Capítulo 67

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Mavi
Fui almoçar com o Henrique na casa dele assim que ele me buscou na aula, enquanto ele destrancava a porta conversávamos sobre a Nathi.

— Ela vai ficar bem, você conhece — falei largando a bolsa pela sala — Ontem ela até conseguiu se distrair com o Felipe, lembra dele?

— A Nathalia gosta de caso antigo né — Henrique respondeu e entramos na cozinha, dando de cara com o Diego, Marcelo e Leo almoçando. Ficamos todos nos olhando em silêncio, fechei os olhos e botei a mão no rosto.

— Oi, amigos — Leo disse dando um riso sem humor.

— Venham comer — Marcelo disse tentando amenizar o clima de merda. Diego baixou a cabeça e ficou encarando seu prato, ele estava um coitadinho ultimamente.

— Diego... — Henrique falou sentando do lado dele e ele levantou.

— De boa — falou e saiu lá pra dentro.

— Vê se tem gente antes de abrir esse bocão, ô — Marcelo disse e eu rolei os olhos.

— Marmanjo desses se fazendo de vítima — falei sentando na cadeira — Amo o Diego mas ele sabe que a Nathi merece mais.

— O cara tá sofrendo, pô, várias paradas acontecendo junto — Leo disse.

— Depressão não é brincadeira — Marcelo deu um gole no refri.

— E por isso ele pode cagar na cabeça da minha amiga?

— Amor, vai comer — Henrique disse.

— Não defendemos o que ele fez, Mavi, mas já passou, vamos ter respeito pela situação dele, ninguém sabe como tá a cabeça do cara — Leo falou e eu levantei pra servir meu prato, suspirei fundo pra não falar mais nada.

— E a Lauren? — perguntei pro Marcelo assim que sentei de volta.

— Você que é a amiga dela.

— E você é o namorado, cavalo — eles riram.

— To zoando, ficou lá na academia. Já tô com saudades.

— Own, que lindo você apaixonado — falei.

— Uns amando e outros se fudendo — Leo disse e eu ri.

— Pelo menos você não tá sendo capacho da Luana.

— Caraí... — Henrique e Marcelo falaram juntos.

— Pesou de vez — Leo disse negando com a cabeça.

— Desculpa amigo, não vou mais citar o anticristo. Logo vai aparecer uma gata pra você.

— Vai abençoando, meu pai — ele ergueu as mãos — Tudo bem que sou gostoso mas não aguento mais só ser usado pra satisfazer.

— Pelo amor de Deus — botei as mãos no rosto enquanto os meninos riam — O que eu tô fazendo aqui?!

— Comendo de graça — Marcelo disse e eu fingi furar ele com a faca.

Henrique me levou pro trabalho e demos uns amassos no carro antes de eu ir pro hospital. Ele colocou a mão no meu peito por dentro da blusa e deu umas apertadas, mais uns minutos ali eu já estava pelada, mas me recompus.

Diego
— Ela ficou com outro cara, meu amigo contou que eles eram ficantes antigamente, e acho que eles até transaram — tentei disfarçar meu desconforto.

— E como você se sentiu quando soube? — minha psicóloga perguntou enquanto fazia anotações.

— Um merda — soltei um riso — Aquele vazio no peito que aperta, uma dor no coração por saber que outro cara estava com o amor da minha vida — falei com o olhar longe.

— E você acha que ela não deveria ter ficado com outra pessoa?

— Na verdade, acho que deveria. Eu sei como fiz ela sofrer, e sei que ela merece ser feliz, mesmo que não seja comigo, mas mesmo assim dói pra cacete — senti orgulho no seu olhar, talvez antes eu não pensasse assim.

— Bom que você reconhece que fez ela sofrer, e que ela deve ser feliz. Isso é um passo muito grande que você deu, e você está dando o espaço que ela pediu, né? Só o tempo dirá se vocês irão se reaproximar, mas fico feliz que você está respeitando ela, e mostrar isso pra ela também é importante. Ainda mais que vocês tem o mesmo círculo de amigos.

— É, inclusive esse final de semana tem festa da faculdade, e acho que ela vai. Tô com uma sensação ruim só de imaginar ver ela com esse cara, tô com... medo — por esse sentimento pra fora era estranho, mas bom.

— Diego, se acontecer, você sabe que vai sentir essa angústia no peito, mas não deixa abalar o teu momento, a tua festa, teu momento de curtir com os amigos, de espairecer. E pense também em mostrar pra ela como você tá indo bem, sem beber, sem drogas, sem sufoca-la. Tudo vai correr bem, e também, lembre: um passo de cada vez.

Saio da terapia aliviado, e muito feliz por estar no caminho certo. Larguei o que me fazia mal, e estou focado no que realmente importa, até saindo menos eu estou porque infelizmente as festas me fazem querer o álcool, que é uma coisa que eu parei de vez, foi a melhor decisão que eu tomei. Sei que é pra me tornar uma pessoa melhor, e sei que tô conseguindo, mas também quero ser o homem que a Nathi merece.

Quero dar tanto amor à ela que ela nunca mais vai pensar nas coisas ruins que já passou, nas coisas ruins que eu causei. Quero acordar com ela todos os dias e mostrar que ela é a luz na minha vida, meu motivo de querer acordar e ser melhor, motivo dos meus sorrisos mais sinceros e a razão de eu ver o mundo mais colorido. Quero poder pedi-la em casamento e ter uma mini versão dela correndo pela casa.

Era pra serHistórias para pegar e não largar. Descubra agora