SEM SAÍDA

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Notas da autora: eu sempre volto, mas sigo doente, tá difícil ter ânimo pra escrever.

Pela manhã senti minhas costelas doerem devido a noite no sofá, acordei com um sabor amargo na boca e me lembrei que todo o inferno pelo qual eu estava passando não era somente um pesadelo, ele está ali, vivo e cruel e, embora eu tenha acabo de abrir os olhos, o vazio latente dos últimos meses já estava me engolindo, tentei não lutar contra nenhum sentimento e apenas me levantei para jogar uma água no corpo. Indo para o banheiro passei pela janela do corredor e pude botar que o dia lá fora estava lindo fazendo um contraste quase engraçado entre como eu estava por dentro, sacudi os ombros numa risada sem graça e segui meu caminho.

A praia estava cheia, o vento estava mais forte e o mar parecia um pouco mais agitado que o normal, montei meu guarda-sol e sentei em minha cadeira e fiquei quietinha ouvindo o som do mar abafando conversas diversas que vinham de todas as direções, muita famílias, casais, grupos de amigos, idosos se exercitando, futevôlei rolando e um carrinho de pastel novato estava quase ao meu lado.

Eu não queria começar o dia metendo um pastelzão pra dentro, mas assim que o primeiro cliente fez o cheiro daquela massinha frita subir foi impossível não sentir meu estômago roncar, me dei por vencida e fui até o carrinho.

Pedi um pastel de pizza e uma cerveja, se era pra começar o dia comendo besteira eu iria fazer aquilo direito.

- Oi. - ouvi uma voz atrás de mim me fazendo virar o corpo.

Uma mulher preta, aparentando uns trinta anos, da minha altura, com um corpo deslumbrante e um sorriso de covinha me olhava intensamente.

- Bom dia. - cumprimentei cordialmente.

- Não pude deixar de notar que você está sozinha aqui, está esperando alguém?!

- Na verdade não, estou sozinha mesmo... - sorri.

- Liberdade ou solidão? - perguntou gentilmente tentando ser educada.

- Acho que um pouco dos dois. - respondi sincera sorrindo torto.

- Entendo, o mar tem um pouco disse, né? Quer dizer, é lindo, mas a gente sempre sente um quê de melancolia diante dele.

- Eu nunca havia pensado nisso, mas nossa, sim! Realmente...

Ela sorriu novamente me vendo pegar o pastel e a cerveja que havia pedido.

- Tenta focar mais na liberdade, deixa a solidão pro domingo, hoje é sábado, não combina com ela. - piscou gentilmente me fazendo sorrir.

- Tem razão, obrigada por isso! Até mais!

Voltei para meu guarda-sol e comi meu pedaço de gordura borbulhante enquanto pensava sobre as palavras daquela mulher intrigante, eu tinha tirado um tempo só para mim, algo que eu não fazia há muitos anos, era um sábado, eu estava na praia e tinha total liberdade para fazer o que quer que fosse, definitivamente eu deveria aproveitar aquilo, de repente comecei a me sentir um pouco melhor e a ficar um tanto quanto ansiosa pensando nos próximos passos que eu daria nas horas seguintes.

Peguei meu protetor solar após terminar de comer e comecei a passá-lo em mim já sabendo o quão idiota era ir à praia sozinha pelo fato de não conseguir passa-lo nas minhas próprias costas.

- Você precisa de ajuda, né. - disse a mulher que há pouco estava falando comigo no carrinho de pastel - quer dizer, é óbvio que se você veio sozinha não tinha como passar protetor nas suas costas - riu.

- Ah... Pior que eu nem pensei... Agora que estava me dando conta disso...

- Me dê aqui que eu passo pra ti.

Nua (G!P) Onde histórias criam vida. Descubra agora