Capítulo 66: Laços brancos como mármore.

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* Idia*

Um mar escuro; o sol pouco chega a esse lugar. Havia dias que eu achava tudo enfadonho e desejava conhecer mais lugares. Queria, sonhava em viver fora dessa escuridão ou desse legado obrigatório, longe desse fardo. Mesmo sendo chamado de gênio, desejava viver as coisas que lia naqueles livros. Esse foi o meu erro; esse era para ser um desejo somente meu, mas influenciei a pessoa mais importante para mim...

— Irmão! Também quero navegar pelos mares! — Ortho sorriu animado, depois de lermos um livro de fantasia sobre uma ilha com um tesouro escondido. — Na verdade, acho que poderíamos criar nosso próprio navio, um que voe até as estrelas!

— Um navio que navegue pelo espaço! — ri, entrando na brincadeira. — Vamos navegar pelas galáxias e descobrir milhões de lugares...

Era divertido, só nós dois. Como irmão mais velho, deveria ser mais responsável, mas qual é? Eu tinha nove anos; não se exige maturidade nessa idade, bom senso talvez, mas definitivamente não possuía, e foi esse o motivo do início do meu maior tormento...

— IRMÃO!

— ORTHO! SAI DAÍ! ORTHO...

Acordei de repente, mais uma vez sonhando com aquele maldito dia. Dizem que alguns traumas podem ser superados, mas jamais esquecidos. Droga, ainda estávamos no bangalô da pousada Ohana; eu deveria dormir bem aqui! Esses dias foram muito proveitosos, apesar de eu detestar ficar exposto ao sol forte; isso se deve à viagem ao Oyashima, onde comprei muitos videogames e artigos para minha coleção. Passamos dias ensolarados na praia da ilha Kauai, e devo admitir que gostei muito deles, o que me deixa chateado por ter que partir, especialmente por causa do nosso próximo destino.

— Bom dia, irmão! — Ortho, como sempre, era o primeiro a acordar. Mesmo colocando uma atualização que o fizesse dormir por mais tempo, ele nunca passava das oito. — Yuuken saiu para caminhar com Grimm e pediu para te acordar. Tem que tomar o desjejum e organizar suas malas...

— Ei... ei... vai com calma, nem acordei direito e já me passa a agenda do dia? — bufei, deprimido, desejando muito voltar a dormir, mas se fizer, temo sonhar novamente. — Gostaria de não ter que fazer tanta coisa... queria só jogar o dia todo...

— Nada disso! Temos um horário; dá tempo de um passeio pela praia e talvez comprar algo na cidade enquanto esperamos a balsa.

— Você está energizado demais... Me lembre de fazer uma varredura no seu sistema.

Por mais que deteste admitir, Ortho tinha razão. Infelizmente não dispunha de tanto tempo para ficar de bobeira; pegaríamos a balsa para voltarmos a Oahu, de lá iríamos para a Grécia... Infelizmente, estou sendo obrigado a ir para casa. Sempre que meus pais possuem um novo projeto, querem me colocar nele. A proposta até que é instigante, o chamado projeto "Cérbero", mas o que me preocupa é o envolvimento de Ortho, o qual eles julgam ser "essencial", mesmo sendo contra. Mas, por outro lado, posso usar essa oportunidade para uma pesquisa pessoal, que, somada às novas informações que adquiri recentemente, pode me render excelentes resultados. A questão é que minhas "cobaias" podem me dar muito trabalho.

***

*Yuu*

Ainda não tinha falado para ninguém sobre a conversa reveladora que tive com Lilia. Na verdade, eu mesmo ainda estou processando a carga de informações que recebi. Ter ancestrais como os meus parecia colocar uma carga imensa em meus ombros, o que me leva à missão que fez Lee Ping deixar o mundo onde nasceu e ir para um onde a magia apenas existe em livros e mídias de entretenimento: a proteção da pequena princesa, princesa essa da qual Ruria é descendente. Em outras palavras, a minha vinda para cá, o despertar da minha magia, não era mera coincidência ou acidente; estava ali para terminar a missão do meu ancestral... muito tranquilo! Por isso acabei decidindo que, ao invés de revelar tudo isso a Ruria e aos meus amigos, primeiro iria investigar tanto os ancestrais meus quanto os dela, mas principalmente o motivo de toda aquela guerra. Possivelmente vou mexer em um belo vespeiro, mas se não se pode fugir de um destino certo, melhor encará-lo de frente.

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