Pov. Draco
Estava sentado em uma poltrona felpuda, em um dos cantos inferiores daquele salão. Decidi parar de beber. Pelo menos por um tempo. Desde que me sentei aqui, estou bebendo apenas água e tentando me recuperar. Se aquele garoto realmente quer me encontrar depois disso tudo, acho que o mínimo que posso fazer é estar sóbrio. Não sei o que ele pode fazer comigo — nem o que eu sou capaz de fazer com ele.
Notei, com certo interesse, como em determinado horário as mulheres do palco foram, pouco a pouco, substituídas por homens. Foi tão sutil que quase passou despercebido. Quando percebi, não havia mais nenhuma dançarina, só os clientes. Achei curioso como até nesses detalhes há uma organização silenciosa, quase como se fosse mágica.
Já havia passado bastante tempo desde nossa conversa, e acredito que o expediente de Potter já estava quase no fim. Ainda assim, não consegui evitar de observá-lo. Ele dançava no palco com uma naturalidade impressionante — os movimentos fluíam de forma contínua, harmonizados com o ritmo da música. Era uma daquelas canções novas de Harry Styles, não sei o nome, mas parecia feita para aquele momento, para aquele corpo.
Era visível que ele atraía olhares. Assim como as mulheres mais habilidosas, Potter fazia o público vibrar. Os clientes se aglomeravam, ávidos, tentando capturar cada detalhe. Olhares famintos, desejosos, quase selvagens. Senti-me deslocado diante disso — não conseguia me juntar ao coro silencioso de adoração. Não era do tipo que se deixava levar por esse tipo de espetáculo. Mas, mesmo assim, não conseguia ignorar o quanto aquele garoto chamava atenção. Talvez fosse a juventude, talvez fosse a forma como ele dançava como se não houvesse ninguém olhando, talvez fosse a minha confusão. Ou tudo isso junto.
No meio da performance, Potter já estava com mais roupas do que aquele pedaço de pano da primeira vez em que o vi. Depois de finalizar uma sequência impressionante na barra de metal, ele caminhou em passos precisos até uma cadeira posicionada no centro do palco. Sentou-se com rapidez, as pernas se abrindo no ritmo da batida, e pegou no ar um pedaço de pano que veio voando da coxia. Quando ele o agarrou, a plateia ao redor vibrou, e o garoto sorriu com uma expressão divertida. Me peguei sorrindo também, intrigado com a naturalidade daquilo tudo para ele.
Vestiu uma calça de couro preta e pegou uma garrafa de água posicionada ao lado da cadeira. Abriu com agilidade e a despejou sobre si, sendo recebido por gritos animados. Molhado da cabeça aos pés, Potter passou a dançar com mais liberdade, como se estivesse se divertindo de verdade. Os movimentos eram fluidos e marcados, bem sincronizados com o instrumental. Pela primeira vez, não consegui enxergá-lo da mesma forma que o vi no início da noite.
Ele passou a mão nos cabelos molhados, jogando-os para trás. Foi quando consegui ver seu rosto com mais clareza. Sem os óculos, parecia mais velho — não muito, mas o suficiente para causar uma confusão estranha na minha cabeça. Era o mesmo garoto? Me inclinei um pouco, tentando ver melhor. Notei uma cicatriz em sua testa, visível sob a luz instável da boate. Não dava para saber exatamente o que era, mas ela capturou minha atenção por alguns segundos.
A água refletia nas luzes e escorria pelo corpo dele enquanto se movia com mais intensidade, como se estivesse perto do fim da coreografia. Havia algo hipnotizante em ver alguém tão entregue ao próprio corpo. Ele deslizava as mãos pelo peito, depois levava até o rosto, o quadril girando ao redor da cadeira com naturalidade. Não parecia um ato ensaiado, parecia instinto. Ou prazer.
Não nego: fiquei animado. Algo em mim queria levantar, me aproximar, chegar perto daquele palco e simplesmente... observar mais de perto. Como se a distância estivesse me impedindo de entender o que estava vendo — ou sentindo. Mas ao mesmo tempo, uma parte de mim gritava que ele era só um garoto. Jovem demais. E eu não deveria estar pensando desse jeito.
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Luzes do amanhã
Fanfiction*Essa história se passa em um universo alternativo fora do mundo bruxo.* Draco Malfoy é um homem com um passado obscuro, afundado em uma vida que moldou para se refugir e se reconstruir, mas anos depois, toda sua construção foi abalada. Para se...
