Pov. Draco
Havia pensado que já tivesse passado pelas piores coisas do mundo: perder minha mãe, ser torturado, ser forçado a cometer crimes que eu repudiava e abrir mão da minha liberdade já eram situações insuportáveis. Só que, ao receber aquela notificação, soube que dias ruins e os piores ainda estavam por vir. Era complicado associar tudo o que havia acontecido nesse meio tempo. Os eventos se desenrolaram tão rapidamente que era difícil acompanhar. O que planejamos meticulosamente no dia anterior agora parecia desmoronar diante dos meus olhos. As falhas em nossa estratégia se tornavam cada vez mais evidentes, expondo a fragilidade de nossos esforços. A sensação de impotência crescia, e era óbvio que nosso plano estava fadado ao fracasso.
Atravesso aquele ambiente branco e gélido, esbarrando em corpos que transitam pelos corredores. As vozes parecem distantes, cortando meus ouvidos e atravessando minha mente como se não fizessem parte da realidade. Enfermeiros e médicos passam apressados, cada um imerso em suas próprias urgências. Recebi uma passagem na recepção como acompanhante. Acompanhante? Só de ouvir essa palavra me causava ânsia. Penso no que estou fazendo ali, mas a resposta já está clara. O plano havia falhado. Era isso que a notificação dizia. Ronald e Fred estavam feridos, e eu não sabia a gravidade dos ferimentos, não sabia se iriam sobreviver. Eu estava completamente em surto, com o coração acelerado e a mente tomada pelo pavor.
Eu e Ronald havíamos conversado na noite anterior, planejando o que faríamos depois que tudo isso acabasse. Prometi que seríamos livres, que ele viveria conforme quisesse. Agora, estou aqui, sem saber o que fazer, quebrando essa promessa. O que ele sentiu quando tudo aconteceu? Será que sofreu muito? Claro que sofreu. Eles ficaram basicamente quarenta e oito horas desaparecidos. Greyback deve ter mexido com suas cabeças, torturado-os, feito-os descer ao inferno antes de libertá-los. Mas por quê? Ele queria me provocar? Queria me ver sofrer? Essas perguntas martelam na minha mente, alimentando a raiva e o desespero que consomem meu coração.
Eu sei que preciso manter a calma. É essencial. Não posso trazer mais pânico para este lugar. Preciso ser quem fui treinado para ser: um líder. Mas como? Como posso enfrentar os pais de Ronald e Fred? Como encarar Guilherme e Jorge? Eles já carregam uma preocupação imensa com a família, e agora, por minha causa, por minha decisão final, por eu ter aceitado a ajuda deles, os coloquei em risco.
Ronald sempre cuidou de mim e de todos os meus passos. Ao lado dele, me sentia mais seguro do que nunca. Não consigo entender. Como tudo pode desmoronar em questão de horas? O plano estava correndo bem, estávamos ouvindo tudo, sabíamos o que eles estavam vendo, mesmo que não víssemos diretamente. Então, de repente, tudo desmoronou. Ouvimos tiros, passos apressados e pânico. Perguntávamos o que estava acontecendo, mas não recebíamos resposta. Eu disse que iríamos entrar, que deveríamos ir atrás deles, mas Guilherme e Jorge rejeitaram minha decisão. Não era seguro, não sabíamos o que havia acontecido. Ronald e Fred haviam dito para não fazermos nada caso isso acontecesse; não podíamos nos revelar, não agora.
Eu queria mandá-los à merda, dizer que eu tomava as decisões ali, que eu decidia o final de tudo e que não deixaria meu melhor amigo morrer sozinho, à mercê de um homem cuja sociopatia conhecíamos tão bem. Entretanto, eu não podia. Não podia estragar minhas chances de encontrar minha mãe, nem colocar em risco ainda mais tudo o que eles fizeram por nós. Então, concordei. Ficamos com o silêncio do outro lado da linha, e foi o silêncio mais ensurdecedor que já ouvi na vida.
Egoista.
— Guilherme.
Exclamo alto, assim que encontro Guilherme no corredor.
Em milésimos de segundo, seu corpo se choca contra o meu, e me sinto sem ar, buscando uma reação para aquela atitude. Guilherme sempre fora como um irmão mais velho, guiando-me com a sabedoria que acumulou ao longo dos anos. Entretanto, nunca tivemos afeto físico, e ao sentir seu corpo me abraçar, eu sabia que algo estava extremamente errado. Esforço-me para retribuir o abraço, mas não consigo. Meus braços parecem não querer se mover, pesados e paralisados. Sinto a sala girando ao meu redor, como se o tempo continuasse sem mim e eu permanecesse ali, estagnado no mesmo lugar, vazio.
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Luzes do amanhã
Fanfiction*Essa história se passa em um universo alternativo fora do mundo bruxo.* Draco Malfoy é um homem com um passado obscuro, afundado em uma vida que moldou para se refugir e se reconstruir, mas anos depois, toda sua construção foi abalada. Para se...
