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FIM | cactos, bananas e melancias

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8 meses depois.

Ela era a safada do bar.

A mulher que só pensava em sexo.

A mulher da conta Afrodite.00 no instagram, que só postava fotos do próprio corpo.

A mulher que me masturbou no meio de um restaurante em nosso primeiro encontro.

Simone era só isso. Ou, ponderando melhor a minha escolha de palavras: era só isso que eu via quando olhava para ela.

Eu não via o brilho inocente nos olhos. Não ouvia o jeitinho carinhoso de me chamar de So, sequer sentia o cheirinho de camomila no seu cabelo, longe de imaginar que ela usava shampoo para bebês porque tem medo de fechar os olhos durante o banho.

Eu não via porque Simone usava máscaras para se esconder, mas, acima disso, não via porque eu usava filtros ao olhar para ela. Eu não via porque não queria ver.

É louco pensar no quanto as pessoas são complexas, cheias de nuances únicas, e nós chegamos a nos sentir no direito de reduzi-las a uma ou duas coisas.

É louco pensar que essa mulher, que eu não via como mais que um incômodo erotizado, é o verdadeiro amor de minha vida. E ela é.

Mais louco que isso é pensar que eu, nascida e criada num mundo de luxo, estaria dividindo meu tempo entre trabalhos como modelo, garçonete, esposa e mãe.

Mas aqui estou eu. E agradeço a todos os deuses por aqui estar.

— Soraya, eu vou te matar!

Ah... é. Essa é a mulher que atualmente chamo de esposa, mesmo que nunca tenha havido uma cerimônia oficial. Nós decidimos que somos casadas e pronto, é o que dizemos para todo mundo.

Mas assim como percebi depois de tudo que aconteceu, eu não a vejo somente como isso. Eu não vejo Simone somente como minha esposa.

Ela é muito mais. É a mãe de Keanu, Regina e Gominho. É a confeiteira que conquistou tanta gente em oito meses. É a filha tão amada, a amiga adorada.

Simone é minha esposa, minha alma gêmea, o amor que o universo moldou para mim. E eu sei que sou uma parte importante, completamente significativa de sua vida, mas não represento o todo e nunca me acharia no direito de querer representar.

E uma das nuances da existência linda e completa de Simone é que ela é adorável em muitos aspectos. Ela é o meu bebê.

Mas as vezes é chata feita a porra.

— O que foi, bebê? — Pergunto, segurando o riso enquanto ela me olha da porta do quarto com uma calcinha minha nas mãos.

— Você deixou a calcinha atrás da geladeira a noite toda! Eu já disse que não pode deixar por tanto tempo! A geladeira vai morrer!

Eu rolo pela cama, deixando meu corpo de bruços quando escondo meu rosto contra o travesseiro para que ela não me veja rindo como estou agora.

— So!

Eu rio ainda mais, vendo nada além de escuro quando volto a olhar para ela, com meus olhos completamente e involuntariamente fechados pelo sorriso.

— Desculpa, bebê. — Ainda assim, peço com sinceridade. Simone é uma autoritária do inferno com as regras de casa e eu que nem pense em debochar de suas preocupações. — Eu estava cansada e dormi antes de tirar.

— Que agradável acordar com uma bronca, não é? — Quem diz é seu pai, que sai do banheiro usando a toalha para secar o rosto.

— Se ela fizer as coisas do jeito certo antes de dormir, acorda com beijinho, mas faz errado, então a culpa não é minha!

AFRODITEHistórias para pegar e não largar. Descubra agora