Capítulo 68

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Nathalia

— Felipe disse que vai — falei enquanto terminava minha maquiagem.

— E você vai ficar com ele na frente do Diego? — até soltei um riso do jeito que a Mavi solta as coisas.

— Eu não tô planejando ficar com ninguém, tô de boa, mas nunca se sabe... e nem sabemos se o Diego vai — passei um gloss marrom.

— É festa da fisio, amiga... — Lauren disse deitada na cama e eu suspirei.

— E você? Tudo bem com o Marcelo? — perguntei mudando de assunto.

— O último findi a gente passou grudadinho, mas também gosto do meu espaço, aí fico meio assim, enjoada.

— Como você reclama, tá vivendo um sonho com um cara que te ama, mulher. Você ama ele né? — Mavi disse.

— Amo — suspirou e jogou o braço no rosto — Sou pirada da cabeça.

— Escuta, se você se sente assim, fala pra ele, seja sincera — falei — Só assim pras coisas funcionarem.

— Pior que é... — Mavi disse.

— Bom esse look? — perguntei de novo, não sabia se estava do meu agrado.

— Se a sua intenção é infartar alguém, tá perfeito — eu ri — Muito gata e gostosa, parabéns.

— E eu a mais comportada — Mavi disse porque estava de calça, eu e Lauren estávamos de shortinho beira cu.

— Quem vê pensa mesmo — peguei minha jaqueta na mão e fomos indo lá pra fora.

Pegamos um uber porque a Lauren queria beber hoje, novidade nenhuma. Os meninos já tinham ido, também não podem ser nossos chofers todo dia.

.

— Vou dar um tempo de festa — falei já no 2° drink, agora peguei um gin tropical.

— Aaah, para — Lauren disse e eu ri.

— Eu também, nem beber consigo mais — Mavi tomou um gole da água com gás.

— Depois de beber todos os finais de semana, é fácil — Marcelo disse e ela fez careta.

Diego ainda não havia chegado aonde estávamos, mas vi de longe ele com os colegas do curso, logo senti uma mão nas minhas costas.

— Procurando quem? — Felipe me cumprimentou com um beijo no rosto.

— Só observando a galera — falei e ele riu, indo cumprimentar o resto da galera.

— Minha ex também tá aqui, é foda não olhar — ele disse no meu ouvido.

— Que tal a gente não falar de ex? — bebi um gole do meu copo e ele concordou.

— Quem falar paga uma garrafa de whisky.

— Já vai pedindo então — ele riu me dando uma empurradinha no ombro.

— Oi Nathi — escutei a voz do Diego e me virei, ele estava com a cara de cachorrinho de sempre, com uma garrafa de água na mão. Tentei fingir naturalidade — E aí, Felipe.

— E aí, cara — disse e foi saindo disfarçadamente do meu lado.

— Oi, tá bem? — perguntei e ele se aproximou.

— Sim, na real tô cansado, não vou ficar muito — olhava dentro dos meus olhos e eu sentia um arrepio no corpo — Você tá linda.

— Obrigada — dei um sorrisinho — Mas fica, tá cedo. E é festa da sua turma né? — ele assentiu.

— Vou ficar só porque você pediu — fiquei meio sem graça e mordi o lábio olhando pros lados.

— Quer? — ofereci meu copo e ele negou, nisso Marcelo chamou ele.

— Hum, de papinho — Lauren chegou do meu lado — Tranquilo?

— Sim, de boa.

— Fiquei sabendo que ele não tá bebendo há 1 mês, tá limpo de droga também.

— Que bom, fico feliz — disse olhando pra ele de longe, meu coração ficava mais leve vendo ele se cuidar.

Sinceramente, eu também não estava muito afim de ficar ali. Já eram 1h da manhã e eu estava sentada em um sofá bebendo energético, mexia no celular e dava umas olhas ao meu redor, Diego estava passando e voltou quando reparou que eu estava ali.

— Tô indo embora, quer carona? — perguntou me estendendo a mão e eu a segurei pra levantar.

— Tá tão na cara que eu quero ir embora? — ele riu.

— Eu te conheço — falou e eu torci os lábios o olhando.

— Vou dar tchau pro pessoal, me espera? — perguntei e ele concordou.

Ele foi me guiando até o lado de fora e estranhei ele estar de carro, e não de moto.

— Marcelo confia demais em você — ele abriu a porta pra mim.

— Ele sabe que dirijo melhor que ele — fechou a porta e entrou do outro lado.

Ficamos uns minutos em silêncio, aumentei o volume da música.

— E ai, você tá com o Felipe? — senti uma pontada com essa pergunta.

— Não — respondi olhando pela janela — Somos amigos.

— Entendi, ele é gente boa — concordei.

— E você? Tá com alguém? — o olhei e ele deu um sorrisinho.

— Não — engoli seco — E enquanto te espero, não vou ficar com ninguém, quero que você saiba disso.

— Não quero fazer isso com você, pode se permitir viver.

— Vai contra tudo que eu acredito, não me sentiria bem... e também não consigo olhar pra ninguém do jeito que eu te olho — fechei os olhos e fiquei assim uns segundos, ele foi estacionando na frente do prédio.

— Tô feliz que você tá se cuidando, tá indo muito bem — falei me virando pra ele, que me olhava quase sem piscar.

— Eu também. Não é fácil no começo, mas é um processo, aceitei que tinha que procurar ajuda e aceitei ser ajudado, pensei muito na vida que eu quero ter. Não quero ser um fudido viciado e afundado na dor, também não quero perder pra sempre o amor da minha vida — senti meus olhos marejarem levemente, meu beicinho era inevitável.

— Não sei o que dizer — funguei.

— Não precisa dizer nada — ele se aproximou e pegou minha mão com cuidado, acariciando a mesma. Também me aproximei e encostamos nossas testas, fechei os olhos e senti sua mão acariciando minha bochecha, meu queixo e minha nuca.

— Vou subir — me afastei e ajeitei meus cabelos, segurei minha bolsa mas antes de abrir a porta dei um beijo no seu rosto — Obrigada pela carona, e boa noite.

— Boa noite, qualquer coisa liga — falou e eu desci do carro. Suspirei e fui pro meu apê.

Era pra serHistórias para pegar e não largar. Descubra agora