Sobrecarga da Finta

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Durante o intervalo, os irmãos foram para o lado de fora, respirar um ar que não estivesse tão abafado, o ar frio refrescava os pulmões e o vento bagunçavam seus cabelos azuis, ambos ficaram em uma plataforma de concreto, apreciando a vista e o toque suave de inverno. A garota estava tremendo, não de frio já que vestia o casaco do time, mas de nervosismo e o irmão, não demonstrava suas emoções.

- Melhor amarrar o cabelo. - Disse o mais velho ao ver como os tons azulados da menor estavam emaranhados.

- Deixa assim, diferente de você, tenho algo para aquecer o pescoço. - Respondeu sorridente apoiando sua cabeça no ombro do mais velho.

Antes que o rapaz pudesse retrucar, ambos haviam sido cobertos por uma das casacas do time.

- Vão ficar resfriados, idiotas. - Era a voz de Taiga. Tetsuya tirou o tecido da cabeça de ambos que olharam para o ruivo. - Se não voltarmos logo, o segundo tempo começará.

 - Desculpe-nos, já estamos indo. - Avisou o rapaz de tons azulados ao colocar a jaqueta.

- O que estavam pensando? - Questionou o ruivo, atraindo o olhar dos irmãos. - Não parece que precisam de encorajamento, mas não vieram aqui só para tomar um ar.

A irmã entrelaçou seus dedos com o do irmão, que apertava firme.

- Kagami, você gosta de basquete? - Questionou. - Eu não estava pensando em nada complicado. Faria qualquer coisa para vencer essa partida. Fiz a promessa à Momoi, mas, na verdade, só quero ver de novo e mostrar a eles.

Em sua mente, Tetsuya relembrou dos momentos com seu antigo amigo, Daiki, lembrou-se dos sorrisos e risadas, dos jogos e as vitórias e, lembrou-se, da arrogância e o olhar de desdém que dava a irmã.

- Aomine sempre jogou sorrindo, ele adorava basquete, de verdade. Não pretendo rejeitar quem ele é agora e ser condescendente com ele. Eu só quero ver o Aomine jogar sorrindo outra vez e ver ele se desculpar. Se vencermos esse jogo, talvez...

Por mais que S/N demonstrasse ou realmente não se importasse mais com o que aconteceu há um ano, Tetsu não havia esquecido e iria até onde pudesse para vê-los se desculparem, afinal, eles não sabiam o motivo de ela ter se disfarçado e muito menos todo o abuso dos pais.

- Quem sabe? As pessoas não são tão simples. Não sei se a vitória mudará quem ele é, mas perder, não mudará nada. A única coisa a se fazer é dar o máximo que pudermos para vencer.

Ele estava certo e Tetsuya sabia disso. O trio seguiu silenciosamente de volta ao ginásio, os espectadores gritavam pelo jogo, Aomine estava eufórico e todos percebiam isso, a dupla do primeiro ano entrou em campo. Tetsuya estava pronto para jogar novamente. A Seirin estava pronta e completa.

Logo, o apto soou e a bola entrou em jogo, Touou havia começado e a defesa do time branco já estava armada, não levou tempo para que a bola fosse jogada para Aomine que era marcado por Taiga, o ruivo sabia que agora o jogo havia ficado mais sério, podia ver isso nos olhos azuis cobalto, assim que o moreno se livrou da marcação, correu para a cesta, Kiyosi também se preparava para marcar o moreno, entretanto, o rapaz não percebeu que Kuroko estava em sua frente, o que fez com que seus corpos se chocassem e o menor caísse no chão, marcando falta. Não era por acaso que o azulado estava ali, havia previsto os movimentos do moreno.

Com a ajuda de Taiga e após palavras proferidas a Daiki, Tetsuya se levantou e jogo voltou a todo vapor, a Seirin ia com tudo, ultrapassando os pontos do time preto, mesmo que fosse apenas por um ponto, mas logo a Touou marcou novamente.

S/N ficou focada no jogo, principalmente quando Imayoshi marcou o irmão, ela estava focada e, por conta ansiedade e a vontade imensa de jogar, não conseguia ficar quieta, estava de pé, batia freneticamente o chão e analisava cada passe, cada minúsculo movimento., fazendo com que não percebesse o olhar da Kirasaki Daiichi sobre o jogo, mas, principalmente, de Hanamiya sobre si, entendi a inquietação da garota e queria acalma-la dizendo que a Seirin iria vencer, por mais que não fosse garantido a vitória, ainda a amava, ainda se arrependia amargamente de todas suas decisões que a fizera chorar, se arrependia de não tê-la feito feliz, mandava mensagem todas as noites, mesmo que estivesse bloqueado no celular da menor, dizia em todas as mensagens que sentia sua falta, que se arrependia e que lhe amava, mas jamais diria isso na frente dela, doía que seu orgulho fosse maior e sabia que poderia ser estapeado caso apenas olhasse para a azulada.
Tentava se concentrar no jogo que se passava em sua frente, mas era impossível, não quando já sabia a provável vitória e com a garota nervosa que atraia seu olhar. 

Queria tê-la deixado nervosa assistindo a um jogo meu.

Por mais que desejasse, sabia que não iria acontecer, por sua própria culpa. Pegou o celular e enviou uma mensagem que não seria respondida para a garota, tentou acalmar seu coração, mesmo que não conseguisse.

A Touou fazia cestas com a ajuda de Imayoshi e sua habilidade de ler os movimentos, a defesa do time negro era combinada com as projeções e os dados da Momoi, o ataque deles era forte e Aomine era um problema para o adversário.

Mesmo que Taiga tivesse adquirido o instinto animal, ele não era o único em quadra com esse instinto e, com certeza, não era aquele com o instinto mais forte.

A diferença de pontos aumentava gradualmente, assim como o cansaço. O terceiro quarto estava perto de acabar e a invisibilidade de Tetsuya estava perto do fim, quanto mais ele usava sua finta, menos eficaz ele se tornava, ele não poderia usa-la por quarenta minutos inteiros. Por mais que estivessem esgotados e sem um trunfo, eles não iriam desistir. A palavra "desistência" e o próprio verbo "desistir", não existiam no vocabulário da Seirin.

Agora, quem usava a infiltração invisível, não era mais Tetsuya, era toda a equipe, apelidada de Sobrecarga da Finta.

Pass it to me again!Histórias para pegar e não largar. Descubra agora