Eu fiz isso. Eu realmente marquei um encontro com Simone.
— O que eu estou fazendo com minha vida, Melinda? — Eu perguntei, estirada na cama da minha melhor amiga, tentando me sufocar com seu travesseiro.
Noite passada, depois de vergonhosamente ceder ao charme de Tebet, ela se despediu de mim quando acertamos de nos encontrar no final de semana. Eu não sabia o que estava fazendo, ou por que caralhos estava fazendo, mas mesmo quando ela entrou no primeiro táxi que passou pela avenida, eu não verbalizei nada que anulasse minha prévia decisão insensata de marcar um encontro com ela.
Só continuei parada na calçada como uma imbecil, olhando para a rua vazia, sentindo meu estômago ainda gelado pela sensação do seu beijo gostoso e confuso como o inferno.
Hoje, então, eu não pensei antes de sair de casa e vir para a de Melinda. Afobada como estava, eu nem chequei o horário e cheguei cedo demais, então tive que passar quase duas horas com sua mãe e sua irmãzinha terrorista até que ela finalmente chegou da universidade.
— Você tá se lamentando há uns quinze minutos e eu ainda não entendi o porquê — Ela resmungou com a boca cheia de salgadinhos de queijo.
Eu joguei seu travesseiro no colchão e estirei meus braços ao lado do meu corpo, olhando para o teto enquanto ouço o som de sua mastigação.
— Eu preciso contar, mas eu não quero contar. — Murmurei, quase sem esperança, quando ela colocou mais um punhado de salgadinhos na boca.
Eu olhei para ela, que está sentada na cadeira de sua mesa de estudos, virado para mim com as bochechas sujas de queijo artificial.
— Eu estou no meio de uma crise e você nem para de comer! — Resmunguei, então, com seus olhos curiosos pousados em mim.
— Ya! Você não diz o que aconteceu e isso está me deixando tensa! E você sabe que eu lido com tensão comendo muito! — Ela se defendeu, ofendida.
Eu puxei o travesseiro para cobrir meu rosto outra vez. Talvez eu consiga me sufocar até a morte se o segurar assim por tempo o suficiente.
A verdade é que Melinda é quem recebe o título de melhor amiga desde que eu me entendo por gente. Talvez, no fim, ela seja a única amiga de verdade que eu tenho.
Entretanto, isso não quer dizer que nós somos iguais, nem minimamente parecidas. Nós somos opostas como água e óleo e isso às vezes dificulta as coisas. Como nesse exato momento.
Melinda, diferente de mim, é completamente relaxada com a vida. Enquanto eu estou surtando com a força de mil sois por estar me deixando envolver por uma mulher, ela provavelmente vai erguer os ombros e perguntar, entediada: "É só por isso que você está fazendo esse drama todo?"
Eu preciso de alguém que dê um tapa na minha cara e diga que eu tenho que parar com essa loucura e Melinda definitivamente não vai ser essa pessoa.
— Soso, é sério, eu vou ficar doida de curiosidade se você não desembuchar logo!
Eu me debati na cama antes de jogar o travesseiro de lado outra vez e me sentar, com os cabelos completamente despenteados. De uma forma ou de outra, eu preciso muito falar sobre isso.
— Carlos me traiu. — Eu comecei pelo menos pior. Sério, esse é o menos pior.
— Eita. — Resmungou, lambendo os dedos sujos. — Como você tá?
— Possessa. Acordo no meio da noite sem conseguir dormir de tanta raiva, as vezes penso em queimar todas as coisas que ele deixou na minha casa. Eu quero sangue, Melinda!
— Pelo menos você não está triste. — Ela comentou, mas isso meio que já era óbvio.
Meu relacionamento com Carlos, apesar de ter se estendido por inexplicáveis quatorze meses, nunca foi lá um romance de cinema.
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AFRODITE
Fanfiction[Concluída] Soraya aprendeu duas coisas importantes: em primeiro lugar, seu ex-namorado é o pior homem da face da terra. Em segundo lugar, ela foi avisada para manter distância de Simone Tebet, a autoproclamada deusa do sexo e dos corações partidos...
