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Assim que entramos no quarto, o silêncio pesou mais do que qualquer grito poderia pesar. Tom foi direto para a cama e sentou, apoiando os cotovelos nos joelhos. Eu, parada ali, em pé, de frente pra ele... sentia meu coração pulsando tão alto que podia jurar que ele escutava.

A verdade? Eu tinha medo.
Medo de ouvir o que ele estava prestes a dizer.

Tom respirou fundo, desviou o olhar por um instante... e soltou:

— Eu tava pensando enquanto você saiu... — ele começou, a voz baixa, carregada. — Acho melhor a gente dar um tempo. Pros dois. Pra respirar. Pensar. Talvez a gente precise disso.

As palavras bateram como um tapa na cara.

— Dar um tempo? — minha voz falhou. — Você tá dizendo que quer dar um tempo no nosso casamento, Tom?

Ele me olhou. E não hesitou.

— Sim. Isso mesmo.

Me senti despedaçando por dentro.

— Tudo bem. — respirei fundo. — Se é isso que você quer, eu não vou implorar pra você ficar. Eu só cansei, Tom. Cansei de repetir a mesma coisa mil vezes, de explicar o que dói em mim.

— Meu Deus, S/N... Você vive desconfiando de mim! Sempre achando que vou trair você! Você tá insegura demais. Isso tá destruindo a gente.

— E você acha que eu gosto de me sentir assim? Acordar, pegar um papel com um número que não é meu e ouvir que você pegou "só pra não deixar ela triste"? Em algum momento você pensou em mim? Em como isso me atingiria?

— Você precisa confiar em mim. Eu sou seu marido! Eu tô aqui, com você, porque te amo! Eu respeito você! Mas qualquer passo que eu dou, você questiona. Isso cansa, S/N. Me cansa tanto.

— Você quer que eu confie em você? Então não esconda as coisas de mim! Eu também sou humana, Tom! E se fosse eu que tivesse guardado o número de um homem? Só por educação. Você aceitaria isso? Não, né? Então por que eu deveria aceitar?

Tom passou a mão pelo rosto, cansado.

— Tá bom. Se você acha que não dá mais, então... vai. Volta pra casa. Fica com os nossos filhos. Depois da turnê, eu volto. A gente conversa. Decide o que vai ser de nós dois.

— Ok, Tom. — assenti com dor. — Talvez até lá, a gente já esteja separado.

— Separado? — ele me olhou como se tivesse levado um soco. — É nisso que você tá pensando? Separar?

— Quem quer dar tempo, Tom? Você. Eu tô apenas respeitando o que você quer.

Sem esperar mais resposta, virei as costas e saí do quarto.
Eu precisava respirar. Sozinha.

Desci até a lanchonete do hotel. Sentei em silêncio e pedi algo pra comer. Meu estômago estava embrulhado, mas eu precisava distrair a mente antes que o coração me engolisse.

Minutos depois, Tom apareceu e sentou à minha frente. Pediu seu lanche também.
Mas não dissemos uma palavra um ao outro.

Os meninos chegaram logo depois, notando o clima estranho no ar. Dei um sorriso discreto quando me cumprimentaram, tentando não demonstrar a vontade absurda de chorar ali mesmo.

— Vai comer de novo, Tom? — Georg perguntou, rindo.

— Tô com fome de novo. — ele respondeu, tentando soar normal.

Eles riram, mas eu continuei calada. Estava ali... mas parecia estar a quilômetros de distância. Comi em silêncio. Só queria me desligar de tudo. A dor era muito maior do que qualquer raiva.

Quando terminei, olhei discretamente para Tom. Nossos olhos se encontraram por alguns segundos. Havia tanta coisa não dita naquele olhar.
Mas desviei, antes que minhas lágrimas viessem.

Foi quando senti um braço ao redor dos meus ombros. Era Bill.

— Está tudo bem? — ele perguntou num sussurro.

— Não. — respondi, sincera. — Mas vai ficar.

Me deixei ser abraçada por ele. Era como um irmão pra mim. Tom viu. E soube. Ele percebeu que eu estava no limite.

Levantei e fui embora com Bill, sem dizer nada.

{S/N Off}
{Tom On}

— O que aconteceu entre vocês? — Gustav perguntou. — Ela parecia destruída.

— A gente decidiu dar um tempo. — falei, me sentindo estranho ao dizer isso em voz alta. — E... se não der certo, a gente vai se separar.

— Separar? — Georg arregalou os olhos. — Você tá falando sério, cara?

— Tô. Tudo tem limite. E eu cheguei no meu. — suspirei. — Nos últimos meses, a gente só tem discutido. Parece que a gente tá se sabotando. Ela acha que eu vou trair ela o tempo todo. Eu não aguento mais ser acusado por algo que não fiz.

— Mas cara... você escondeu o número. — Gustav murmurou. — Ela tá com medo, não é só raiva. Vocês já passaram por isso, não dá pra fingir que não existiu.

— Eu sei. E por isso que eu vou respeitar o tempo dela. Mas... se for pra viver com essa desconfiança pro resto da vida, prefiro ir embora.

Georg colocou a mão no meu ombro.

— A gente vai estar aqui, não importa o que acontecer. Mas pensa com calma, Tom. A mulher que você ama tá do outro lado da dor. E ainda sim te ama. Isso é raro, cara. Cuida disso... antes que vire tarde.

{S/N On}

— Talvez a gente se separe, Bill. — confessei, enquanto caminhávamos juntos.

— Vocês não podem se separar. — ele disse, sério. — S/N, me diz o que aconteceu de verdade.

— A gente briga demais. O número de uma fã apareceu no bolso dele. Ele não fez nada, mas escondeu. E isso já é o suficiente pra me machucar. Eu confiei... e ele me fez lembrar da pior fase da minha vida. Como se tudo pudesse recomeçar do zero. Eu não sei mais se consigo lidar com isso.

Bill me puxou num abraço forte.

— Respira. Um passo de cada vez. Você ainda ama ele?

— Amo. Mais do que tudo. Mas às vezes amar não é suficiente.

— É. Mas se os dois ainda se amam... ainda tem chance. E eu vou te ajudar, como sempre.

Bill me levou pra tomar um sorvete. Passamos um tempo em silêncio, só respirando juntos. Mais tarde, fui para o quarto dele e decidi dormir ali.

No banho, deixei as lágrimas rolarem pela água.
Sozinha, em silêncio.

Me vesti e deitei, sentindo o peito apertado, a respiração falha. E só queria...
...que tudo isso fosse apenas um pesadelo.

Mas era real.

💔 O que será do casamento deles? Separação? Recomeço?

Até o próximo capítulo...

🎸 Entre Acordes e Destino- Tom kaulitzOnde histórias criam vida. Descubra agora