Capítulo 10 - Uma armadilha

12 5 0
                                        

    O motorista de Paulo deixou Pedro bem em frente a casa de Maicon. Já era quase meia noite e ele bateu na porta.

    Foi Maicon quem abriu.

- E aí - disse Pedro.

    E Maicon em resposta, lhe abraçou.
  
    Quando ficaram sozinhos no quarto de Maicon, o mesmo lhe contou que foi liberado depois que receberam a notícia da morte de João e dos dois membros dos Orients que fazia a proteção dele. "Ela me disse que tinha problemas mais sérios no momento, e não dava pra ficar de babá", foi a frase que Maicon usou para se explicar.

- Aí ela me trouxe, depois chegou o Mendes. Ele me encheu de perguntas e eu respondi a todas com sinceridade.

- E então? - indagou Pedro.

- Esta tranquilo, os amigos da Elizabete que estavam na noite da festa se entregaram, e confirmaram que viram ela sair da festa sozinha, mas não me viram sair. Ele deduziu que a filmagem da gente junto aconteceu antes de chegarmos ao colégio Antenorio. E que eu e ela não estavamos lado a lado pra não sermos pegos juntos e o pai dela descobrir.

- Foi só isso mesmo? 

- É, só isso.

- Eles deixaram você lá, eu não entendo - disse Pedro.

    Maicon deu um suspiro e se levantou da cama. Andou de um lado a outro no quarto. Coçou a cabeça, e revelou:

- Ela não gostava de mim. Ela só queria me levar a essa festa para me zoarem.

- A troco de que? 

- Eles me prenderam em um armário a festa toda. Essa era a diversão deles. Não te contei antes, porque achei que você iria me acusar de ter matado ela.

- Eu não ia fazer isso. Mas aos amigos dela, confesso que estou com vontade.

- Eu tentei achá-los depois que ela morreu. Aquele dia que fui embora mais cedo da escola, eu fui atrás deles, para conversar e descobrir o que aconteceu, mas não os encontrei.

- Pelo menos eles fizeram o certo em dizer a verdade.

- É - disse Maicon. - Pelo menos isso.

    Maicon se deitou em sua cama novamente, ao lado de Pedro que estava sentado.

- Léia me contou sobre vocês.

- O que exatamente ela contou?

- Tudo. O lance da facada do Alisson, você acusando o Mendes. Ainda acha que foi ele?

- Está no topo da minha lista de suspeitos.

- Eu acho pouco provável que tenha sido ele. Mas tudo bem, não vou ficar bravo com você por isso.

- E desde quando você e a Léia conversam?

- Ela só está preocupada com você.

    Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos, até que ouviram alguém bater na porta. Maicon se levantou para atender, e Pedro permaneceu no quarto.

    Ao retornar, ele estava junto de Léia. A garota estava chorando, e Pedro se levantou num salto para abraçá-la. 

    A garota não parava de soluçar, eles a questionaram, mas ela não conseguia falar. Maicon trouxe água com açúcar, e assim que ela finalmente controlou a respiração, disse:

- Você estava certo. Foi o meu pai.

- Foi o seu pai? - indagou Maicon.

- Eu vi as coisas dele lá em casa, no porão. Ele tinha fotos da Elizabete e mais listas de horários dela. Ele era obcecado por ela.

GallitubaOnde histórias criam vida. Descubra agora