Capítulo 65

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Diego

Algumas semanas se passaram e já estávamos na metade de dezembro, pra ser mais exato, no dia 15, onde fazia 1 mês que meu pai havia falecido e eu havia me descontrolado por completo. Eu achei que ia me afundar de novo nessa vida, real, estava por um triz de viver novamente a base de droga, álcool, noites viradas... e não sentir mais nada. Mas pensei tanto na Valentina, na minha tia e na Nathalia, as mulheres da minha vida, as mulheres que devo amar e proteger, as mulheres que me amaram quando eu não mereci, as mulheres que são a minha vida.

Eu ia morar com a Valen lá em BC e ficar por lá um tempo, mas minha tia me encorajou a não largar os estudos e nem o meu trabalho, disse que a minha vida estava ótima e tudo iria se restabelecer, eu tentei botar isso na cabeça e ainda estou tentando... mas assim fiz, continuei em Itajaí, até quis trazer a Valen pra morar comigo mas a tia achou melhor ficar com ela, e era óbvio que essa é a única opção certa. Mas nos primeiros dias de luto eu fiquei 2 semanas lá com elas, e foi essencial esse momento, essencial a ajuda da minha tia e a presença da minha irmã, o apoio que evitou eu me desgraçar ainda mais.

A Nathi me bloqueou de tudo e não quis mais falar comigo, nem me ver, nem nada. E eu entendo, nem eu me perdoaria.

Eu estava tentando não pensar muito nela pra não entrar em uma depressao fudida, estava tentando não me botar pra baixo o tempo todo pelo que eu fiz, mas era impossível, ela não saía da minha cabeça. Da hora que eu acordava até a hora que eu ia dormir, pensava no meu pai, e logo depois nela, em quem deveria estar do meu lado mas não está por culpa minha.

Levantei pra mais um dia de trabalho, eu mal estava dormindo, mas vida de adulto, né?

Hoje foi mais um daqueles dias em que eu estava chegando e a Nathi estava entrando apressada no escritório, estacionei a moto e suspirei antes de entrar na clínica.

Eu juro que eu tentei me concentrar ao máximo no trabalho, mas pelas 10h eu tive que ir até lá, foi mais forte que eu.

Eu entrei no escritório e dei de cara com a moça que fica ali na frente, pela cara que ela me olhou já sabia que não estávamos mais juntos.

— Oi? — ela disse enquanto eu olhava lá pra trás.

— Pode chamar a Nathalia por favor? É importante — falei já sentindo minha respiração acelerando e o calor aumentando.

Ela foi ali dentro rapidinho, mas voltou com uma cara ruim.

— Desculpa, Diego, ela não quer te ver. Tenta outro momento — assim que ela disse isso passei rapidamente por ela, indo até a sala da Nathi — Diego!

Entrei e fechei a porta, enquanto ela me olhava desacreditada.

— Diego, no meu trabalho? Me deixa em paz, por favor — ela levantou vindo até a mim — Só isso que eu te peço — parou na minha frente de braços cruzados. Eu não conseguia falar nada, estava engasgado, estava com o coração a mil, sentindo o meu corpo amolecer e minha respiração se descontrolar. Minhas ideias se perderam e minha visão ficou turva. Eu iria ter uma crise.

— Não consigo respirar — me apoiei na mesa e logo as lágrimas vieram — Nathi — me encostei na parede colocando a mão no peito e ela viu meu desespero.

— Diego — veio até mim e segurou meu rosto — Olha pra mim, se concentra aqui — olhar o rosto dela assim tão de perto enquanto escutava sua voz, me ajudou a ir me acalmando — Respira fundo, e solta pela boca. Olha pra mim.

Olhar pra ela era a melhor coisa desse mundo, mas meu peito doía só de ver seus olhos tristes.

Consegui aos poucos respirar normalmente e diminuir essa euforia do peito, mas voltei a chorar descontroladamente segundos depois.

— Me desculpa, Nathi, desculpa — os olhos dela também marejaram e ela me olhava com pena — Eu te amo tanto, preciso tanto de você.

— Shh — ela se aproximou mais e me puxou para um abraço apertado, não queria nunca mais soltá-la. Chorei no espaço entre seu ombro e seu pescoço, sentindo o seu cheiro bom, sentindo o seu toque, o seu amor e a sua compaixão — Calma.

Ficamos um bom tempo abraçados, chorei tudo que estava entalado e assim que nos afastamos vi que ela também chorou.

— Nathi... eu tô me tratando, tô fazendo terapia, tô só focando em estudar e na minha família, tô fazendo tudo pensando em você — segurei suas mãos — Eu já te magoei tanto, eu sei, mas eu quero mudar de verdade por nós, quero ser um homem melhor tanto pra mim quanto pra você... Acha que consegue me dar uma última chance? Eu vou te mostrar que eu mudei.

— Diego, eu tô feliz que você tá melhorando e se tratando, e quero que saiba que você é um homem bom, uma pessoa boa e uma das mais importantes da minha vida... mas eu preciso de um tempo sozinha, preciso me curar sozinha, entende? Não preciso que a pessoa que me feriu me cure, preciso de um tempo. Quero que você continue bem e forte, mas pra você primeiro, e depois pra mim — ela se aproximou e fez um carinho no meu rosto, enquanto observava meu rosto todo — Eu também te amo, e amo muito, sempre vou amar independente do que aconteça, independente se a gente fique juntos ou não. Você é a melhor pessoa que eu já tive, quem me mostrou o que é amar e o que é ser amada, mesmo com os erros, e eu te perdoo — as lágrimas desciam no meu rosto — Você é humano, Diego, e eu espero de coração que você não cometa mais os erros que teve, até porque... é você quem fica destruído por isso, eu fico magoada sim, sofro pra caralho, mas você fica 10x mais, se ame mais e se priorize, tome boas decisões e pense bem antes de fazer as coisas, eu... — mordi o lábio tentando conter o choro e ela me olhou profundamente uns segundos antes de grudar nossas bocas, segurou meu rosto e me deu um selinho demorado, passei as mãos pelas suas costas e logo nossas línguas se encontraram. Demos um beijo calmo, com saudade e com amor, passei as mãos pelos seus cabelos e pela sua cintura, matando a saudade da minha loirinha.

— Obrigado — falei com nossos lábios encostados e ela continuou de olho fechado — Você é a melhor coisa que já me aconteceu — abriu os olhos e abaixou a cabeça.

— Preciso voltar pro trabalho — se afastou limpando o rosto e eu concordei.

— Você precisa de quanto tempo? — perguntei e ela deu um risinho.

— Não é assim que funciona — falou sentando na mesa — Preciso pensar um pouco em tudo... as coisas acontecem naturalmente. — concordei com a cabeça e fui até a porta.

— Bom trabalho, princesa — ela deu um leve sorrisinho e sentou na sua cadeira. Tinha saído um peso enorme das minhas costas.

Era pra serHistórias para pegar e não largar. Descubra agora