Eu não acho que posso dizer que tive uma boa noite de sono. Simone, por outro lado, dormiu como uma pedra.
A cada vez que eu acordava no meio da madrugada, eu a via com os olhos tranquilamente fechados enquanto ressonava baixo. Uma boa visão, essa de Tebet dormindo tranquilamente em seu pijama estampado com o pato de um desenho animado.
Mas de tanto admirá-la, de pensar nas merdas que já fiz e nas merdas que posso vir a fazer, eu não consegui ter muito descanso ao longo das horas que se passaram aqui em seu quartinho aconchegante. E meu corpo parece ter recompensado isso pela manhã, quando eu finalmente cedi ao cansaço e apaguei como uma lâmpada queimada.
Agora que acordei, ainda me sentindo um pouco zonza pelo sono, eu me vejo sozinha enquanto escuto o barulho de Simone no banheiro.
Ela está vomitando.
Isso era esperado diante do quanto ela bebeu ontem, mas ainda é uma sensação esquisita ouvir alguém botar as tripas para fora no cômodo logo ao lado. O barulho é desconfortável.
— Simone? — Eu esperei até ouvir o som da descarga e bati de leve na porta fechada. — Você precisa de alguma coisa?
Resposta nenhuma veio, então dei mais duas batidas, dessa vez um pouco mais firmes.
— Simone? Por favor, não esteja desmaiada aí dentro...
Eu a ouço lavar as mãos e só depois a porta é aberta, revelando uma Simone completamente derrotada, com os cabelos apontando para todos os lados, menos para baixo.
— Soraya? — Sua expressão, antes preguiçosa, parece surpresa quando ela me vê.
— Quem mais seria? — Questionei, confusa.
— Eu achei que era a Sofia... — Ela respondeu, passando a mão pela cabeça num gesto frustrado, como quem sente dor além de confusão. — É uma amiga minha...
Amiga? Se o conceito de amizade dela envolver saliva sendo trocada furiosamente, então, sim, ela e Sofia pareciam muito amigas ontem à noite.
— Eu sei quem é Sofia. — Anunciei, me afastando com um passo quando ela cambaleou de volta até a cama. — Você não lembra do que aconteceu?
Ela balançou a cabeça para os lados numa negativa tímida quando se sentou na ponta do seu colchão.
— Foi você quem me trouxe pra casa? — Simone questionou. Eu fiz que sim. — A gente transou?
Ok. Ela realmente não lembra.
Saber que ela não tem registro algum das coisas que aconteceram nas últimas horas me deixa chateada. Eu queria que ela lembrasse de como eu disse que me importo com ela e de que passei a noite aqui em troca de nenhum favor sexual. Queria que ela lembrasse de como se sentiu feliz por minha causa, mesmo sem saber exatamente o porquê.
Que droga. Eu me sinto presa a uma bolha de frustração agora que sei que ela não lembra de nada disso.
— A gente não transou. — Eu enfim a deixei saber, torcendo para não soar tão afetada por precisar dizer algo assim.
— Ah. — É tudo que ela diz.
Não sei se essa é uma resposta resignada ou se ela está feliz por descobrir que nada aconteceu. A única certeza que tenho é que Simone está desconfortável, e isso fica óbvio pela forma como ela puxou o lençol para cobrir o corpo ainda sentada na ponta da cama, escondendo o pijama com a estampa adorável como se ele a envergonhasse.
— Seu pijama é realmente fofo. — Eu disse tentando soar casual, só para tranquilizá-la.
Ainda bem que ela não pode ver como minhas mãos estão suando pelo nervosismo nesse exato instante.
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AFRODITE
Fanfiction[Concluída] Soraya aprendeu duas coisas importantes: em primeiro lugar, seu ex-namorado é o pior homem da face da terra. Em segundo lugar, ela foi avisada para manter distância de Simone Tebet, a autoproclamada deusa do sexo e dos corações partidos...
