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36 | roxo feito de vermelho e azul

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Talvez eu esteja prestes a ir no cartório para mudar meu nome. Para algo como Soraya amor-da-vida-da-Simone Thronicke.

E talvez Simone esteja prestes a fazer o mesmo. Acredito que seu novo nome será Simone eu-tenho-cinco-litros-de-detergente-do-bom Tebet.

E eu simplesmente não acredito que sou capaz de sentir felicidade no meio de tudo que está acontecendo agora. Mas eu sinto. Claro que estou magoada, assustada como o Inferno. Mas quando lembro o motivo pelo qual decidi passar por tudo isso, quando lembro que tenho ela ao meu lado, eu simplesmente sei que não poderia tomar qualquer outra decisão.

Então nós criamos nossa nova rotina. Divididas entre momentos para paparicar Keanu, outros para ela me ensinar a lavar a louça usando pouco detergente e eu ensinando-a a me maquiar, nós vamos vencendo cada dia da semana que segue a minha expulsão da casa dos meus pais.

E num piscar de olhos, o fim de semana está chegando.

E, com ele, o pai de Simone.

Isso significa, dentre outras coisas, que eu precisarei ir embora de seu apartamento.

Eu não menti quando disse para Simone que ainda não era o momento certo para morarmos juntas. Fui completamente sincera ao confessar que gostaria que essa fosse uma escolha feita puramente por nossas vontades, e não por que minha vida virou de cabeça para baixo de repente. Mas depois dessa semana que passamos juntas, eu percebi que morar com ela facilmente seria minha escolha agora.

Então é um pouco mais difícil saber que preciso ir embora e deixar de dormir e acordar ao seu lado todos os dias. É mais difícil do que eu tinha planejado, mas essa situação envolve mais que a minha ou a sua vontade.

Esse é um momento importante para Simone, e a prova disso é a forma como, a cada segundo, ela parece mais nervosa sobre receber seu pai amanhã.

Então eu gasto toda a energia da sexta à noite para relaxá-la. Com conversas, carinhos, filmes e... oh.

— Soraya! — Ela geme, surpresa, quando eu pressiono a língua em zigue-zague no caminho marcado por seu clitóris, tirando-a completamente fora de minha boca, sendo estimulada somente por minha mão.

— O que foi? — Eu pergunto, um sorriso de canto, desvirtuado, sendo exibido enquanto eu lambo meu próprio lábio para capturar um rastro de saliva.

— Faz de novo. — Ela pede, completamente ofegante. Sentada no sofá, as pernas abertas, permitindo que eu fique de joelhos no chão entre elas. Uma de suas mãos quase arranca meus cabelos, de tão forte que está segurando-os pela raiz; a outra, agarrando o sofá, as unhas por cortar se enterrando no estofado. Seu quadril parece se mover sem que ela tenha total consciência, estocando contra minha mão, que a massageia devagar. — Isso com a língua, faz de novo.

Ah, santa misericórdia. Ela é um bebê tão necessitado. E eu mesma  sinto minha excitação dolorosa sufocar dentro do aperto de minha calça, me sentindo cada vez mais estimulada por ver como ela é sensível ao meu toque. Como eu aprendi a tocá-la, a conhecer seu corpo, e como ela aprendeu a ser completamente transparente sobre as sensações que eu provoco.

É isso que acontece quando uma pessoa está disposta a dar prazer a outra que, do outro lado, está disposta a deixar que seu corpo seja conhecido, milímetro por milímetro, detalhe por detalhe.

Se não for assim, qual o sentido do sexo por prazer?

— Você sabe que eu não consigo dizer não a você... — Então eu respondo, ainda olhando-a nos olhos quando volto a aproximar minha boca de sua buceta, abrindo-a para que fique exposta para minha língua, que desliza lentamente sobre a protuberância do seu clitóris inchado recém estimulado.

AFRODITEHistórias para pegar e não largar. Descubra agora