Simone brigou comigo.
Menos de vinte e quatro horas depois do nosso reencontro, ela brigou comigo.
Surpreendentemente, não foi por causa de detergente.
Foi por causa de cactos.
E eu culpo Carlos por isso.
Se ele não tivesse me emprestado a casa de campo — que nem é dele, mas Carlos é assim mesmo — como presente de aniversário, nada disso estaria acontecendo.
Mas, é assim que o sábado amanheceu depois da noite mais inesperada da minha vida, que se iniciou com completa desesperança e terminou com a minha coragem de finalmente me posicionar contra meus pais, para depois dormir protegida como a conchinha de dentro — e acordar com um pouquinho de baba de Simone escorrendo pela almofada até meu cabelo —, nós decidimos ir até a bendita casa.
Eu queria ficar sozinha com ela por dois dias. Matar toda a saudade que está impregnada aqui dentro, sentir minha namorada em todas as formas possíveis que nosso amor permite.
Mas Simone resolveu que queria levar Keanu, Regina e Gominho junto.
— Simone, nós somos oficialmente pobres por tempo indefinido — Foi o que eu disse. — Nós não podemos pagar um carro até lá. Vamos ter que ir de trem até a estação mais próxima e de lá pegar um ônibus. Não é tão fácil levar três cactos assim. E Keanu e Gominho vão encher tudo de espinhos!
— Você não gosta mais deles. — Foi a conclusão à qual Simone chegou, com os braços cruzados e a expressão toda emburrada.
Ah, senhor...
— Não diga isso, sua implicante. Eu amo nossos filhos e amo nosso neto.
A casa está um caos. Minhas malas ainda estão espalhadas por toda a sala, agora abertas para que eu pudesse tirar o que vou precisar levar até a casa de campo. Na cozinha, a frigideira estala com o café da manhã que o pai de Simone prepara para nós três e Keanu, Regina e Gominho assistem à nossa briga ali da janela, mesmo que hoje esteja um pouco nublado.
Eu quis colocá-los ali, para matar a saudade. Dar bom dia para eles e levá-los para pegar solzinho, é algo tão pequeno, mas que me faz tão bem, que o fiz mesmo que o sol esteja escondido.
Então a primeira coisa que fiz ao acordar foi fazer xixi, porque estava apertada demais, quase não aguentei segurar até o banheiro. Depois, tirei os três do móvel da TV e coloquei no peitoril da janela.
E Simone vem me dizer que eu não gosto mais deles?
Ah, não.
— Em minha defesa, — Seu pai diz, com um sorriso divertido enquanto assiste o conflito matinal. — esse drama todo ela herdou da mãe.
— Que drama?! — Simone pergunta, horrorizada.
— Pois é... — Eu mal consigo conter a risada, abraçando-a enquanto ela continua com a expressão toda emburrada, mas sem me afastar. — Me pergunto... que drama? — Aqui pertinho, eu a abraço forte até ela resmungar bem baixo, involuntário, como um bebê. E dou logo dois beijos na bochecha ainda amassada de sono. — Você não faz drama nenhum, nunca.
Ela continua com a expressão fechada. Continua. Mais um pouco... e pronto. Não aguentou, se derreteu todinha em um sorriso. E eu me derreti por ela.
— Eu estava brincando. — Ela diz, finalmente me abraçando de volta. Eu ofego em surpresa, antes de rir, quando ela me levanta do chão e começa a me carregar assim até a mesa. — Era só para encher seu saco.
— Então você não quer levar Keanu, Regina e Gominho? — Pergunto quando ela para de caminhar e me coloca no chão novamente. Minhas sobrancelhas estão arqueadas com desconfiança e tudo.
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AFRODITE
Fan-Fiction[Concluída] Soraya aprendeu duas coisas importantes: em primeiro lugar, seu ex-namorado é o pior homem da face da terra. Em segundo lugar, ela foi avisada para manter distância de Simone Tebet, a autoproclamada deusa do sexo e dos corações partidos...
