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04 | me dê uma mão, querida

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Simone Tebet.

Depois de voltar para casa e devolver o carro de minha mãe para a garagem, esse nome foi a única coisa que continuou se repetindo em minha mente enquanto eu o amaldiçoava e ria, sozinha, achando-a uma idiota por acreditar que eu a procuraria.

— Daqui a pouco ela manda mensagem tentando me convencer, tenho certeza. — Debochei depois de checar meu telefone pela terceira vez, vendo que ela ainda não tinha me procurado de novo.

— Deu pra ficar falando sozinha agora? — Joana perguntou, risonha, enquanto arruma minhas roupas limpas no closet.

Eu fiz a cadeira de rodinhas girar até poder vê-la melhor, e então cruzei os braços, convencida.

— Estava divagando. — Eu disse, antes de suspirar falsamente. — É difícil ser tão bonita, Joana eu acabo atraindo todo tipo de gente, inclusive babacas.

Ela riu, fechando a porta espelhada quando saiu do closet e parou diante da minha cama, arrumando a colcha como sempre faz toda santa vez que entra no meu quarto.

— Carlos deve passar por maus bocados com uma namorada tão bonita e tão convencida assim. — Ela disse, batendo as mãos num dos travesseiros.

Eu apertei os olhos, me livrando do sorriso. — Carlos César é um nome proibido nessa casa a partir de agora.

Ela me mirou, desconfiada. — Vocês brigaram?

— Ele me traiu. — Eu disse, simplesmente, girando minha cadeira outra vez até virar para a escrivaninha, onde estava meu notebook.

Eu ouvi seu ofegar surpreso, mas continuei fazendo pouco caso, fingindo estar mais preocupada em analisar o site da agência de modelos.

Mas a verdade é que, no fundo, eu ainda estou fervendo de ódio.

— Soso, eu não acredito que ele fez isso com você! Que coisa feia!

Eu ergui os ombros, arrastando o botão de scroll do mouse abaixo do meu indicador, em busca de um link para me inscrever para o próximo processo seletivo para modelos fotográficos.

— Ele quem sai perdendo. — Eu disse, sem tirar os olhos da tela.

— É verdade! — Joana concordou e eu me assustei quando senti suas mãos dando tapinhas em meus ombros, sem nem perceber quando ela se aproximou. — E quer saber? eu nunca gostei muito dele mesmo. Agora pelo menos você pode arranjar um namorado melhor.

A antipatia de Joana por Carlos não é surpresa, já que por ser mais velha e um pouco mais conservadora, o jeito mais sensível do meu ex-namorado sempre foi uma surpresa para ela. Apesar de não concordar, porque a personalidade de Carlos é justamente o que mais admiro nele, agora é outra coisa que me faz torcer minha expressão numa careta de pura desaprovação.

— Deus me livre, não quero mais saber dessa porcaria de namorar. Agora só vou me focar em começar minha carreira como modelo, coisa que deveria ter feito há muito tempo.

Joana ficou em silêncio, ainda atrás de mim, e então finalmente suspirou. — Menina, você sabe que seus pais não aprovam isso...

— E você sabe que isso é problema deles. — Rebati, começando a colocar meus dados na ficha de preenchimento para a pré-seleção.

— Você não tem jeito... — Ela riu, deixando um beijinho no topo da minha cabeça. — Boa sorte, viu? Vou ficar torcendo por você. Eu sempre torço.

Eu sorri sinceramente, ainda olhando para a tela do notebook. — Eu sei. Obrigada.

No instante seguinte, ela saiu do meu quarto e me deixou sozinha para terminar de fornecer todos os dados e também algumas fotos minhas. Quando eu finalmente confirmei a inscrição, o sol já estava se pondo, e eu chequei o celular só mais uma vez.

AFRODITEHistórias para pegar e não largar. Descubra agora