos correram até o quarto.
Ao chegarem lá, viram Diego em cima de Evelyn, enforcando a mesma, enquanto gritava alguma coisa que não era possível decifrar por conta da mordaça. E ao mesmo tempo a frágil Lara tentava tirá-lo de cima dela.
Murilo deu uma coronhada na cabeça de Diego, o que foi suficiente para o anfitrião desmaiar. E enquanto ele ajudava Evelyn se levantar, Henrique perguntou:
- O que foi que aconteceu aqui?
- Foi mal - disse Lara. - Foi mal - repetiu a garota.
- Lara? - indagou Murilo. - Quer explicar?
- Ele disse que estava apertado, e precisava usar o banheiro. Eu soltei ele só por um instante, não imaginei que ele fosse tentar nos matar.
- A culpa é minha - disse Evelyn em meio aos tossidos, enquanto tentava recuperar o ar. - Eu estava apontando a arma pra ele, mas me distraí por um segundo.
- Pelo menos vocês estão bem - disse Murilo.
- É, pelo menos isso - disse a garota, enquanto apalpava o próprio pescoço. - Droga! - resmungou ela.
- Algum problema? - indagou Murilo.
- Ele arrebentou o pingente que o Marcelo me deu. Tem que estar por aqui.
- Meu Deus - disse Lara, enquanto se levantava do chão.
Todos dirigiram a atenção para ela. E a ação seguinte da garota, foi de pura tensão misturada com alívio. Todos ficaram gelados, quando ela pôde mostrar a eles o pingente quebrado de Evelyn. E com a outra mão, ela segurava um pequeno bilhete que estava dentro do pingente, um pedaço de papel, cujo qual continha uma possível pista do pendrive.
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Gallituba
PertualanganBem-vindos à Gallituba. Uma pequena cidade com pouco mais de dezoito mil habitantes, localizada na região sul do estado de São Paulo. E nem por isso deixa de ser bela. Com uma enorme praça no centro, decorada com belas árvores e bancos de ma...
