Capitulo 6

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~Antonelle

A Acordo com uma luz branca invadindo minha visão. Aos poucos, percebo que estou em um hospital. Meu corpo inteiro dói. Tento me mexer, mas não consigo. Viro o rosto devagar e vejo uma mulher ruiva. É minha mãe.

As lembranças voltam como um soco. Eu poderia fingir que perdi a memória... Isso faria Domenico adiar o casamento. Ou então... eu fugia.

Minha mãe... ela vai ser minha cúmplice. Eu a amo tanto. Não quero que ache que me esqueci dela.

— Mamãe... — murmuro, mas minha voz sai em sussurro.

— Meu amor, finalmente você acordou! — ela diz com os olhos marejados.

— Eu preciso da sua ajuda, mamãe...

— O que foi, Antonelle? — ela pergunta, preocupada.

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Depois de explicar meu plano, minha mãe fica em silêncio, pensativa. Encara o chão como se avaliasse todos os riscos.

— Isso é loucura. Se ele descobrir, você morre. E eu também, Antonelle... — ela respira fundo. — Mas tá bom, filha. Eu te ajudo. Que o plano comece.

Ela força um choro e... caramba, ela é boa nisso. Sai do quarto aos prantos, como se estivesse desesperada.

Alguns minutos depois, ela entra de novo. Meu pai está com ela.

— Quem são vocês? — pergunto, fazendo uma expressão confusa.

— Você não lembra da gente, minha filha? — meu pai diz, tentando se aproximar.

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Algumas horas depois, Domenico e a família dele chegam. Mas não entram todos de uma vez — só ele e meus pais.

— E agora, Domenico? — meu pai pergunta.

— Eu não sei o que vamos fazer... — Domenico responde, passando as mãos nos cabelos, tenso.

— Minha filha não pode se casar com você sem lembrar de nada. Ela nem sabe quem é. — minha mãe intervém, com firmeza.

— Desta vez, eu não vou permitir. Vamos esperar ela se recuperar, Domenico. O médico disse que vai passar logo. — ela conclui, firme.

Domenico sai do quarto em silêncio. Meu pai vai atrás.

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UMA SEMANA DEPOIS...

Meu plano está indo bem. Aluguei um apartamento pequeno pra ficar. Meus pais tentaram me “fazer” lembrar das coisas. Domenico se afastou. As meninas  tentaram se aproximar, disseram que eu era noiva dele... mas fiz de tudo pra elas desistirem.

A verdade é que estou sentindo falta dos meus pais. Da minha casa. Odeio ficar sozinha.

Agora são exatamente 21h40. Estou voltando da lanchonete onde estou trabalhando.

Ando pela rua quando sinto que estou sendo seguida. Olho pra trás — nada.

Meu coração acelera. Pego o canivete e o spray de pimenta na bolsa, e apresso os passos.

Casamento de um CapoOnde histórias criam vida. Descubra agora