nuances part 1

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- Porra, presta atenção sô! - Rodrigo diz me dando um susto.

- Já, já começa a reunião e você não têm terminado esse trem. - Diz batendo na mesa.

- Ôh fédazunha, tô tentando. Quer me matar de susto?

- Cê tava pensando em quê, que cê tava com a cara de paisagem aí zé?! - Ele pergunta.

- Em nada cara, no projeto.

- Vai te lascar Alexandre, essa cara aí é cara de quem passou a noite tomando chá. Vai falando logo! Quem foi?

- Lá vem! - Digo revirando os olhos.

- Vai porra! Estava com saudades de você baitola! Conversa aí comigo, me conta as histórias dos seus encontros, nunca mais você me disse nada. - Rodrigo diz.

- Tá escutando? - Pergunto para ele com ar sério.

- O que?

- O silêeencio... bão né?! - Digo em tom irônico e começo a rir.

- Vai se fuder! - Ele ri. - Mas e aí? Você tá de boa depois do que aconteceu com seu pai aquele dia? De verdade cara, sinto muito. - Ele diz de forma séria.

- É... não sei te explicar cara. É bem complicado.

- Mas e aqueles teus pesadelos lá? Parou mais? - Rodrigo e eu éramos amigos há bastante tempo, ele era uma das poucas pessoas que sabia da minha história e dos meus dilemas familiares.

- Nossa sô! Depois da Giovanna, tudo é difere...

- Quem? Giovanna? - Ele me interrompe. - Pera, a mulher do chá sem chá? Do broxamento?

- Fala mais alto Rodrigo. Eu quero que o escritório inteiro escute mesmo. - Digo irritado. - Retardado!

Rodrigo se dobrava de rir.

- E aí cara? O que aconteceu entre vocês dois?

- Na verdade, agora nós dois somos amigos.

- Amigos? Amigos que se comem? Vai ficar quanto tempo com ela? Ou você já descartou?

- Para de falar besteira idiota, não têm nada de descartar não sô, ela é diferente.

- Ihhhhh!!! Papinho de homem apaixonado esse em?! - Ele diz levantando uma sobrancelha. - Eita que o gostosão do tinder foi fisgado!

- Ah, vai se fuder Rodrigo, não dá pra conversar com você. - Digo organizando os papéis na mesa.

- Fico lembrando daquele seu papinho de que amor não existe, de que não se apaixona, do script e blá, blá, blá... - Ele parece se divertir as minhas custas. - Beijou ela?

Fico em silêncio.

- Beijou? Beijooou!!! Eita tá cadelando! Olha a sua cara de bobo. Fecha a boca que vai entrar mosca baitola!

- Você devia me pagar para eu ser seu amigo sabia?! - Rodrigo ria da minha cara.

- Não fica assim Zé! Fico feliz que finalmente alguma mulher conseguiu despertar esse sentimento em você, relaxa e curte o amor cara. O amor está no ar! - Dizia enquanto abria os braços. - Nós precisamos comemorar isso! Saudades de tu nego, nunca mais saímos para beber e conversar. Giovanna tá tomando meu homem! - Disse fazendo uma cara triste.

- Deixa de ser idiota! - Dizia rindo da palhaçada dele. - E eu não sei. Não sei se é amor, amor mesmo. Eu sei que sinto algo especial com relação a ela.

- Meu querido amigo Alexandre Nero, sinto muito em lhe dizer: Você foi promovido ao mais novo cadelinha apaixonado de BH. Parabéns!!! - Dizia estendendo a mão para mim que olhava para ele de cara fechada. - Larga de ser zé mané! Amor não se nomeia, não se explica, não se descreve, se sente.

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