Capítulo 8 - Num beco sem saída

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    Seu pai já estava dormindo quando ele voltou para casa. Era quase nove da noite e ele estava exausto. 

- Sabia que seu amigo continua desaparecido? - disse sua mãe, assim que ele chegou em casa.

- Estou sabendo - respondeu ele.

- A Mari Helen passou aqui ainda pouco, pra ver se não tínhamos informações do Maicon. É uma pena, porque ele está sendo procurado por ser suspeito na morte de Elizabete, e a coitada sabe que não foi o filho, por isso está sofrendo.

    Pedro atravessou de vez a cozinha, e foi até seu quarto.

    Deitado em sua cama, ele manuseava seu celular, esperando por uma mensagem ou ligação que com certeza não ia rolar.

    Seus pensamentos estavam desordenados, ele sequer sabia o que faria no dia seguinte. Alguns minutos deitado em sua cama, ainda de tênis e jaqueta, da forma que chegou. Ele ouviu os barulhos na janela. Por um instante, ele achou que era Léia, mas infelizmente não era ela.

- Tá fazendo o que aqui? - indagou Pedro.

- Cara, você precisa colocar uma tranca nessa janela, é sério - disse Alisson, ainda pendurado na veneziana.

- Achei que tinha dito para não sair do acampamento.

- Vem comigo irmãozinho.

    Pedro saltou a janela atrás do irmão. Ele chamou a atenção de Alisson, perguntou para onde ambos estavam indo. Mas Alisson não respondeu. O irmão mais velho saltou o muro do fundo do quintal da casa, e o mais novo saltou logo em seguida. Eles caíram em um beco, em seguida, saíram numa rua escura e silenciosa.

    Havia uma van estacionada, a mesma que transportou Pedro e Maicon no dia que foram pegos na casa de João.

    Alisson abriu a parte traseira da van, e lá estava Américo e Tito sentados.

- Entra ai - disse Alisson.

    Pedro deu uma suspirada, e entrou.

- Ninguém seguiu a gente, vamos logo com isso - disse Alisson, enquanto fechava a porta da van.

- Beleza - disse Américo. - Mataram alguns dos nossos, mas você já tá ligado né, menor?

- Não foi o que a polícia disse.

- O delegado mentiu - disse Alisson.

- Eles entraram lá e sentaram o pipoco neles, sem dó. E eu já estou cansada dessa porra.

- Vai direto ao ponto - disse Pedro.

- Estamos indo até os Vortex. Quer se juntar com a gente? - perguntou Américo.

- Por que os Vortex?

- Como eu disse, estão todos juntos nessa contra a gente - disse Américo. 

- Vocês vão acabar sendo mortos.

- Não se atacarmos agora - disse Alisson. - Eles acham que estamos sofrendo com o luto, por isso pegamos eles desprevenidos. Vem com a gente.

- O seu papel de irmão mais velho, não diz que você precisar me afastar de gangues, ao invés de me recrutar? - disse Pedro à Alisson.

- Você sempre fala o que pensa? - perguntou Américo.

- Só quando estou acordado - respondeu Pedro.

- O Alisson me disse que você nunca recusa uma briga.

- Tenho aberto exceções ultimamente.

- Não vamos matá-los - disse Alisson. - Não somos assassinos. Vamos apenas ensinar uma lição, e quem sabe quebrar uns ossos.

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