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Capítulo 8: Peitando o Novo Chefe (Ou Como Quase Interditei a Adams Company)

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Robert Adams parou sob o batente da imensa porta dupla. Com seus quase um metro e noventa, terno escuro sob medida que parecia esculpido no corpo e um olhar azul esverdeado que geralmente fazia diretores de multinacionais tremerem nas bases, ele cruzou os braços. Sua expressão inicial era uma mistura de profunda fúria com uma óbvia irritação pelo barraco cênico que eu estava armando no meio da sua recepção intocável.

Mas, conforme o silêncio se instalou e seus olhos focaram em mim, o vinco de raiva na testa dele suavizou de um jeito estranho. Ele me mediu de cima a baixo com um brilho predatório e divertido. Robert estava genuinamente impressionado.
E, para o meu total azar corporativo, ele claramente achou aquela cena uma delícia. Dava para ver em sua mente o pensamento de como eu ficava incrivelmente gostosa e atraente quando estava brava, prestes a arrancar a cabeça de alguém.

- Eu não tenho tempo a perder com histeria jurídica, senhorita... - ele começou, a voz grave e pausada, tentando manter a postura de dono do Olimpo.

Antes que eu pudesse mandar ele engolir a pose de executivo, Camilla deu um passo à frente, juntando as mãos em um gesto de puro pânico:

- Sr. Adams, por favor! Eu imploro que o senhor escute o que nós temos para dizer. É sobre a contabilidade da sua empresa. Minha vida está em risco e o nome da sua firma também!

Robert alternou o olhar entre o desespero real da Milla e os meus olhos azuis, que continuavam faiscando em modo pitbull de saia. Ele soltou um suspiro pesado, deu as costas e fez um gesto curto com a mão:

- Entrem. Vocês têm exatamente cinco minutos.

Entramos na sala presidencial, que era o próprio monumento ao poder corporativo. Camilla, com as mãos trêmulas, abriu a pasta e jogou as planilhas impressas e as fotos na mesa de mármore negro. Com a voz embargada, ela explicou a linha do tempo: os desvios de milhões de dólares, as alterações feitas após a aprovação dela e como o Sr. Ludovico e o Erik estavam usando a assinatura digital dela de bucha de canhão.

Robert ouviu tudo em silêncio, folheando os papéis com uma rapidez fria. Quando ela terminou, ele jogou o dossiê de volta na mesa e soltou uma risada nasalada de puro deboche.

- Isso é um absurdo. O Sr. Ludovico trabalha aqui desde a época em que o meu pai abriu as portas desta empresa. Eu assumi como CEO há pouquíssimo tempo e ele tem sido meu braço direito. Vocês estão me trazendo suposições e relatórios paralelos dizendo que a velha guarda da diretoria do meu pai está me roubando? Isso é mentira. Ou uma tentativa muito amadora de extorsão.
O quê?! Mentira por causa de nostalgia familiar?!

A pouca paciência que me restava da madrugada inteira em claro foi direto para o espaço. Dei um passo agressivo à frente, bati com a palma da mão na mesa dele, fazendo o cinzeiro de cristal tilintar, e inclinei meu corpo na direção dele. Só faltou eu esfregar o calhamaço de folhas na cara perfeita daquele CEO arrogante.

- Mentira é o caralho, Sr. Adams! - gritei, a voz ecoando pelas paredes blindadas da sala, o peito subindo e descendo de raiva.
- Você pode ter herdado essa cadeira há pouco tempo, mas não ouse questionar o meu trabalho ou a idoneidade da minha amiga só porque tem apego emocional aos funcionários do seu pai! Olha para essas notas fiscais frias! Olha para o CNPJ dessas empresas de fachada no exterior! Tá tudo mastigado aqui para a sua mente genial de engenheiro entender!

Robert se inclinou para trás na poltrona, os olhos cravados nos meus, um sorriso de canto nascendo nos lábios dele enquanto ele se deliciava com o fato de ser peitado daquele jeito dentro do seu próprio império. Ele parecia fascinado com a minha audácia.

- Você é muito esquentada para uma advogada júnior, sabia? - ele provocou, a voz mansa, parecendo adorar o nosso ritmo de gato e rato.

- E você é muito ingênuo para um CEO! - rebati na hora, apontando o dedo na direção dele.

- Escuta aqui: se você não olhar essas provas uma por uma, com a devida atenção que esse desvio de milhões merece, eu mesma pego esse dossiê agora, marcho até o prédio da Receita Federal e faço uma denúncia formal contra a Adams Engenharia! Eu coloco o agentes do Estado aqui dentro em menos de vinte e quatro horas para fazer uma auditoria pesada, confiscar seus computadores e fechar essa empresa inteira até segunda ordem! Quer testar para ver se eu sou só gogó?!
Robert Adams parou de sorrir.

A ameaça de ver o império que o pai construiu ser lacrado por uma auditoria federal por pura teimosia dele finalmente bateu na sua parede de arrogância.

Ele me encarou fixamente, o silêncio na sala ficando tão denso que Camilla parecia segurar a respiração para não quebrar o vidro.

O jovem furacão tinha acabado de descobrir que o subsolo da sua empresa escondia um pitbull que não tinha medo do vento.

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora