Pov. Draco
Liverpool se mantinha idêntica a quando eu fui embora, estava tudo em seu respectivo lugar, pedaços rochosos dando vida para a imensa e exagerada construção dos Malfoy. Havia deixado o apartamento horas depois do que aconteceu e embarcado no primeiro voo para esse lugar, não queria me atrasar e muito menos receber ordens, aproveitando assim o máximo do fim da minha liberdade e do controle da minha própria vida. Estava um frio implacável envolta daquela ruína decrépita, mais do que eu me lembrava e uma espessa névoa vinha da floresta gigantesca em nosso quintal, uma área completamente isolada do mundo exterior, aonde ninguém ousou entrar.
O motorista pediu entrada na portaria principal e atravessou um longo corredor, até me deixar enfrente à porta da mansão. Caminho alguns passos até me prostrar abaixo da escada e hesito. Em minha mente havia um mar de memórias, todas causando uma onda de arrepios pelo meu corpo e lembrando-me de coisas até então abandonadas no fundo do meu inconsciente. Precisava resistir, porque não havia mais outra opção, eu já estava aqui e precisava continuar. Com isso, subo degrau por degrau e observo a moldura de serpentes na porta, e penso no significado por trás delas, haviam histórias antigas da nossa linhagem, nos ligando a serpentes devoradoras de homens, contudo eu sempre odiei essa moldura e todas essas histórias.
Duas batidas foram o suficiente para o ranger da madeira chiar e a porta se abrir lentamente.
— Dobby.
Sorrio afetuoso ao ver o rosto do homem e o mesmo se contorceu em um sorriso acolhedor, fazendo com que as rugas aparentes empurrassem seus olhos para frente, quase os esbugalhando. Era brutal o estrago que o tempo lhe causou, assustadoramente notável a mudança em sua face e até mesmo em seu corpo que estava abruptamente mais cadavérico, como se dia após dia estivesse definhando nesse lugar. Lembro-me vividamente de Dobby, ele sempre esteve presente na minha vida, desde meu nascimento. Seu rosto carismático e seus comentários doces sempre me trouxerem um pouco de paz, ele me alegrava, mesmo que eu nunca tenha o deixado saber.
– Mestre, Malfoy. — ele respondeu com carinho.
Escutei múltiplas histórias sobre como a permanência daquele homem começou a existir em nossa residência. Narcisa havia o encontrado quando bebê enfrente ao casarão, depois de muita relutância de Lucius, eles acolheram aquela criança. Desde então ele foi treinado por todos na casa para trabalhos domésticos, garantindo um motivo para continuar a permanecer ali dentro. Dobby não é seu nome verdadeiro, mas é como ele gosta de ser chamado, então eu não sei ao certo qual é o original, pode ser muitas coisas como, Douglas, Dominic e Donald.
Dobby deveria ser apenas um adolescente quando começou a ser meu mordomo e enquanto eu crescia, nunca o escutei reclamar sobre o modo perverso que algumas vezes era tratado, exposto a humilhações imperdoáveis, mesmo com tudo isso ele sempre dizia ser grato a minha família e a única coisa que eu sempre desejei foi a sua liberdade, a nossa liberdade, mas hoje percebo que esse desejo é um conto infantil, apenas uma história irreal e que eu precisava acordar.
Dobby era uma criatura extraordinária.
Seus olhos eram azuis, destacando de seu nariz e orelhas que eram relativamente grandes. Sua boca fina sustentava um sorriso educado, para todas as ocasiões que ele ia se oferecer para resolver, mesmo sabendo ser sua obrigação. Sua pele pálida também tornava tudo muito coerente, transformando as rugas e linhas de expressões mais vívidas em sua face, mostrando o cansaço dos anos de trabalhos incessantes. Seu corpo esguio e baixo, arqueado para frente por causa da exaustão, refletia perfeitamente em relação ao seu rosto. E mesmo tendo poucos cabelos em sua cabeça, sua aparência ainda era de um homem normal, na casa dos quarenta anos, consumido pela rotina exaustiva.
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Luzes do amanhã
Fanfiction*Essa história se passa em um universo alternativo fora do mundo bruxo.* Draco Malfoy é um homem com um passado obscuro, afundado em uma vida que moldou para se refugir e se reconstruir, mas anos depois, toda sua construção foi abalada. Para se...
