~Antonelle
— Entregue, sã e salva ao seu lado — diz Domenico.
— Obrigada. Consegui te suportar por um dia inteirinho — respondo, e ele faz uma cara de poucos amigos.
— Amanhã iremos à minha fazenda. Passaremos o dia lá: eu, você, meus irmãos, minha cunhada, meu melhor amigo Paulo e a esposa dele, meu primo Gabriel e a esposa dele. Foi ideia da minha irmã. Ela disse que assim todos poderão te conhecer melhor.
— Fofo da parte dela... mas mais um dia com você vai ser insuportável.
— Às dez em ponto quero você pronta. Sem atrasos. Saiba que eu odeio atrasos — ele fala e, em seguida, vai embora.
— Como foi o dia com seu noivo, filha? — pergunta minha mãe assim que me vê entrar em casa.
— Insuportável, mamãe. Acredita que amanhã vou ter que ir a uma fazenda com ele e a família inteira?
— Meu amor, isso é bom. Assim você conhece melhor todos eles... e eles conhecem você também.
— Eu não faço questão, mamãe — falo, quando alguns homens entram com várias sacolas.
— As suas compras, senhora Admas.
— Obrigada. Deixem aí mesmo, depois as empregadas arrumam tudo. Estou exausta — digo, subindo as escadas antes que minha mãe comece a me encher de perguntas. — E antes que pergunte, mamãe: não vou jantar!
Entro no quarto e me jogo na cama, soltando um suspiro.
— Odeio essa ideia de ter que me casar... — murmuro para mim mesma.
Estou prestes a entrar no banheiro quando recebo uma chamada de vídeo.
— Arthur! — digo com um sorriso de orelha a orelha ao atender.
— Antonelle! Como você está?
— Estou bem... Achei que não ia mais me ligar. E aí, como está sendo morar no Brasil?
— Não é uma das melhores experiências da minha vida. Sinto saudade de Los Angeles... e principalmente de você.
— Eu também, Arthur. Só não entendo por que sua mãe decidiu se mudar assim, do nada. A gente estava prestes a decidir se ia mesmo namorar...
— Eu descobri o motivo. Nossos pais já sabiam o que ia acontecer... e nunca permitiriam.
— Claro que não permitiriam. Eu estava prometida a outra pessoa... Vou me casar com Domenico Mancini. Mas eu não quero isso, Arthur. Por favor, me ajuda — digo, com os olhos marejando.
— Eu não vou permitir isso, Antonelle. Lembre-se que eu te amo. E não desisti, nem por um dia, de ter você nos meus braços.
A ligação cai.
Suspiro, mando uma mensagem pra ele e vou tomar banho.
Depois do banho, visto um pijama e me deito com um livro.
Estava lendo, concentrada, quando ouço ruídos na janela.
— O que está acontecendo? — me pergunto, indo até ela.
De repente, sinto uma mão ao redor da minha cintura e outra tapando minha boca. Sou arrastada até a varanda do quarto.
Começo a me debater e a tentar gritar, até que a pessoa me solta.
Me viro rápido, e vejo... Domenico.
O que ele está fazendo aqui a essa hora?
— O que você quer?! — pergunto.
Ele se aproxima. Dou passos para trás, até ser encurralada contra a parede.
Domenico tira uma faca da cintura e a pressiona no meu pescoço.
— Quem é Arthur? — ele sussurra no meu ouvido, e meu corpo se arrepia.
Começo a ficar ofegante. Ele joga a faca no chão e segura meu pescoço com a mão.
— Não é você que sabe tudo da minha vida? — pergunto, com dificuldade.
Ele aperta ainda mais.
— Vou perguntar só mais uma vez... Quem. É. Arthur? — sua voz sai baixa, mas carregada de raiva.
— Me solta, Domenico... — sussurro.
Ele me joga no chão, me puxa pelo braço e o aperta com força.
— Quem é Arthur?! — grita.
— O Arthur é o primeiro — e único — homem que eu amo! Foi meu primeiro beijo, meu primeiro abraço, meu primeiro amor. Ele vai me tirar das suas mãos. De todas as bocas que já beijei, a dele foi a melhor. Ninguém chega aos pés dele! — grito, encarando-o.
Ele solta meu braço de uma vez, os olhos cheios de fúria.
Se aproxima novamente, me puxa para si e me beija.
Em meio ao beijo, aperta minha cintura, desliza as mãos pelo meu quadril, beija meu pescoço... e me dá um chupão. Solto um gemido fraco.
Quando percebo, estou deitada na cama com ele por cima de mim.
— Domenico... — falo ofegante, enquanto ele lambe meu corpo inteiro.
— Ele é melhor que eu? — pergunta, e eu confirmo com um aceno sutil.
Domenico sobe até meus seios, os tira de dentro da blusa e praticamente os engole com a boca, arrancando outro gemido meu.
— Isso não vale... Ele nunca fez isso comigo — digo, ainda sem fôlego.
— E nunca vai fazer. Você é minha — ele sussurra no meu ouvido.
Nesse instante, alguém bate na porta.
— Posso entrar, filha? — pergunta minha mãe do lado de fora.
— Espera só um momento, mamãe! — respondo, olhando desesperada para Domenico.
Ele sai de cima de mim e corre para o closet.
Eu ajeito minha blusa, escondo o pescoço e peço para minha mãe entrar.
— Meu amor, o Arthur mandou isso pra você. Ele disse que é uma tradição brasileira, e que você vai conseguir fazer porque é simplesmente perfeita. Aqui está: a receita do brigadeiro. Ele mandou também um potinho pra você provar. Você queria muito, não é, filha?
— O Arthur é perfeito, não é, mamãe? Eu poderia me casar com ele... Agora eu entendo por que vocês o afastaram de mim.
— Filha, não vamos tocar nesse assunto — minha mãe diz, me dá um beijo na testa e sai do quarto.
— Ele é perfeito, é? — Domenico surge do closet.
— Você acha que o que fez agora vai me fazer parar de pensar no quanto o Arthur é perfeito?
— Você nunca mais vai ouvir falar desse tal de Arthur. Ele mexeu com a mulher errada. Agora, deite e durma. Amanhã você vai acordar cedo — diz, se deitando ao meu lado.
Antes que eu possa responder, ele leva o dedo aos lábios, pedindo silêncio.
Domenico começa a fazer cafuné em meus cabelos. É estranho... mas relaxante. Em poucos minutos, adormeço.
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Casamento de um Capo
FanfictionDesde pequena, sempre tive tudo o que quis. Mimada? Talvez. Mas sei muito bem o que me convém. Só não esperava que o erro do meu pai - feito antes mesmo de eu nascer - fosse custar a minha liberdade. Por um acordo com um mafioso perigoso, fui promet...
