Capítulo 7 - De traficante à assassino

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Já havia passado das quatro da tarde quando Pedro retornou a sua casa. O ponto de ônibus era a cinqüenta metros de seu lar, e quando ele desceu, viu seu pai conversando com Mendes. Eles pareciam estar discutindo, e Pedro imaginou que fosse por sua causa.

Ele caminhou sem pressa até sua casa, e quando chegou próximo, Mendes notou sua presença e encerrou o assunto com Fábio. Mendes entrou no carro sem dizer uma palavra à Pedro e deixou o local. Fábio entrou para dentro.

Assim que entrou também, seu pai estava no sofá da sala assistindo futebol na TV. Ele se sentou ao lado do pai.

- O que ele queria? - indagou Pedro.

- Só venho me informar que ainda não encontrou o invasor.

- Não pai, estou falando sério, o que ele queria?

- Acha que eu estou mentindo?

- Vocês estavam discutindo, por que?

- Anda vendo coisa demais filho. Esquece isso.

- Beleza - disse Pedro. - E como foi com o prefeito?

- Tá legal - disse Fábio -, seja lá o que está querendo, a resposta é não.

- Eu só te fiz uma pergunta.

- Você nunca se interessou pelo meu trabalho Pedro. Por que agora?

- A filha do cara morreu e ele ta sumido. A cidade merece respostas.

- Eu sou o psicólogo dele, e não pai.

- To vendo que vou ter que descobrir tudo sozinho - disse Pedro.

Ele se levantou do sofá, mas não se afastou muito, pois a consciência de seu pai pesou.

- Tá legal filho, foi mal. Volte aqui.

Pedro retornou ao sofá.

- Ele só está em luto. E merece uns dias de sossego.

- Eu sei que ele ta em um momento difícil pai. Mas isso não te preocupa? Estamos basicamente sem prefeito, o delegado é um cuzão e os Vortex estão pra lá e pra cá... e todos agem como se fosse tudo normal.

- O Mendes não é um cuzão.

- Todo mundo diz que ele é.

- Ele foi o meu melhor amigo na escola, sabia disso?

- Como eu me esqueceria. Eu lembro bem quando ele virou delegado e você abriu a boca pra cidade toda dizendo que era amigo do delegado. Como se alguém se importasse.

Pedro ficou alguns minutos a mais sentado com o pai assistindo ao jogo que não estava nem um pouco interessante.

- Por que prestou queixa? - indagou Pedro.

- Eu sabia - disse Fábio.

- Ele é seu filho...

- Não comece - interrompeu ele, já mudando sua expressão para totalmente furioso. - Eu já falei que ele não é meu filho.

- Que merda pai - disse Pedro. - Você não deu nem uma chance a ele. Você nunca ouviu ele. Você nunca apoiou ele.

- Ele é um traficante de merda, é isso que ele é.

Pedro decidiu ficar em silêncio ao invés de continuar a discussão que não levaria a nada com seu estúpido pai.

Na TV, o juiz apitou o fim do primeiro tempo, e a programação foi para o intervalo. Mas logo na sequência, seguido de uma música eletrizante, a programação entrou para o plantão da cidade. E a repórter Magali, estava com o delegado Mendes na delegacia de Gallituba. E o delegado Mendes contou que recebeu um chamado, onde pessoas suspeitas rondavam a casa de João. Eles foram até lá, e esse pessoal havia matado João. Porém, a polícia chegou a tempo de abordar os suspeitos, que revidaram com tiros. Os policiais mataram todos os suspeitos, e conseguiram comprovar que se passava da gangue Orient. O que fez levantar ainda mais suspeitas de que a gangue Orient pode ser responsável pela morte de Elizabete Gomes, e que estão tentando silenciar qualquer um que saiba de algo que possa interferir nos planos da gangue.

GallitubaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora