12 - NOVEMBRO DE 1864 - parte 1

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Os dias foram passando, a tristeza deu um lugar ao vazio e o vazio foi preenchido pelas obrigações. Não tinha outra escolha a não ser seguir vivendo da melhor maneira possível.

Passava um tempo ajudando a senhora Tanizake, que apesar da dor da perda de Mikah, havia voltado a ser a mulher calorosa de sempre e depois disso eu treinava, todos os dias. Parava para comer e as vezes era capaz de me esquecer dos problemas.

– Ei, trouxe isso para você – Natsu veio ao pátio com água, onde antes, os rapazes sempre treinavam – Você deveria descansar um pouco.

– Obrigada, Natsu – agradeci tomando a água de uma vez – Não posso descansar agora, não sabemos quando virá o próximo ataque e não consigo recuperar minha manipulação para abrir as fendas.

– Por que é tão importante assim para você recuperar isso? – ele perguntou inclinando levemente a cabeça para um lado – Seu irmão estava aqui, por que não foi embora com ele, se é que é essa a sua ideia?

O olhei fixamente tentando medir suas palavras antes de responder.

– Não quero ir embora, não vou deixar vocês com a diversão – falei tentando convencer a mim mesma que aquilo tudo não tinha tanta importância – Além do mais, meu teste continua, não posso voltar para casa sem tê-lo completado.

– Diversão, é? – ele riu – Parece que você está realmente se esforçando para nos deixar de fora dessa tal diversão. Mas, você sabe que a "diversão" a qual você se refere, nos diz respeito também, certo?

– Se eu tiver uma chance de fazer vocês mudarem de ideia, eu o farei.

– Por quê? – ele seguia sorrindo – Somos apenas os carrascos que te mantiveram como prisioneira.

Peguei minha espada e apontei para ele, ele não se moveu.

– Preciso melhorar, não sei como fazer isso. Bem que me falaram que nem em anos eu dominaria a espada. Já estou ficando sem esperanças. Me ajuda, por favor – pedi sem responder sua pergunta.

– Eu não posso ajudar a pessoa que quer me tirar do jogo – ele disse alargando ainda mais o sorriso e eu abaixei a espada.

– Natsu, me preocupo com vocês, vocês estão envolvidos em algo muito maior do que podem imaginar – falei com a voz cabisbaixa – Sei que não posso tirar vocês disso, queria poder protegê-los, mas meu irmão falou a verdade, estou tentando proteger pessoas mais fortes que eu. Me promete uma coisa?

– Talvez – ele respondeu cruzando os braços.

– Me promete que não irão se arriscar por mim, farão isso apenas se for pela cidade que vocês precisam defender e que vão tomar o máximo de cuidado possível para que nada aconteça com vocês.

– A primeira não posso prometer – ele disse soltando o ar – protegemos uns aos outros.

– Não sou uma de vocês – disse enfatizando a frase.

– Você tem razão – ele respondeu fazendo uma pequena careta e logo rindo – Seria terrível ter você como uma subordinada, tenho até pena do Saito. Mas... Você faz parte da nossa família agora.

Ele mexeu no meu queixo, deu uma piscadela e começou a refazer seus passos em direção a casa, mas antes de dar o quarto passo, ele parou e se virou.

– Talvez você devesse tentar ter pensamentos positivos na hora de usar isso que você chama de manipulação, nem sempre em uma luta, é a raiva que nos dá forças.

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