Capítulo 64: Aloha Ohana! (Parte 2)

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Todas as vezes que alguém diz para se manter a calma, não surtar ou ficar bravo, é porque com cem por cento de certeza, esse tipo de coisa vai acontecer! E com a sorte que tenho tido, a notícia que Ruria tinha para me dar seria uma de explodir a cabeça. Depois que Stitch disse a expressão familiar que minha avó costumava dizer, como se ele tivesse lido minha mente, senti um nó na garganta, meu coração acelerou mais que um taiko durante um festival de verão. Não era normal ninguém saber absolutamente nada da cultura da minha terra natal. Claro que me surpreendi quando Floyd disse que sua comida favorita era Takoyaki e ele odiava cogumelo Shitaki. Fiquei meio desconfiado, mas acabei simplesmente ignorando o caso. Porém, o caso aqui era diferente, um alerta de que algo estava para virar minha vida do avesso – outra vez – começou a soar dentro de mim, e nem sabia direito o porquê...

— Certo... – Ruria inspirou fundo e olhou para Stitch antes de se virar para mim. – Aparentemente, nesse mundo, os arquipélagos são quase um território ainda inexplorado, alguns como este são famosos, outros parecem que não foram tocados desde tempos antigos e... existe um que, embora seja conhecido, pouco se sabe a respeito.

— Tudo bem... – Fiquei a encarando, incentivando silenciosamente que ela continuasse.

— Acontece que... – Ela pausou novamente, parecendo escolher as palavras corretas. – Na época em que a Lilo teve que sair do Hawaii para fazer faculdade, em outro país, o Stitch ficou meio solitário, chegando ao ponto de achar que ela não voltaria...

— Stitch ficou triste... sem Lilo... – ele resmungou, abaixando as orelhas e a cabeça, desviando os olhos para a esquerda, deprimido.

— Então, ele meio que começou a aprontar, pegou uma nave e saiu bagunçando pelo espaço, até que acidentalmente, a nave dele caiu em outro arquipélago, na direção noroeste... – Ruria me olhou nos olhos, respirou fundo e disse de uma vez. – Aquela região é conhecida como Oyashima, e Stitch ficou justamente na região de...

— Okinawa... – Stitch completou, olhando novamente para mim. – Stitch fez amiga Yuna, que cuidou de Stitch.

Fiquei atordoado, senti minha pressão cair, abaixei a cabeça espalmando as duas mãos no chão, aquilo não estava certo, não poderia... mas era verdade, Oyashima, esse nome é antigo, nome de épocas em que o Japão era fechado para estrangeiros, nesse período também possuía outros nomes como em chinês Wa ou Wakoku. Oyashima significa "Grande País das Oito Ilhas", uma referência mitológica à formação do arquipélago. Agora fazia sentido ninguém conhecer meu país, primeiro que o nome era outro, e segundo, ele não viam como um continente e sim um conjunto de arquipélagos, que se for seguir a lógica, não possui magia, então não existe tanta relevância para esse mundo onde a magia era dominante.

— Yuu? Yuu! Você está bem? – Ruria me segurou pelos ombros, podia sentir sua respiração alterada e o medo em sua voz. – Pelo amor! Eu sabia que isso iria te abalar! Ah! Por favor, diz alguma coisa!

A voz de Ruria se alterou, estava preocupada comigo e com razão, eu ainda estava processando aquela informação, meu estado não era bom na realidade, por alguns minutos me desconectei da realidade, ficando parado feito uma estátua de mármore.

— ANDORINHA! – A voz alterada de Ruria chamou a atenção de todos que estavam no luau ali perto. Rook e Vil foram os primeiros a chegar, seguidos por Leona e Jack e depois os outros.

— O que foi que aconteceu com ele? – Vil questionou à minha direita.

— É... é minha culpa! – Ruria ofegou, parecia estar chorando. – Descobri algo... e quis contar... ele ficou desse jeito...

— Calma, minha flor... – Rook a segurou pelos ombros, puxando-a para trás. – Dê espaço a ele, respire.

Senti todos ao meu redor, Byakko estava com as duas patas sobre meu joelho direito me encarando, mas eu não via nada ou ouvia ninguém, percebi um vagalume pousar em meu nariz, mas aquilo só me fez fechar os olhos, murmurava para mim mesmo "existe" como se quisesse convencer a mim mesmo que a versão da minha terra natal, existia nesse mundo, lembro do dia em que fui trazido para cá, fui atropelado por uma carruagem negra, desmaiei e acordei dentro de um caixão, que me levou ao salão do espelho na academia Night Raven, o diretor Dire tentou me enviar de volta, mas o espelho disse que não pertencia a lugar nenhum, quando disse que era do Japão ninguém parecia entender, percebi que não havia como voltar, e a cada dia aceitei esse destino começando aos poucos construir algo aqui, mas essa informação fez meu mundo ruir.

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