Capítulo 148 - O Novo Reitor

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POV DYLAN

Após deixar a prisão, eu me sinto como se estivesse à deriva em um mar de confusão. As palavras de Eliney, a pessoa que eu sempre acreditei ser meu pai, ainda ecoam na minha mente, como um pesadelo que não posso acordar. A verdade é tão chocante que mal consigo processá-la.

Chego à uma praia e ouço o som das ondas quebrando na costa preenchendo meus ouvidos. Escolho um lugar na areia, onde posso ficar sozinho com meus pensamentos. Acendo um cigarro e deixo o primeiro trago queimar meus pulmões, tentando acalmar os nervos. Olho para o horizonte, as ondas indo e vindo, como se a resposta para tudo o que acabou de acontecer estivesse lá, dançando naquele mar sem fim.

Eu me permito afundar na areia, observando o céu azul que se estende até o infinito. Cada tragada do cigarro é uma tentativa de encontrar clareza em meio ao caos que se tornou minha vida. Minha mente está uma bagunça, e as revelações de Eliney só a deixaram mais tumultuada.

Joaquim, o homem que matou meu irmão gêmeo, é meu pai biológico. A pessoa que considerávamos nosso inimigo mortal era, na verdade, meu parente de sangue. Meus pensamentos estão repletos de perguntas sem respostas. Por que Eliney escondeu a verdade por tanto tempo? Por que Joaquim decidiu revelar agora? Como se não bastasse, Eric é meu irmão, o mesmo Eric que é casado com a mulher que eu amo. E também, eu era irmão do Lucas, a pessoa que era meu melhor amigo e que já tentou me matar.

— Cara, isso é tão surreal — sussurro para mim mesmo, soltando uma nuvem de fumaça para o céu. Tudo o que eu sabia sobre minha vida, minha família, e até mesmo meus inimigos, parece ter sido destruído por essa revelação.

Enquanto meus pensamentos continuam a girar em um redemoinho caótico, uma sensação de solidão e desamparo se instala em mim. Olho para o cigarro aceso entre meus dedos e percebo que está quase se consumindo, assim como minha antiga visão do mundo. O tempo passa, e as ondas continuam seu eterno ciclo, indiferentes ao turbilhão que é minha mente.

Eu fecho os olhos por um momento, tentando encontrar alguma centelha de clareza em meio a essa escuridão. Lembro-me do rosto de Henry, meu irmão gêmeo, que foi assassinado por Joaquim. Agora, a imagem de Joaquim como meu pai biológico está entrelaçada com a memória do irmão que perdi.

— O que você faria, Henry? — pergunto a mim mesmo em silêncio, sentindo falta dele mais do que nunca.

Eu pego o meu celular e deslizo o dedo pela tela até encontrar a foto de Henry. Seu sorriso congelado na imagem me lembra de todos os momentos que compartilhamos. As lágrimas começam a encher meus olhos, e eu me permito ceder à dor que tenho mantido sob controle desde que Henry se foi.

Lágrimas salgadas escorrem pelo meu rosto enquanto recordo o irmão que perdi. Minha garganta aperta, e eu sinto um vazio profundo em meu peito, uma sensação de perda que parece insuportável. Henry era parte de mim, e agora, até mesmo a certeza de nossa ligação como gêmeos é obscurecida pelas revelações chocantes.

— Desculpe, Henry... — murmuro, minha voz embargada pelo choro. — Desculpe por não ter sido capaz de proteger você.

Eu seguro o celular com força, como se isso pudesse me conectar de alguma forma ao meu irmão perdido. As ondas continuam a quebrar na praia, o som tranquilizador se misturando com minhas lágrimas.

Eu não sei como seguir em frente a partir daqui, mas uma coisa é certa. Minha vida mudou irrevogavelmente. Tudo o que acreditava ser verdade se desfez. Por mais confuso e doloroso que seja, tenho que enfrentar a nova realidade que se apresenta diante de mim.

Eu suspiro, me recomponho e me levanto de volta para ir à universidade, deixando a praia e as memórias para trás, pelo menos por enquanto. Não importa o quão tumultuada minha mente esteja, há questões que precisam ser resolvidas, decisões que precisam ser tomadas. Eu não posso continuar a viver no limbo da incerteza.

O Professor - Livro 2Onde histórias criam vida. Descubra agora