~Domenico
Se passaram algumas semanas desde o ocorrido. Faz um bom tempo que não vejo Antonelle. Estou em minha casa, no meu escritório, quando o segurança que contratei para ela entra.
— Sim? — pergunto, olhando para ele.
— Senhor, eu preciso falar uma coisa. Descobri há muito tempo, mas não sabia se devia contar ou não...
— Prossiga — falo, assinando um papel.
— Senhor, esses dias em que eu estava vigiando a senhorita Adams, ouvi uma ligação dela com a mãe, em que ela dizia que o senhor não iria descobrir, que ela fingiu perder a memória.
Ele fala isso, e eu paro de escrever, olhando para ele já irritado. Levanto e saio do escritório.
— Domenico? O que você tem que já está assim? — pergunta Heitor.
— Isso não te importa. — falo, saindo de casa.
Pego meu carro e vou até a mansão da família Adams.
Chegando lá, entro de uma vez e vejo a mãe de Antonelle subindo as escadas e o pai dela entrando no escritório. A mãe está toda descabelada e o pai ajeita a camisa.
— Onde está Antonelle? — pergunto grosso. Ela me olha assustada.
— Está tudo bem? — pergunta, e eu respiro fundo para me controlar.
— Sim. Agora me diga onde ela está. — falo.
— Ela está no jardim. — responde, e eu agradeço, indo em direção ao jardim.
Chego lá e a vejo pintando uma paisagem, muito concentrada. Fico olhando por alguns segundos.
— Antonelle. — falo em alto e bom tom. Ela olha para trás e faz uma cara nada boa ao me ver.
— O que aconteceu? — pergunta, me olhando, e logo volta a pintar. Pego o braço dela e ela me olha, sem entender o que está acontecendo.
— Você ficou maluco, Domenico? Está machucando meu braço! — fala com uma carinha triste.
— Por que fingiu para mim que perdeu a merda da sua memória?
Quando falo isso, ela arregala os olhos; sua expressão já diz tudo.
— Como soube? — pergunta.
— Você acha que eu sou idiota? Vai pagar um preço muito caro por ter mentido para mim.
— O que vai fazer? Me matar? Se fizer isso, eu agradeceria, Domenico Mancini. Sim, eu fingi. Fiz isso porque não quero me casar com você. Preferia ter perdido a droga da minha memória, ou ter morrido naquela queda do cavalo. Eu odeio você, odeio tudo em você.
Ela fala enquanto eu aperto o braço dela com força.
— Vamos nos casar amanhã mesmo. Deixe o vestido comigo, eu dou de presente. E dessa vez nada irá impedir. Mesmo que me odeie, você é minha, vai ser minha. Eu vou te fazer minha. Não quero seu amor, só quero você.
Digo isso e solto o braço dela.
— Eu nunca vou ser sua! — ela grita.
— Vai ser minha sim, e quando eu quiser, Antonelle, se não for minha por bem, eu vou te fazer ser minha por mal.
Falo e a deixo sozinha ali. Ela grita de raiva e bagunça o cabelo.
Antonelle é simplesmente linda, esperta. Quero que ela seja minha, mais que tudo. A única coisa que ela vai servir nesse casamento é para me satisfazer. Não me importo com os sentimentos dela, não me importo com ela. Se Antonelle me odeia, eu a odeio mais.
~Antonelle
Depois que Domenico saiu, comecei a chorar de raiva. Minha mãe apareceu e me viu chorando.
— O que foi, minha filha? Ouvi uns gritos, mas não entendi direito. — minha mãe pergunta preocupada.
— Eu odeio ele, mamãe, eu odeio ele. — falo aos prantos, e ela me abraça.
— Ele disse que vamos nos casar amanhã, mamãe. Ele descobriu que eu fingi, mamãe. — digo enquanto minha mãe alisa meus cabelos sem falar mais nada.
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Casamento de um Capo
FanfictionDesde pequena, sempre tive tudo o que quis. Mimada? Talvez. Mas sei muito bem o que me convém. Só não esperava que o erro do meu pai - feito antes mesmo de eu nascer - fosse custar a minha liberdade. Por um acordo com um mafioso perigoso, fui promet...
