18 - FEVEREIRO DE 1865 - parte 3

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Eu estava no pátio na primeira vez que ele apareceu. Ele olhou para mim por um momento e seus olhos se estreitaram de curiosidade.

Era um homem que parecia ter meia idade, careca e olhos castanhos. Seu nome era Rael Matter, um dos conselheiros das divindades.

– Ah, você já a encontrou – meu irmão disse se aproximando junto com o senhor Tanizake.

– Ah, sim. Obrigado – o senhor agradeceu meu irmão com um sorriso. Eu estava completamente perdida – Ambar, é um prazer finalmente te conhecer – o homem fez uma reverência e sorriu – Seu irmão me disse onde você estava hospedada.

– Ah, sim? E Por que um dos conselheiros viria até aqui para me ver? – olhei de maneira questionadora para Lucca.

– Deixe-me explicar, por favor – respondeu o senhor no lugar de Lucca – Sinto muito por tudo o que aconteceu, certamente essa prova já fugiu ao nosso controle. Você deve ter passado por um momento difícil. Existe algo que você precise?

– Além de resolver essa situação toda? – respondi com outra pergunta.

– Sinto muito por colocar você nisso – seu rosto assumiu uma expressão sombria – Infelizmente as notícias não serão das melhores, mas você poderá voltar para a casa se assim desejar.

Senti meu corpo tensionar.

– Entendo. Vamos ver o que você tem a dizer – o tom derrotado da minha voz me surpreendeu.

– Saikhan e seus homens – ele começou – bom, não existe um jeito fácil de dizer isso..., estão realizando transformações. Por isso estão atrás de você, uma transformação com o sangue de Erebus seria uma transformação muito poderosa. Você sabe o que quero dizer, não é? Atualmente as transformações que eles estão fazendo estão enlouquecendo as pessoas daqui.

Fechei os punhos com força. Sim, eu tinha plena consciência: quando a loucura se apoderava de alguém após uma transformação, a recuperação era quase impossível.

– A classificação já foi definida? – indaguei, sem sequer olhá-lo.

– Por enquanto só foram encontradas transformações de grau 3.

– Entendo – mesmo que não fossem fortes, eles estavam usando humanos. Estavam jogando com vidas.

– Ainda assim, a classificação poderá aumentar de acordo com quem é transformado. Entenda, eu não sou a favor disso, mas talvez esses rapazes cheguem ao grau 5 ou até mesmo ao grau 6 se você permitir a transformação deles. Eles vão possuir uma força incrível e ainda habilidades de cura fenomenais – ele falou como se me pedisse um simples favor. Ele ficou me olhando esperando alguma reação da minha parte, vendo que eu não falava nada, ele seguiu – Eles também conseguirão a imortalidade, você sabe disso.

– Você sabe qual o tamanho da dor que isso causa a eles? Imortalidade? Você quer dizer a suposta imortalidade do corpo? Por favor, né? Acha que eu sou tão idiota a ponto de não lembrar nada de Himura? – falei me segurando para não tremer – A maioria fica louco com tamanha dor, e mesmo quando funciona, eles podem simplesmente enlouquecer depois.

Rael Matter assentiu lentamente, depois colocou o polegar e o indicador no queixo. Ele parecia muito cansado.

– Sim — sua voz soou distante e apagada – Eles deixarão de ser humanos, e isso acarretará consequências irreversíveis.

– Eu não consigo ver como isso seria bom – falei sinceramente – por que não mandam as divindades para cá? Qual o problema de fazermos o nosso trabalho sem os envolver?

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