Treinos e Sonhos com o Passado

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Sabe quando você se sente um lixo por magoar alguém que ama, e depois de tentar se desculpar, você se sente pior ainda por admitir a cagada em vós alta? Pois é, eu me sinto o maior filho da puta da criação inteira, e talvez eu seja mesmo. Já são quatro da manhã, depois de súplicas e mais súplicas por mensagens, o Eros só me ignorou, então eu tive que passar o dia todo remoendo a minha vergonha sozinho.

Sim, SOZINHO. O arrombado do Dante nem sequer apareceu depois da comida de rabo que o Eros me deu.

Na verdade, se ele realmente tivesse me comido, teria sido muito melhor do que o esporro que eu levei. O resultado de tudo isso foi uma noite em claro. É estranho pensar nisso, mas eu basicamente fiquei de castigo que nem uma criança.

Só sei que quando bateu três da manhã, eu finalmente adormeci.

Mas quando acordei, não estava mais no meu quarto.

A primeira coisa que eu senti foi minha pele molhada, era como se eu estivesse flutuando em uma piscina, ao abrir os olhos, me deparei com o céu, não com um céu limpo, mas também não tinham nuvens carregadas, era o céu cinzento de dias chuvosos onde você se aconchega de baixo dos cobertores com alguém que você ama, ao meu redor, posso ver flores vermelhas e, levantando o corpo, percebi que estavam por toda parte, o "chão" na verdade é água negra, da mesma que se vê durante a noite refletindo a luz da lua e das estrelas, posso ver prédios e casas ao longe, mas nada familiar o bastante pra discernir onde estava.

—A gente tá na sua mente.—Me assustei com a voz do Dante, que estava agora ao meu lado.—Na verdade, tá mais pra uma representação do seu ser, se é que isso faz sentido pra você.

—Agora você aparece? Depois de ter me colocado naquela situação de merda?—Não contenho a irritação na voz.

—Foi mal, mas o erro não foi meu né?

—Você tá vivendo no meu corpo, o mínimo que poderia ter feito era ter me oferecido algum apoio, do mesmo jeito que eu fiz por você quando desabafou pra mim!

—É, talvez eu tenha vacilado um pouco, mas relaxa, ele não vai te deixar, logo logo vocês vão ter uma conversa sincera, você vai pedir desculpas, ele vai aceitar, e vocês dois vão foder pra se reconciliar.

—Nossa, como você é bom com as palavras...

—Enfim, não é pra isso que eu te chamei pra cá.—Ele estendeu a mão e me ajudou a levantar.—A gente precisa te treinar, não dá pra ficar dependendo de mim o tempo todo.

—E do que adianta treinar aqui, não seria mais fácil fazer isso com o meu próprio corpo?

—Não pense muito sobre isso, quando você acordar, ainda vai conseguir praticar tudo o que vai aprender aqui, simples assim. É mais fácil fazer enquanto você dorme do que gastar o nosso tempo precioso com treino.

—E o que você quer me ensinar?

—A se defender, a lutar com a karambit, você já tem o físico, basta aprender a usá-lo.—Quando menos percebi, Dante tinha uma tesoura nas mãos e se aproximava.

—Ei, ei ei!—O parei antes que chegasse mais perto.—O que você vai fazer com isso?

—Cabelo longo atrapalha em brigas, pode entrar no seu olho, podem puxar ele pra te imobilizar, o vento pode fazer ele bloquear a sua visão, tem muita coisa em que o cabelo pode te atrapalhar.

—Eu percebi que você quer cortar o meu cabelo, mas eu tenho certeza que você não é cabeleireiro, se for assim eu prefiro cortar com um de verdade.

—Tsk, tá bom, mas não vem reclamar se eu ficar puxando o seu cabelo sem querer.—Ele guardou a tesoura e a trocou pela karambit, que eu jurava que estava comigo.—Vamos começar, pega a sua faca.

Tasteful DepravityOnde histórias criam vida. Descubra agora