BÔNUS

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Estou apaixonado pela sua forma

Estou apaixonado pela sua forma

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— Ethan... — chego um pouco trêmula na sala, com o telefone na mão. A primeira surpresa que tenho é que meu filho está aqui em casa, a segunda é que os dois estavam sussurrando algo para que eu não pudesse ouvir. — Vocês estavam fofocando, seus idiotas?!

— Mãezinha! Boa tarde! — Thiago grita e eu franzo o cenho. — Eu já ia ir até a senhora e...

— Santiago ligou, ele quer conversar com a gente — digo e agora eu consigo respirar, Ethan se coloca de pé rapidamente.

— Vou colocar uma roupa mais apresentável — passa batido ao meu lado e agora sou só eu e meu menino dos olhos azuis.

— Você está bem, mãezinha? — pergunta se aproximando.

— E se ela não voltar pra mim, Ti? E se sua irmã nunca mais vier aqui em casa? E se... — meu filho me puxa para seus braços e isso me passa o conforto que eu sempre busco na coitada da minha terapeuta.

— Mãezinha, é tudo uma questão de tempo.

— Já se passaram CINCO ANOS! — exclamo e ele me aperta mais quando sente que eu vou me afastar. — Cinco anos e ela foi me mandar mensagem semana passada.

— Ouça, uma coisa que a vovó Mari sempre nos ensinou é que...

— Tudo que é seu, voltará para você — Ethan diz voltando para a sala e me puxa para si, ganhando uma cara emburrada de Ti. — Ela é a minha esposa.

— Ela é a minha mãe.

— E vocês são insuportáveis — interrompo a discussão dos dois. — Vamos, eu estou ansiosa para saber o quê está havendo com a minha filha.

— Eu vou com vocês! — Ti grita correndo para o sofá pegar suas coisas.

— Desde que você nasceu é um chicletinho... — Ethan reclama e eu pego na mão de meu filho que está rindo.

Thiago sempre foi mais grudado, realmente, comigo. Maitê era mais apegada ao Ethan, gostava de fazer atividades que o pai considerava "masculinas" e quebrou muitos tabus que existiam na família, por mais que não falássemos em voz alta, nossa menina esbanjava coragem e personalidade desde muito pequena.

Tudo começou a desandar na adolescência.

Maitê começou a ficar fechada demais, não queria sair, não queria ir pra escola direito, em período de atividades avaliativas na escola ela dava crises assustadoras de ansiedade e quem sempre segurava a barra era Ethan, porque eu só conseguia chorar vendo minha filha passar por aquilo. Ela tremia, chorava, muitas vezes quase arrancava os cabelos e Ethan tinha que segurá-la. Sem contar que ele saia arranhado.

Thiago sempre ficou comigo nesses momentos, ele me abraçava e dizia que iria ficar tudo bem.

A última crise que presenciamos foi a pior todas, Maitê estava em casa sozinha e quebrou quase seu quarto inteiro, fora os machucados que havia em seu corpo. Foi depois dali que ela finalmente cedeu a ir a uma consulta psicológica, nós nunca forçamos nada, mas depois desse dia Ethan ameaçou amarrá-la e jogá-la no carro. Eu a levei em cinco consultas, depois ela disse que estava tudo bem e que iria sozinha, para que não me atrapalhasse ao serviço; eu concordei, principalmente por ver que ela estava começando a se tornar mais sociável, suas notas haviam melhorado e ela tinha passado para uma universidade fodástica de Nova Iorque.

SUCIATA (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora