Capítulo 13 - Pisando em lama

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Ele saiu para fora do hospital, assim como fazia a cada duas horas para esticar as pernas, e dessa vez encontrou seu pai do lado de fora.

- E aí filho - disse Fábio.

- Deixa eu adivinhar. Quer fazer as pazes?

- A Bia está perguntando de você, e sua mãe e eu não sabemos o que responder.

- Eu só entro naquela casa acompanhado dele, espero que isso esteja claro.

- Eu também quero dizer - disse Fábio -, que estamos prontos para recebê-lo de volta. O que fizemos com ele, ele sendo ou não culpado, não foi certo. E só agora estamos percebendo o quanto sobrecarregamos ele. Espero que ele nos perdoe, e você também.

Pedro deu um sorriso, enquanto olhava com os olhos brilhando de orgulho seu pai.

- Eu te perdoo pai. Mas só saio daqui quando ele acordar.

- Certo - disse Fábio, enquanto continuava olhando para o filho.

- Não acredito que vocês tinha um relacionamento a três - disse Pedro rindo.

- Eramos jovens - se defendeu Fábio, também rindo.

- Com o Mendes - disse Pedro rindo ainda mais. - Sério?

- Ele era um partidão na época.

- Me poupe dos detalhes pai. Por favor.

Eles se mantiveram lado a lado por alguns segundos, enquanto gradativamente, iam cessando os risos.

- Pai - disse Pedro. - Não vai rolar abraço em público se é o que está esperando.

- Certo - disse Fábio -, certo. Então, eu vou indo.

- Legal - disse Pedro.

- Eu volto amanhã - disse Fábio.

- Eu vou estar aqui.

- Vou trazer sua mãe e a Bia também.

- Faça isso.

Fábio procrastinou um tanto antes de finalmente deixar o hospital.

Pedro pode observá-lo, entrando no carro e em seguida dando a partida para sair.

Ele permaneceu mais alguns instantes sozinho do lado de fora do hospital, e dois rapazes se aproximaram. E ao chegarem perto o suficiente, Pedro pode observar as camisas verdes.

Um deles era só um garoto de quase vinte anos, o outro com certeza tinha mais de quarenta, e o mais velho disse:

- Ela quer te ver.

Pedro não hesitou em segui-los. Ele também queria vê-la, para poder entender o que de fato aconteceu com Alisson.

Os dois rapazes entraram em um carro preto, e Pedro entrou logo em seguida. Se sentou no banco de trás. Foi o mais velho quem dirigiu.

- Sinto muito pelo Alisson - disse o mais novo, cujo o mesmo estava no banco do carona. - A propósito, meu nome é Vitor.

- Eu sou o Pedro.

- Eu sei.

Esse foi o único dialogo trocado durante todo o trajeto. Eles chegaram ao acampamento dos Orients, mas o carro não parou ali.

- Onde ela está? - perguntou Pedro.

- Na casa dela - respondeu o mais velho.

- Achei que ela morava no acampamento, junto com os demais.

- Garoto, tem muita coisa que você não sabe.

Eles adentraram cerca de quinhentos metros para dentro da mata que ficava no fundo do acampamento. Foi quando Pedro viu a van branca do lado de fora de uma casa de madeira no meio do mato.

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