Capítulo 58: Qual é o seu desejo?

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*45 minutos antes de tudo dar errado! *

— Professor... – Jamil caminha pelo jardim com Hakim. – Posso perguntar uma coisa?

— Claro, à vontade.

— Por que você incriminou o senhor Amin anos atrás? - Jamil permanece frio enquanto faz a pergunta, mas Hakim também não esboça emoções.

— E por que acha que eu fiz isso?

— Por quê? – Jamil suspira. – Simplesmente por ter lhe visto naquele dia, quando fui tentar resgatar o Kalim do bando do Emir, sabia que era você vestindo aquele capuz preto.

— Sempre tão perspicaz... – Hakim sorriu satisfeito, como se já esperasse por aquilo. – Demorou anos para me questionar. Pois bem, sabe, querido Jamil, quando desejamos muito uma coisa a vida toda, e nunca chegamos onde queremos, a sensação de fracasso é corrosiva, mas desistir é pior, então devemos achar caminhos alternativos!

— Com "alternativos" você diz, se render à magia negra, ir contra seus ideais e ainda trair as pessoas que confiaram em você? Nossa, que ótima saída!

— Falando assim, realmente me faz parecer um criminoso... mas sabe, não te culpo, ainda é jovem demais para entender... – Hakim se aproxima, abrindo um sorriso malicioso. – No entanto, sei que é cheio de sonhos e desejos, todos eles sendo sufocados e arrancados todos os dias, por causa dessa ligação que você próprio se obrigou, não gostaria de se ver livre dessas amarras?

— Liberdade é o desejo de todos, mas existem diferentes pontos de vista sobre o que é ser livre!

— Hum... então não se importa? De passar sua vida, ajoelhado aos pés de outros? Correndo o risco de nunca alcançar seus sonhos, ideais e ter seus talentos sempre oprimidos?! – Jamil paralisou diante dos argumentos de Hakim, mesmo não concordando com os métodos, sabia que ele tinha razão. – Vai simplesmente permitir que lhe tirem tudo... incluindo a jovem dama por quem seu coração chama?

— Do... do que está falando? Eu não tenho...

— ORA! Falo da princesa dos corvos! Acha que não notei? Você, Kalim e todos aqueles moleques, simplesmente rendidos por ela! Sim... eu notei, a jovem meiga e de sorriso cativante, impossível não se render, mas sendo uma Crowley, isso que cria barreiras para você, um mero servo...

— Cala a boca! Ela não liga para isso!

— Sim, mas você se importa! Não gostaria de mostrar a ela, e a todos, quem você realmente é? Sem amarras, sem medo ou arrependimentos, totalmente livre... – Hakim segurava uma taça com alguma bebida, retirou um pequeno frasco do bolso, despejou um líquido esverdeado dentro da taça e ofereceu a Jamil. – Livre para ser quem nasceu para ser! Mais poderoso do que qualquer rei ou mago!

Jamil abriu e fechou a boca, fechou imediatamente, não havia argumentos para aquilo, na verdade ele até tinha, mas sabia que Hakim estava com a razão, por mais nobre que tentasse ser, nunca seria mais do que já era ou seu pai poderia ter sido. Inconscientemente, ele estendeu a mão, agarrando a taça que Hakim lhe oferecia, seus desejos falavam mais alto que sua razão, e num único gole bebeu toda a bebida... e em questão de segundos deixou sair tudo aquilo de ruim que estava guardado há anos em seu peito, raiva, dor, solidão, cansaço e angústia, tudo lhe consumiu a alma e transformou de dentro para fora.

***

Para todos os cantos que se olhava, parecia que uma extensão da maldição, tingindo do chão ao teto de preto e vermelho, imagens de serpentes preenchiam todo o ambiente. Corremos pelos corredores sentindo tudo tremer. Ao chegarmos à porta da frente, vimos que toda a estrutura do prédio havia se erguido do chão junto com os jardins. Por pouco, Sebek não caiu. O segurei pela nuca da gola de sua roupa, o impedindo de cair. Sem perder tempo, corremos para o salão de jantar, encontrando o lugar mergulhado em caos. Muitas pessoas estavam entrando em pânico, enquanto o Sheik tentava ao máximo acalmá-los. Para minha completa surpresa, ele permanecia calmo – ou pelo menos parecia estar – tomando uma postura de liderança impecável. Kalim se adiantou correndo até o pai, ao mesmo tempo que Ruria vinha até nós acompanhada das meninas. Eu via nas expressões das três que elas sabiam o que tinha acontecido.

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