Nathalia
— Felipe disse que vai — falei enquanto terminava minha maquiagem.
— E você vai ficar com ele na frente do Diego? — até soltei um riso do jeito que a Mavi solta as coisas.
— Eu não tô planejando ficar com ninguém, tô de boa, mas nunca se sabe... e nem sabemos se o Diego vai — passei um gloss marrom.
— É festa da fisio, amiga... — Lauren disse deitada na cama e eu suspirei.
— E você? Tudo bem com o Marcelo? — perguntei mudando de assunto.
— O último findi a gente passou grudadinho, mas também gosto do meu espaço, aí fico meio assim, enjoada.
— Como você reclama, tá vivendo um sonho com um cara que te ama, mulher. Você ama ele né? — Mavi disse.
— Amo — suspirou e jogou o braço no rosto — Sou pirada da cabeça.
— Escuta, se você se sente assim, fala pra ele, seja sincera — falei — Só assim pras coisas funcionarem.
— Pior que é... — Mavi disse.
— Bom esse look? — perguntei de novo, não sabia se estava do meu agrado.
— Se a sua intenção é infartar alguém, tá perfeito — eu ri — Muito gata e gostosa, parabéns.
— E eu a mais comportada — Mavi disse porque estava de calça, eu e Lauren estávamos de shortinho beira cu.
— Quem vê pensa mesmo — peguei minha jaqueta na mão e fomos indo lá pra fora.
Pegamos um uber porque a Lauren queria beber hoje, novidade nenhuma. Os meninos já tinham ido, também não podem ser nossos chofers todo dia.
.
— Vou dar um tempo de festa — falei já no 2° drink, agora peguei um gin tropical.
— Aaah, para — Lauren disse e eu ri.
— Eu também, nem beber consigo mais — Mavi tomou um gole da água com gás.
— Depois de beber todos os finais de semana, é fácil — Marcelo disse e ela fez careta.
Diego ainda não havia chegado aonde estávamos, mas vi de longe ele com os colegas do curso, logo senti uma mão nas minhas costas.
— Procurando quem? — Felipe me cumprimentou com um beijo no rosto.
— Só observando a galera — falei e ele riu, indo cumprimentar o resto da galera.
— Minha ex também tá aqui, é foda não olhar — ele disse no meu ouvido.
— Que tal a gente não falar de ex? — bebi um gole do meu copo e ele concordou.
— Quem falar paga uma garrafa de whisky.
— Já vai pedindo então — ele riu me dando uma empurradinha no ombro.
— Oi Nathi — escutei a voz do Diego e me virei, ele estava com a cara de cachorrinho de sempre, com uma garrafa de água na mão. Tentei fingir naturalidade — E aí, Felipe.
— E aí, cara — disse e foi saindo disfarçadamente do meu lado.
— Oi, tá bem? — perguntei e ele se aproximou.
— Sim, na real tô cansado, não vou ficar muito — olhava dentro dos meus olhos e eu sentia um arrepio no corpo — Você tá linda.
— Obrigada — dei um sorrisinho — Mas fica, tá cedo. E é festa da sua turma né? — ele assentiu.
— Vou ficar só porque você pediu — fiquei meio sem graça e mordi o lábio olhando pros lados.
— Quer? — ofereci meu copo e ele negou, nisso Marcelo chamou ele.
— Hum, de papinho — Lauren chegou do meu lado — Tranquilo?
— Sim, de boa.
— Fiquei sabendo que ele não tá bebendo há 1 mês, tá limpo de droga também.
— Que bom, fico feliz — disse olhando pra ele de longe, meu coração ficava mais leve vendo ele se cuidar.
Sinceramente, eu também não estava muito afim de ficar ali. Já eram 1h da manhã e eu estava sentada em um sofá bebendo energético, mexia no celular e dava umas olhas ao meu redor, Diego estava passando e voltou quando reparou que eu estava ali.
— Tô indo embora, quer carona? — perguntou me estendendo a mão e eu a segurei pra levantar.
— Tá tão na cara que eu quero ir embora? — ele riu.
— Eu te conheço — falou e eu torci os lábios o olhando.
— Vou dar tchau pro pessoal, me espera? — perguntei e ele concordou.
Ele foi me guiando até o lado de fora e estranhei ele estar de carro, e não de moto.
— Marcelo confia demais em você — ele abriu a porta pra mim.
— Ele sabe que dirijo melhor que ele — fechou a porta e entrou do outro lado.
Ficamos uns minutos em silêncio, aumentei o volume da música.
— E ai, você tá com o Felipe? — senti uma pontada com essa pergunta.
— Não — respondi olhando pela janela — Somos amigos.
— Entendi, ele é gente boa — concordei.
— E você? Tá com alguém? — o olhei e ele deu um sorrisinho.
— Não — engoli seco — E enquanto te espero, não vou ficar com ninguém, quero que você saiba disso.
— Não quero fazer isso com você, pode se permitir viver.
— Vai contra tudo que eu acredito, não me sentiria bem... e também não consigo olhar pra ninguém do jeito que eu te olho — fechei os olhos e fiquei assim uns segundos, ele foi estacionando na frente do prédio.
— Tô feliz que você tá se cuidando, tá indo muito bem — falei me virando pra ele, que me olhava quase sem piscar.
— Eu também. Não é fácil no começo, mas é um processo, aceitei que tinha que procurar ajuda e aceitei ser ajudado, pensei muito na vida que eu quero ter. Não quero ser um fudido viciado e afundado na dor, também não quero perder pra sempre o amor da minha vida — senti meus olhos marejarem levemente, meu beicinho era inevitável.
— Não sei o que dizer — funguei.
— Não precisa dizer nada — ele se aproximou e pegou minha mão com cuidado, acariciando a mesma. Também me aproximei e encostamos nossas testas, fechei os olhos e senti sua mão acariciando minha bochecha, meu queixo e minha nuca.
— Vou subir — me afastei e ajeitei meus cabelos, segurei minha bolsa mas antes de abrir a porta dei um beijo no seu rosto — Obrigada pela carona, e boa noite.
— Boa noite, qualquer coisa liga — falou e eu desci do carro. Suspirei e fui pro meu apê.
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Era pra ser
FanfictionSeria uma viagem de réveillon normal como as outras, ou pelo menos Nathalia e Diego pensavam que seria até se conectarem um ao outro. Como se não bastasse ser encontro, foi amor.
